A Libertadores retoma a fase de grupos nesta terça-feira com situações bastante distintas entre seus países e clubes em níveis diferentes de preparação. Se no Brasil há uma intensa maratona de jogos, os representantes de alguns vizinhos voltarão a campo justamente para o torneio continental – a exemplo da própria Argentina. E a pandemia, logicamente, afetou os cofres de muitas agremiações. Medalhões como Emmanuel Adebayor e Antonio Valencia acabaram dispensados, enquanto outros talentos foram negociados, como o artilheiro Fidel Martínez. Mas, se o fluxo de saída foi maior, alguns times também fecharam reforços interessantes.

Abaixo, preparamos uma lista de 10 novos contratados que se juntaram a clubes dos vizinhos sul-americanos nesses meses de paralisação. A maioria dos negócios destacados envolve jogadores tarimbados, que aumentam um pouco as perspectivas de uma boa campanha. Nem todos os grandes concorrentes no certame, entretanto, puderam fechar com novas opções.

Edwin Cardona (Boca Juniors)

Cardona voltou ao Boca Juniors em agosto. O meia teve uma passagem razoável pelo clube, de 2017 a 2018, com direito à conquista do Campeonato Argentino – e também ao vice na Libertadores. O colombiano, entretanto, havia perdido espaço com o passar dos meses. Apesar do impacto inicial e dos lampejos, teve problemas com a balança e acumulou polêmicas fora de campo. Caiu em desgraça com Guillermo Barros Schelotto e voltou ao México. Quase dois anos depois, encontrou clima para voltar, emprestado junto ao Tijuana. É talentoso e bate bem na bola, mas nem sempre quer jogar o que sabe.

Cecílio Domínguez (Guaraní)

Aos 26 anos, Cecílio Domínguez é bastante rodado. Surgiu no Sol de América e teve bons momentos com o Cerro Porteño, especialmente em 2016. Descolou uma transferência ao América do México, mas não rendeu tudo o que podia e fechou com o Independiente em 2019, como uma das maiores transações da história do clube. Também ficou devendo em Avellaneda, a ponto do Rojo prescindir de seus serviços e vendê-lo ao Austin FC. O time do Texas só entrará na MLS em 2021, então liberou seu reforço emprestado ao Guaraní. O atacante pode dar um toque de qualidade à armação do Cacique, também com boa chegada para definir. Resta saber se o retorno ao Paraguai será suficiente para recuperar seu futebol. Ainda não reestreou.

Jefferson Orejuela (Barcelona)

Orejuela não fincou raízes no Fluminense, mas é um bom volante, com nível de seleção equatoriana. Revelado pelo Independiente del Valle, retornou à LDU Quito e recuperou seu prestígio, a ponto de descolar uma transferência ao Querétaro. Agora, tenta dar mais consistência ao meio-campo do Barcelona de Guayaquil. Já disputou cinco partidas na volta do Campeonato Equatoriano. Aos 27 anos, aumenta a qualidade à disposição dos Canários – que precisarão se virar com a saída de Fidel Martínez ao Shanghai Shenhua, artilheiro da Libertadores e melhor jogador do certame até a paralisação.

Álvaro Rey (Bolívar)

O Bolívar possui uma relação íntima com jogadores espanhóis, em especial pela idolatria a Juanmi Callejón. E os celestes foram buscar a contratação mais alternativa desta retomada da Libertadores. Os bolivianos trouxeram agora Álvaro Rey, meia que disputou a segundona de La Liga pelo Mirandés e fez parte da histórica campanha dos nanicos às semifinais da Copa do Rei – inclusive, anotando gol na classificação sobre o Sevilla. Aos 31 anos, o espanhol já atuou na Polônia, na Grécia e nos Estados Unidos – além de ter rodado por clubes das divisões de acesso em seu país. Também veio o zagueiro Luis Haquin, que jogou a Copa América com a Bolívia.

