O amistoso entre Brasil e Panamá pouco teve para mostrar. O jogo em si não foi empolgante, ainda que a Seleção tenha aberto o placar cedo, com um gol de Jonas. Sim, ele, Jonas, convocado para substituir Ricardo Oliveira, cortado por lesão. Quem acabou ganhando manchetes foi Gabriel Barbosa, o Gabigol. Ele estreou na seleção principal no segundo tempo e marcou o seu primeiro gol na vitória por 2 a 0, em Denver. Então, vamos falar sobre 10 pontos que destacamos ao assistir a partida.

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Jonas manteve a veia goleadora da temporada
Jonas comemora seu gol com Coutinho (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)
Jonas comemora seu gol com Coutinho (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Durante a temporada, Jonas marcou 37 gols na temporada, sendo 32 só na liga portuguesa. Brigou pela Chuteira de Ouro da Europa até o final, mas ficou atrás tanto de Cristiano Ronaldo (35 gols) e Luis Suárez (40). Lembrando que o prêmio vale apenas pelos gols marcados na liga nacional. Com a lesão de Ricardo Oliveira, ele vestiu a camisa 9. Marcou um gol logo a dois minutos de partida.

Variações táticas do Brasil
Dunga variou do 4-1-4-1 para 4-4-2 (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)
Dunga variou do 4-1-4-1 para 4-4-2 (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

A Seleção começou emulando o Corinthians de 2015 em um 4-1-4-1. Luiz Gustavo foi o jogador à frente da defesa com Elias e Renato Augusto centralizados e Philippe Coutinho pela esquerda e Willian pela direita. O funcionamento dos dois jogadores centrais ajudou na saída de bola, com Renato Augusto e Elias buscando a bola lá atrás e os dois aparecendo também na intermediária ofensiva, especialmente o primeiro.

No segundo tempo, Hulk entrou no lugar de Luiz Gustavo, mudando o esquema do time. Elias e Renato Augusto foram os mais recuados do meio-campo, com Coutinho e Willian mantidos pelos lados, Hulk e Jonas mais avançados. Em nenhuma das formações o time brilhou ou jogou um futebol exuberante, mas ao menos mostrou um pouco de variação, o que deve ser necessário em jogos mais duros

Renato Augusto, por que a China?
Renato Augusto se movimentou bem durante o jogo (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)
Renato Augusto se movimentou bem durante o jogo (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Que desperdício é Renato Augusto jogando na China. A tal independência financeira é mesmo uma desculpa mequetrefe. Renato Augusto é um jogador muito acima da média, que se adaptou, graças a Tite no Corinthians, a trabalhar como um meio-campista. Não volante, não meia. Um meio-campista. Na Europa, e especificamente na Inglaterra, costumam chamar de central midfielder. É a posição de jogadores como Frank Lampard, Toni Kross ou Luca Modric. Entre os convocados de Dunga, é o jogador que melhor representa essa função.

Os estreantes olímpicos
Douglas Santos foi o titular do time (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)
Douglas Santos foi titular e estreou pela Seleção (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Douglas Santos vem jogando muito bem desde 2015 no Atlético Mineiro, chegou à Seleção e estreou bem. É um dos convocados com idade olímpica. Outros dois deles estrearam pela Seleção na noite de domingo: Rodrigo Caio, convocado como zagueiro, mas que entrou como volante no lugar de Renato Augusto; e Gabriel Barbosa, o Gabigol. Além deles, entrou também Fabinho, que não é estreante, mas também tem idade olímpica e, aliás, deve ser o titular nos Jogos Olímpicos do Rio. Esteve também na Copa América de 2015, na reserva justamente de Daniel Alves.

Philippe Coutinho, pronto para ser titular
Coutinho foi bem no jogo contra o Panamá (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)
Coutinho foi bem no jogo contra o Panamá (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Há algum tempo Philippe Coutinho é um dos principais jogadores do Liverpool, se não o principal. Veste a 10, é um dos melhores jogadores da Premier League. Mostrou algo muito característico da liga: dinâmica e velocidade. É um jogador que se adapta a jogar pelos lados ou pelo meio, é rápido, inteligente, bom passe e tem o chute de fora da área como arma. Ainda que a sua atuação não tenha sido brilhante, como a de ninguém foi, se destacou pela movimentação, por tentar o jogo e arriscar. Merece uma sequência.

