Antonio Di Natale não foi criado nas categorias de base da Udinese, como Francesco Totti na Roma. Tampouco passou por grandes provações com os Friulani, como Gianluigi Buffon, que suportou a Serie B com a Juventus. E nem é um acumular de títulos com o clube, a exemplo de Javier Zanetti na Internazionale. No entanto, o amor de Totò pelas Zebrette é inquestionável. Você conta nos dedos quantos jogadores são tão identificados com seu clube quanto o atacante.

Neste domingo, Di Natale atingiu uma marca importante com a camisa da Udinese. O artilheiro completou seu 300º jogo com o clube pela Serie A. Apenas Valerio Bertotto, defensor dos bianconeri entre os anos 1990 e 2000, está à frente do camisa 10. E, considerando que Totò tem contrato até 2015, dificilmente ele não superará a marca, restando mais 34 partidas para alcançá-la.

“Eu preciso continuar trabalhando duro para atingir meus objetivos e espero continuar em forma. Eu me divirto jogando futebol e tenho entusiasmo. Seguirei fazendo isso. Não estou pensando em me aposentar”, declarou Di Natale, após o empate por 1 a 1 contra o Bologna, no qual marcou um gol. Em 2014, o camisa 10 completará 10 anos no clube. História que poderia ter sido diferente, caso o veterano não rejeitasse uma proposta feita pelo Milan, como ele próprio revelou em julho, ou não tivesse se distanciado das especulações ligando seu nome à Juventus.

Di Natale nasceu em Napoli, começou a carreira no Empoli. Dificilmente torcia para a Udinese na infância ou na adolescência. Mas os bianconeri não têm dúvidas sobre a entrega do atacante ao clube. No último ano, o veterano cogitou até mesmo a aposentadoria, abalado com a morte de Piermario Morosini, seu ex-companheiro em Udine que sofreu um ataque cardíaco em campo. O jogador, que chegou até a assumir a custódia legal da irmã deficiente de Morosini, mudou de ideia pouco depois. Uma decisão mais do que acertada para a torcida zebrette.

Afinal, Di Natale pode ser facilmente considerado o melhor jogador da história do clube. Totò é o maior artilheiro da Udinese, com 188 gols. Somente pela Serie A, são 159 tentos, mais do que o dobro de Lorenzo Bertini, o segundo colocado. Em nove temporadas completas no Estádio Friuli, foi o goleador do time em cinco delas, sendo as quatro últimas em sequência. Além disso, foi o artilheiro da Serie A por duas vezes, repetindo o feito de Oliver Bierhoff e Amoroso pelo clube.

Aos 35 anos, Di Natale colocou dois objetivos para sua carreira. Chegar aos 200 gols pela Udinese, algo bem simples, considerando que apenas em sua primeira temporada pelo clube não balançou as redes mais de 10 vezes. E disputar a Copa do Mundo de 2014. O veterano não é chamado à seleção italiana desde a Euro 2012. Porém, considerando seu nível e as atuais opções de Cesare Prandelli (Alberto Gilardino e Pablo Osvaldo têm sido chamados), não é de se duvidar que Totò continue enchendo de orgulho a torcida friulani.