Felipe Gedoz (Nacional-URU)

Gedoz viveu o melhor momento de sua carreira no Defensor, brilhando na campanha dos violetas até as semifinais da Libertadores 2014. Não vingaria no Club Brugge e também não emplacou em seu retorno ao Brasil – defendendo Athletico Paranaense, Goiás e Vitória. Trazido a peso de ouro pelo Furacão, até agradou parte da torcida, mas os altos custos e as dificuldades para entrar em forma culminaram em sua saída no início de 2020. Sem clube, o meia fez as malas de volta ao Uruguai e arranjou um contrato com o Nacional. É um acréscimo técnico e já até começou a pintar nos jogos do Campeonato Uruguaio.

Michael Rangel (Junior de Barranquilla)

Se o América de Cali volta à Libertadores enfraquecido, sem um importante jogador em seu ataque, o Junior de Barranquilla se aproveitou da ocasião para buscar de volta Michael Rangel. O atacante de 29 anos tem contrato com os Tiburones e foi emprestado ao América, onde viveu um momento importante e protagonizou a conquista do Clausura em 2019. Rangel também era o artilheiro do Apertura de 2020, até se juntar novamente aos treinos do Junior. Deve ganhar espaço principalmente com a saída do técnico Julio Comesaña, que não tinha o jogador em seus planos e até cogitava negociá-lo.

Lorenzo Melgarejo (Racing)

Melgarejo não atuou por muito tempo no Campeonato Paraguaio, passando pelo Olimpia e pelo Independiente de Campo Grande. Sua eclosão aconteceu mesmo em Portugal, no Paços Ferreira, ganhando uma oportunidade no Benfica. Depois disso, fez carreira na Rússia e o destaque no Kuban Krasnodar o levou a bons momentos com o Spartak Moscou, inclusive faturando a liga local. O meia também possui suas convocações à seleção e, neste momento, preferiu voltar à América do Sul. Sem renovar com os moscovitas, acertou por duas temporadas com o Racing. É um jogador versátil para a Academia.

Patricio Rubio (Alianza Lima)

Aos 31 anos, Patricio Rubio coleciona clubes em sua carreira. O chileno chegou a ser aclamado na Unión Española e na Universidade de Chile, passando depois pelo futebol mexicano. Nos últimos anos, ganhou os holofotes no Everton por seus gols, o que garantiu uma nova chance de disputar a Libertadores. O novo atacante do Alianza Lima já estreou pelo Campeonato Peruano e até marcou gol. O camisa 9, todavia, precisará cumprir suspensão no início do torneio continental. O meia Aldair Fuentes, boa revelação recente dos Potrillos, deixou o elenco para defender o Fuenlabrada.

Nicolás Navarro (Tigre)

Aos 35 anos, o goleiro Nicolás Navarro possui uma lista longa de clubes tradicionais em seu currículo. O argentino já atuou por Argentinos Juniors, River Plate e Gimnasia em seu país, assim como passou por Napoli, Kayserispor e Querétaro. Nas últimas temporadas, era titular ocasional do San Lorenzo. E agora reforçará o Tigre, onde já teve uma passagem anterior. É o nome mais tarimbado da longa lista de reforços do clube argentino, com dez contratações antes da retomada da Libertadores – a maioria garimpada em clubes pequenos. Em compensação, nove atletas saíram.

Pato Rodríguez (Jorge Wilstermann)

Revelação do Independiente, Patito Rodríguez foi contratado pelo Santos em 2012, sob certas expectativas. O atacante nunca recompensou o investimento do Peixe e rodaria por alguns empréstimos (incluindo ao Estudiantes) até deixar o clube em 2016. Desde então, o argentino virou um andarilho da bola e atuou na Grécia, na Austrália e em Portugal. Pouco foi utilizado pelo Moreirense na temporada passada. Acabou buscando o seu espaço agora no Jorge Wilstermann, já deixando claro que não será o “novo Agüero”, como um dia cunharam em seus tempos de Avellaneda.