Lionel Messi surpreendeu a todos quando, após a vitória sobre o Chile na disputa de terceiro lugar da Copa América 2019, acusou a Conmebol de corrupta por causa da atuação da arbitragem nos jogos da Argentina. Há quase três semanas, no tradicional Troféu Joan Gamper, antes do jogo contra o Arsenal, falou a um Camp Nou lotado como o líder do grupo do Barcelona. Para quem se acostumou a um jogador mais reservado, esta faceta de porta-voz do craque, por mais discutíveis que sejam suas declarações, é legal de se ver. E Ángel Di María garante que o jogador sempre teve isso nele.

Em entrevista ao FOX Sports, o jogador do Paris Saint-Germain falou de diversos assuntos, os principais deles sendo a seleção argentina e o momento vivido pela Albiceleste. Sobre o posicionamento de Messi, confrontando a Conmebol, Di María conta que a aposentadoria da seleção de outro líder do grupo, Javier Mascherano, abriu caminho para um Leo mais expressivo.

“Messi surpreendeu, mas ele sempre teve essa coisa de falar, de se expressar. Acontece que Mascherano estava lá antes, ele gosta de expressar suas coisas mais, e Leo ficava mais resguardado. Mas ele já tinha essas coisas.”

A campanha da Argentina na Copa América, eliminada na semifinal pelo campeão Brasil e vitoriosa na disputa de terceiro lugar contra o Chile, foi boa na visão de Di María. É um momento de transição para os argentinos, e o atleta do PSG gostou do que foi apresentado tanto pelos mais experientes como pelos recém-chegados ao grupo. “Gostei muito, pelos antigos, mas especialmente pelos novos (jogadores). Você pode ver que há jogadores com muito potencial que podem usar a camisa da seleção nacional”, avaliou.

Di María tocou brevemente no assunto da arbitragem na Copa América, dizendo que foi muito estranho que o VAR não tenha sido chamado uma vez sequer no jogo da semifinal. “Até os jogadores brasileiros disseram que houve situações no jogo que não favoreceram a Argentina”, revelou.

O trabalho do técnico Lionel Scaloni, embora muito contestado externamente por sua falta de experiência, dá a Di María esperança para o futuro. “Ele está rodeado de pessoas muito boas e de confiança. Agora está na hora de montar uma equipe. Sabella e Tata Martino fizeram isso em sua época: montaram uma equipe, a bancaram e a levaram. Coisas importantes estão a caminho. Esta Copa América já passou no teste.”

Com 31 anos, Di María já projeta o fim de sua carreira. Tem contrato até 2021 com o PSG e conta que, depois disso, pretende voltar à Argentina. Era algo em que já pensava quando via seu contrato anterior com os franceses acabando e a indefinição pairando no ar.

Revelado pelo Rosário Central em 2005, se vê retornando ao clube. Mas acha difícil que o conterrâneo Messi faça o mesmo movimento e encerre a carreira no rival local, o Newell’s Old Boys, onde começou no futebol aos seis anos de idade. “É difícil imaginar o Leo no Newell’s, é difícil viver em Rosário. É mais difícil ver essa realidade (do que ele, Di María, no Rosario Central).”