Abraçando a convocação para a Copa, a rodada deixou um último invicto, milhões de técnicos de seleção discutindo nos botecos e um goleiro usando celular de luva – eis o futebol jogado no Brasil, que cabe num Fusca para ir para a Rússia. Bom dia!

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Campeonato Brasileiro quase que irrelevante no chamado da seleção para o Mundial. Um terceiro goleiro, uma quarta opção para a zaga e um lateral com chances de jogo graças a lesão do titular. Sintomático de uma liga de passagem, entre os aspirantes à Europa e os que voltam depois de alguma frustração.

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Aliás, uma rápida sobre a Rússia: se Cássio, Geromel ou Fágner não entrarem em campo, será a primeira vez que o Brasil não usa nenhum jogador da própria liga numa Copa.

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Diego é quem mais me decepciona no futebol brasileiro hoje. Não consegue ser o organizador, nem o ponta de lança; não constrói o jogo a seu ritmo, mas também não decide quando a bola chega na individual. Para pegar a referência dos dois destaques do Grêmio e pedidos por muitos na seleção: Diego não faz nem o Arthur, nem o Luan; não carimba, nem espeta. Difícil.

4

Punição exagerada e ridícula para Guerrero, que deve ter feito seu último jogo pelo Flamengo e, quem sabe, o último no futebol nacional. Me disse um professor certa vez: futebol é o espetáculo da disciplinarização. E é isso: prega-se regras e moral aos quatro cantos – menos ao chegar nos donos do jogo, claro, esses deitam e rolam. Absurdo.

5

Pega bem na bola o tal do Pio, não? Mas o Ceará, se briga lá embaixo, não pode levar 0-2 do América em meia hora. Apesar do ponto, a tabela é cruel com quem empata demais – não adianta segurar o Corinthians em Itaquera e depois não vencer no Castelão.

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Bonita noite de Jefferson no Engenhão. Na provável temporada de aposentadoria, clássico com três pontos assinados pela atuação inspirada e inspiradora do ídolo do Botafogo. O Fluminense jogou bem e finalizou muito – como muito é organizado o time do Abel. Mas não deu.

7

Como é bom ver um jogo decidido num drible. Pedrinho não quis a falta, os volantes do Palmeiras só faltaram lhe pedir desculpas pelo incômodo e o menino abriu um raro espaço no dérbi paulista. Bela partida de Jadson e Rodriguinho – centroavante para quê?

8

Do outro lado, Miguel Borja fez um jogo constrangedor. Vou discordar do comentarista que o chamou de discreto – o colombiano apareceu bastante, sim, sofrendo com a bola e fazendo faltas ao atropelar os rivais que o antecipam com facilidade amadora. O sonho de qualquer zagueiro: lento, previsível, afobado, avoado.

9

Às vezes a gente caça ou se cansa dos clichês, mas o Internacional provou no clássico que jogam onze contra onze e ponto, não existe estilo que vence na véspera. O Grêmio tem mais time? Tem. Mas time bom tem que dar um jeito de ganhar, também. E contra rival em grande fase se joga fechado, fazer o quê.

10

Inconveniente a tal da ação de marketing com o jogador do Atlético Paranaense. Acho que o torcedor, aquele que logo mais mal poderá ir ao estádio na mesma Curitiba, é enganado quando se promove um gesto falso e depois quando do jogo de cena do goleiro na saída do estádio, fingindo um não assunto com coletiva marcada e publicação encomendada para a manhã seguinte. Se tudo é marketing, deixem ao menos os 90 minutos em paz.


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