A Conmebol, ao anunciar suas medidas elitistas e pouco condizentes com a cultura do futebol da América do Sul, ignora a identidade que realmente se constrói nos estádios do continente. Além do mais, também se esquece da representatividade que suas competições ainda têm a muitos clubes, sejam eles potências internacionais ou não. Nesta terça, no mesmo dia em que a entidade baixou sua norma arbitrária para barrar as equipes das divisões de acesso, o Colón escancarou como times menores pode engrandecer o “produto” da confederação. Vale dizer que, horas depois dos protestos contra seu novo regulamento, a entidade voltou atrás e não barrará em suas competições os times de fora da elite – ao menos em 2020.

O Colón, se não é exatamente um grande da Argentina, possui sua tradição. O clube soma 40 participações na elite, desde 1966, com direito a um vice no Clausura de 1997. Além disso, acumula sete presenças nos torneios continentais, incluindo duas na Libertadores. Neste ano, pela segunda temporada consecutiva, figuram na Copa Sul-Americana. E depois do sucesso em 2018, quando chegaram a eliminar o São Paulo, os sabaleros demonstraram a paixão que rege sua torcida. Apresentaram o tamanho do fanatismo dos santafesinos pelo clube.

Santa Fe fica às margens do Rio Paraná, ao norte de Rosário. De carro, são cerca de 650 quilômetros a Montevidéu, onde o Colón enfrentaria o River Plate do Uruguai. Diante do expresso interesse de seus torcedores, a própria diretoria sabalera fez sua intervenção. Inicialmente, o jogo estava marcado para o Luis Franzini e os santafesinos prometiam muito mais visitantes que os três mil ingressos disponíveis. Então, seus dirigentes solicitaram aos adversários que remarcassem o duelo ao lendário Estádio Centenario. Pedido aceito, o que triplicou a multidão a caminho do Uruguai.

Segundo a imprensa local, mais de 10 mil torcedores pegaram a estrada e encheram um dos setores do Centenario. Assim como outros times do interior da Argentina, mostraram como as competições continentais servem de vitrine à sua paixão. E o empate por 0 a 0, que deixa indefinida a situação no duelo válido pelos 16-avos de final, é o que menos importa. A imagem da invasão fala por si.