Depois de 25 dias de disputa, a Espanha foi coroada campeã da Eurocopa. Uma competição marcada pelo alto nível das equipes e por muitos confrontos acirrados, mas que foi além. Personagens como Balotelli, Cristiano Ronaldo e Shevchenko deram ainda mais vivacidade ao que aconteceu nos gramados de Polônia e Ucrânia. Enquanto isso, as arquibancadas e os arredores dos estádios abrigavam a antítese entre o apoio das torcidas e a intolerância.

– O despertar da Fúria

Não foram poucos os rótulos recebidos pela Espanha ao longo da Eurocopa. E nem afáveis. Exceção feita ao jogo contra a Irlanda, a seleção de Vicente Del Bosque não convenceu e muito menos animou os espectadores, classificada como monótona. A cura para o tédio viria apenas na final. Objetiva, a Fúria atacou a Itália com golpes rápidos e letais. Aplicou a maior goleada já registrada em uma final continental. E elevou a um degrau ainda mais alto uma geração que já está entre as melhores da história do futebol mundial.

– A resposta de Balotelli

Em uma competição marcada pelo racismo nas arquibancadas, Mario Balotelli deu o troco dentro de campo. O polêmico atacante desabafou pela primeira vez com o tento contra a Irlanda. E calou qualquer preconceito com uma atuação magistral na semifinal contra a Alemanha. O abraço dado em sua mãe após a semifinal conseguiu ser mais belo que seus gols. Uma emoção que só deu espaço aos risos, com suas frases de efeito para comentar a marra nas comemorações.

– Adeus em grande estilo

Andriy Shevchenko tinha confessado que só prosseguiu a carreira na seleção nacional por causa da Eurocopa. Queria ter a honra de disputar o torneio continental em seu país. E o atacante fez mais. Deu a motivo para os ucranianos festejarem, com uma virada espetacular na estreia. Depois de alguns erros no primeiro tempo, o camisa 7 demonstrou seu faro de matador com dois gols de cabeça, que garantiram a vitória sobre a Suécia.

– Homenagens a Panenka

Antonín Panenka eternizou um estilo displicente na penalidade decisiva da Eurocopa de 1976. O leve toque na bola tirou o experiente Sepp Maier da bola e garantiu a taça à Tchecoslováquia. Nas duas disputas por pênaltis da Euro 2012, Pirlo e Sergio Ramos prestaram tributo ao camisa 7 tcheco. O italiano respondeu às provocações de Joe Hart com estilo, pressionando a Inglaterra. Já o espanhol tirou um peso das costas, após falhar na Liga dos Campeões, e selou a eliminação de Portugal.

– O aviso para CR7

Depois de 90 minutos sofríveis contra a Dinamarca, Cristiano Ronaldo mais uma vez foi encoberto pela sombra de Messi. O português se irritou com o nome do argentino gritado nas arquibancadas. E acordou, para demonstrar que não é o produto de marketing que alguns acusam. Honrando o rótulo de craque, Ronaldo demoliu Holanda e República Tcheca. Sua atuação contra a Espanha não foi suficiente, mas a prova de que é digno para receber novamente a Bola de Ouro estava dada.

– A festa da torcida irlandesa

O fiasco da Irlanda na Euro pouco importou. Os torcedores do país não serão esquecidos tão cedo na Polônia. Enquanto os comandados de Giovanni Trapattoni apresentaram o futebol mais fraco dentro de campo, seus compatriotas nas arquibancadas compensaram com um apoio incondicional. A manifestação mais impressionante aconteceu justamente no jogo que consumou a eliminação, quando o canto em uníssono ecoou após o apito final.

– Do banco de reservas ao protagonismo

Apesar da condição de anfitriã, a seleção polonesa nunca gerou grandes expectativas – prognóstico que se provou certo ao final da primeira fase. Os primeiros minutos da estreia contra a Grécia, no entanto, foram empolgantes. Uma força que foi esmorecendo após o intervalo e quase culminou na derrota. A expulsão de Szczesny parecia selar a tragédia dos anfitriões. Mas, sem nem ao menos ter o direito de se aquecer, Tyton enfrentou Karagounis e defendeu a penalidade que garantiu o empate a sua equipe, bem como o posto de herói.

– A batalha entre poloneses e russos

Uma rivalidade antiga, acirrada especialmente na Segunda Guerra Mundial, se reavivou graças ao reencontro de dois países dentro de um campo de futebol. Vândalos com as cores de Polônia e Rússia se enfrentaram em Varsóvia, transformaram as ruas da cidade em campo de batalha. Ao todo, foram 20 pessoas feridas e 184 detidos. Ao menos a animosidade não se transferiu para o jogo entre as duas seleções, que empataram e, na rodada seguinte, morreram abraçadas na primeira fase.

– Os vexames de Holanda e França

Vice-campeã do mundo, a Holanda chegou à Euro apontada como grande favorita e deixou a Ucrânia sendo a maior decepção no torneio. A falta de confiança entre as estrelas acabou custando o emprego do técnico Bert van Marwijk. Bem menos badalada, a França viu a desordem tomar conta de seu vestiário mais uma vez. A queda contra a Espanha foi inevitável, com direito a bate-boca de Nasri com jornalistas. E quem também pagou a conta foi o demitido Laurent Blanc.

– Boicote de estadistas na Ucrânia e protestos do Femen

Não foi uma decisão oficial, mas muitos chefes de Estado preferiram não visitar a Ucrânia durante a Eurocopa. Discordâncias com a postura política do governo ucraniano, especialmente em relação aos direitos humanos, fizeram com que políticos de Inglaterra, Alemanha e França se recusassem a viajar ao país. Ao mesmo tempo, as ativistas do grupo Femen protestaram intensamente nos arredores dos estádios, tanto na Ucrânia quanto na Polônia, contra a realização do torneio.