Quem é o protagonista?
Willian, candidato a destaque da Seleção (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)
Willian, candidato a destaque da Seleção (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Neymar não está na Copa América, Douglas Costa, sensação brasileira na temporada, também não. Então, quem fica com o protagonismo da Seleção? O principal candidato é Willian, meia que fez uma boa temporada no Chelsea, apesar dos resultados ruins do time inglês. No jogo, porém, foi tímido. O capitão do time é Miranda, que é um líder mais silencioso.

O Brasil curiosamente não tem estrelas internacionais com peso suficiente para tomar o protagonismo. Talvez o mais próximo seja mesmo Willian, mas embora ele seja certamente um dos melhores coadjuvantes da seleção em anos recentes, há dúvidas se ele pode concorrer ao posto principal.

Kaká, 34 anos, um reserva estelar
Kaká entrou no segundo tempo (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)
Kaká entrou no segundo tempo (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

O último brasileiro a ganhar o prêmio de melhor do mundo, Kaká, 34 anos, foi chamado na emergência. Substituiu Douglas Costa, que tinha tudo para ser o grande nome do time. Deve ser reserva na Copa América, mas como está lá, entrou e causou furor no estádio em Denver. Quase marcou um gol. É o cartaz do futebol brasileiro em campo, ainda que Dunga não costume utilizá-lo muitos minutos. Com a falta de protagonistas, pode ser um jogador que assuma a responsabilidade, algo que faltou na Copa de 2014.

Gabigol, a notícia mais empolgante da noite
Gabriel Barbosa, o Gabigol, chuta para marcar o seu gol  (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)
Gabriel Barbosa, o Gabigol, chuta para marcar o seu gol (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

O atacante entrou no lugar de Jonas no segundo tempo. Aproveitou uma bobeira da zaga do Panamá e tocou com muita categoria, no cantinho, e marcou o seu primeiro gol pela Seleção. Uma estreia com estrela, algo que ele se acostumou desde muito cedo, quando ganhou o sonoro apelido de Gabigol. Certamente ganhou pontos por entrar bem, por ter estrela e por ter ido abraçar o técnico, Dunga, na comemoração. De bobo não tem nada, não é mesmo?

E o Lucas, Dunga?
Lucas comemora: ele foi bem na goleada do PSG sobre o Toulouse (AP Photo/Thibault Camus)
Lucas comemora: ele foi bem na goleada do PSG sobre o Toulouse (AP Photo/Thibault Camus)

Rafinha ainda se recupera de uma lesão e tem um caso complicado, segundo o próprio Dunga. A tendência parece ser o corte do jogador do Barcelona. Lucas, do Paris Saint-Germain, poderia muito bem ser o dono da vaga. É um jogador que tem habilidade, velocidade e pode ajudar a quebrar defesas fechadas. Foi preterido. E não parece que será chamado.

Especula-se que o nome para a vaga pode ser de Gabriel Jesus, do Palmeiras. Baseado no que se viu em campo, a presença do palmeirense seria muito bem-vinda. É um jogador habilidoso, bom finalizador, rápido e pode jogar muito bem por dentro ou pelas pontas. Lucas é mais experiente, mas Gabriel Jesus, por sua vez, é melhor finalizador. Pode ser importante.

Haja coração para os jogos tarde da noite
Hulk entrou no segundo tempo em jogo que acabou mais de meia noite no horário brasileiro (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)
Hulk entrou no segundo tempo em jogo que acabou mais de meia noite no horário brasileiro (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

No sábado, o Brasil estreia na Copa América Centenário contra o Equador. O horário? Às 23h, horário de Brasília. É, amigo, haja coração para aguentar esse horário (ou haja café, também é válido). Na quarta-feira, dia 8, contra o Haiti, o jogo ao menos é 20h30, um horário decente (ei, Globo, Brasileirão podia ser nesse horário também, né?). Mas prepare-se que no dia 12 de junho, domingo, o jogo será às 21h30. Sim, no dia dos namorados. Sim, no dia de Palmeiras x Corinthians e de Atlético Mineiro x Cruzeiro. Haja coração, amigo.