Parte fundamental da seleção argentina nos últimos anos, Ángel Di María compartilhou as frustrações recentes com seus companheiros. Lesionado, não pôde ajudar a Albiceleste na decisão da Copa do Mundo de 2014. Depois, se machucou na primeira meia hora da final da Copa América de 2015. E, sem as melhores condições físicas, também por causa de uma contusão na primeira fase, não ficou em campo o tempo todo na revanche contra o Chile em 2016. As condições frágeis do ponta viraram motivo de gozação entre os seus compatriotas. E, nesta semana, em entrevista à emissora TyC Sports, ele falou sobre como as críticas afetaram o seu psicológico, precisando de auxílio profissional para se reerguer.

“As zoeiras e os memes sobre os jogadores da seleção, ainda que não pareçam, doem muitíssimo na gente. E fazem você pensar bastante. Se eu cogitei deixar a seleção, é por isso. Porque você vê a sua família sofrer. Eles te empurram, mas também sofrem por você. A mim, me ajudou muito consultar um psicólogo. Poder falar, poder desabafar. Graças a isso aprendi que, atrás de um computador ou de um celular, é fácil falar, rir, criticar. Mas eles fazem apenas isso. Minha cabeça agora está bem”, declarou o argentino.

Ainda sobre a seleção, Di María reiterou o comprometimento e o esforço da equipe: “Todas as vezes que visto a camisa da seleção, tento dar o melhor de mim. Sempre tento fazer o melhor para que todo mundo, e principalmente eu, fiquemos felizes. Chegamos a três finais e não ganhamos por má sorte, não por falta de colhões. Contra a Alemanha, fizemos a melhor partida e não tivemos sorte. Às vésperas da Copa, estamos no nível da Alemanha e da Espanha, por nomes e por aquilo que temos para jogar”.

Di María, aliás, afasta o seu status de titular absoluto da seleção e diz que, além de Lionel Messi, os outros dez precisam estar em constante prova para demonstrar os méritos de aparecer nas escalações: “Eu não me sinto indiscutível. O único que sempre deve estar em campo é Leo e os demais precisamos lutar por um lugar. Quando Sampaoli vem falar comigo, sempre digo o mesmo, que não me sinto intocável. Mas todos tratam de dar o seu melhor em cada partida”.

O respeito de Di María por Messi é notado em toda a entrevista. Inclusive, influencia a maneira como ele deseja atuar na equipe nacional: “Quando jogo com o clube, gosto de entrar pela direita, porque posso jogar com mais tranquilidade e dar assistências. Mas na seleção eu prefiro a esquerda, porque do outro lado tiro espaço de Leo. Eu acabo me chocando com ele e o atrapalho. Messi é o melhor. Sempre te surpreende”.

Por fim, vivendo excelente início de ano com o clube, Di María também falou sobre o PSG. O ponta elogiou Neymar e acredita que o brasileiro pode alcançar seus objetivos: “Neymar um excelente jogador e está passando por um grande momento. Demonstrou no Barcelona seu talento e creio que deu um passo à frente para conseguir o que todo jogador quer: ganhar a Bola de Ouro. Está entre os melhores, mas há Leo pela frente e é complicado”.