Quando a temporada de futebol francês foi interrompida pela pandemia de coronavírus, Ángel Di María estava em grande forma pelo Paris Saint-Germain. Não teve problemas físicos e empilhava assistências ao ponto de ter em seu horizonte o recorde isolado de passes decisivos em uma edição da Ligue 1. Considerou falta de sorte o campeonato ter que ser parado e acredita que a decisão de não retomá-lo foi tomada com muita pressa.

A Ligue 1 determinou a classificação final da temporada por média de pontos, o que desagradou clubes como Amiens e Toulouse, rebaixados, e o Lyon, que ainda queria brigar por vaga europeia. A decisão de nem tentar retomar o Campeonato Francês foi tomada pelo governo, com interferência de Emmanuel Macron.

Di María havia coletado 14 assistências em 26 rodadas da Ligue 1 e estava a quatro da marca de 18, recorde que ele alcançou em 2015/16, mas compartilha com Jérôme Rothen, do Monaco, em 2002/03.  

“O ano passado foi incrível para mim. Penso nisso às vezes. Digo à minha esposa: que falta de sorte que tudo tenha parado. Vivi uma temporada sem lesões, tive bons jogos. Terminar como o melhor passador é uma fonte de orgulho. Sempre disse isso: prefiro fazer um passe decisivo do que marcar um gol. É isso que me agrada. Para dizer a verdade, eu até estabeleci o objetivo de bater o recorde de assistências na Ligue 1 porque eu tinha lido que faltavam quatro” , disse, em entrevista ao L’Equipe.

“Como muitos, acho que corremos para tomar essa decisão. Pelo que podemos ver, a França é hoje um dos países em que a situação de saúde é mais favorável e, no entanto, tudo foi definitivamente interrompido. São questões de política, de médicos. Gostaríamos de terminar o campeonato, mas as decisões foram tomadas e devemos aceitá-las. Se eles fizeram essa escolhe, é porque primeiro pensaram na saúde e no bem-estar das pessoas, então tudo bem para mim”, acrescentou.

Sem o retorno da Ligue 1, Di María acredita que o Paris Saint-Germain terá uma desvantagem nas quartas de final da Champions League, para a qual se classificou vencendo o Borussia Dortmund, caso ela realmente seja organizada em agosto, como pretende a Uefa.

“Os outros grandes campeonatos serão retomados. Não pode ser uma desculpa, mas torna as coisas mais difíceis para nós. Vamos sair de ritmo de competição, além das duas finais, contra o Lyon (Copa da Liga) e Saint-Étienne (Copa da França).  Enquanto nossos adversários estão emendando partidas, estaremos treinando. Mas obviamente daremos tudo o que temos para alcançar nossos objetivos”, afirmou.

Quando a temporada foi paralisada, o PSG tinha 68 pontos em 27 partidas, enquanto o Olympique Marseille, vice-líder, estava com 56 em 28 rodadas.