Toda e qualquer experiência é necessária para se buscar o sucesso nas preliminares da Libertadores. Os confrontos de vida ou morte na competição não costumam ser fáceis. É preciso encarar estádio hostis, viagens por vezes intrincadas e até mesmo algumas camisas tradicionais do continente. Não à toa, boa parte dos clubes apostam em seus medalhões. Os jogadores experientes que podem fazer a diferença na competição continental, seja pela tarimba ou por tudo o que viveram no cenário sul-americano. Alguns com Copas do Mundo no currículo, que tentam garantir uma caminhada bem sucedida à fase de grupos.

Abaixo, destacamos dez veteranos que estarão presentes nesta pré-Libertadores. Figurinhas bastante conhecidas que dão um pouco mais de cor nesta fase. Alguns times primam pela quantidade de medalhões. E os representantes brasileiros, Vasco e Chapecoense, não fogem à regra. Priorizamos um jogador por clube, para aumentar a variedade. Confira a lista:

Julio César Cáceres, do Guaraní

Os clubes paraguaios vivem o regresso de suas gerações mundialistas. Vários veteranos que disputaram Copas do Mundo e estavam caindo no ostracismo fora do país voltaram para casa, buscando viver os últimos momentos da carreira junto dos seus. O Guaraní não foge desta regra. Júlio César Cáceres rodou por Brasil, Argentina, México e França. Retornou a Assunção em 2011, jogando no Olimpia. No entanto, foi no Cacique que realmente se encontrou. Já são cinco temporadas pelos aurinegros, do alto de seus 38 anos. O zagueiro, presente na Copa de 2002, permanece como um caudilho na defesa, voltando após suspensão por doping. Entre outros medalhões em sua companhia, destaque para Marcelo Cañete e Wilson Pittoni. Já o técnico é ninguém menos que Sebastián Saja.

Darío Cvitanich, do Banfield

Treinado pelo interminável Júlio César Falcioni, o Banfield não faz campanha tão notável assim no atual Campeonato Argentino, mas ninguém pode reclamar de falta de experiência na Libertadores. A começar por sua principal referência ofensiva. Velho ídolo dos próprios alviverdes, e vice-campeão com o Boca Juniors em 2012, Darío Cvitanich voltou ao antigo clube. O centroavante possui um currículo extenso, com destaque para as suas passagens por Ajax, Nice e Pachuca. Voltou com tudo, acumulando seis gols em oito partidas na liga nacional. Espera levar também o Taladro à fase de grupos. Ao seu lado, conta com o apoio de Pablo Mouche e Jesus Dátolo, que tentam se reerguer após passagens errantes pelo Brasil.

Emanuel Biancucchi, do Melgar

O Melgar possui alguns jogadores rodados na seleção peruana, incluindo o goleiro Diego Penny e o atacante Hernán Rengifo. Já entre os estrangeiros, menção especial para alguém de sangue nobre. Emanuel Biancucchi será sempre lembrado como o primo de Lionel Messi – ou, pior, o irmão de Maxi Biancucchi. Em uma carreira que nunca decolou, até teve o seu espaço no Brasil, mas não deu certo no Bahia, no Vasco ou no Ceará. Parecia relegado ao coadjuvantismo de times medianos do Paraguai, onde viveu seus melhores momentos. Por isso mesmo, precisa levantar as mãos aos céus por ter sido resgatado pelo Melgar e ganhar uma chance de disputar a Libertadores. Chegou a Arequipa em dezembro.

Álvaro González, do Nacional

Sem nunca ter sido um primor tecnicamente, Álvaro González é daqueles jogadores que representam “o espírito charrua”. Fazendo o simples e oferecendo muito suor, tornou-se um dos esteios na seleção de Óscar Washington Tabárez. Campeão da Copa América em 2011 e presente na Copa do Mundo de 2014, o volante continua sendo citado nas convocações da Celeste. E desde o último ano está mais próximo no radar, ao retornar para o Nacional. Depois de sete anos vinculado à Lazio, o veterano já não tinha o mesmo espaço com os biancocelesti, emprestado a Torino e Atlas. Agora, terá o gosto de liderar um dos times mais tradicionais do continente na Libertadores. Outras figurinhas carimbadas do Bolso são Jorge Fucile, Diego Arismendi, Tabaré Viúdez e Sebastián Fernández, além do argentino Gonzalo Bergessio. Os tricolores encaram a Chapecoense nesta segunda fase preliminar.

Apodi, da Chapecoense

Remanescente do time que estremeceu o continente a partir de 2015, Apodi voltou à Chapecoense para auxiliar na reconstrução. E o lateral, presente na última Libertadores, tenta levar o Verdão do Oeste novamente à fase de grupos. Continua como um jogador relevante no elenco, intocável durante todo o Campeonato Brasileiro em 2017. Será certamente uma das armas para os espinhosos confrontos com o Nacional, conhecido já do último ano no cenário continental. O rótulo de medalhão, de qualquer forma, não é exclusivo de Apodi. Wellington Paulista e Héctor Canteros são outras lideranças pela rodagem internacional. Já a novidade fica por conta de Márcio Araújo que, apesar de todas as críticas, disputou as competições da Conmebol por três grandes clubes do país.

Luis Pedro Figueroa, da Universidad de Concepción

Em um clube sem tanta tradição, que faz apenas sua segunda participação na Libertadores, a confiança se deposita nos jogadores rodados. E um dos nomes mais conhecidos é o de Luis Pedro Figueroa. O meio-campista foi formado no próprio clube, antes de passar por diversos grandes do Chile. Chegou, inclusive, a ter uma apagada aventura pelo Palmeiras, além de defender (sem sucesso) Banfield e Arsenal de Sarandí. É no Campeonato Chileno que o jogador com 14 aparições pela seleção local se encontra. E depois de atravessar os últimos meses no Colo-Colo, participando da conquista do Transición 2017, muda de ares para o torneio continental. Ao seu lado, Pedro Morales, Hugo Droguett e Hans Martínez também figuraram em diversas convocações da Roja ao longo dos últimos anos. Serão o desafio do Vasco nesta etapa preliminar.

Martín Silva, do Vasco

Se o horizonte em São Januário é incerto, por todo o imbróglio político ocorrido nas últimas semanas, um raro ponto de confiança no Vasco se concentra em Martín Silva. O uruguaio fez por merecer a pecha de ídolo entre os cruz-maltinos e, em momentos nos quais os times se acerta, a sua segurança sob as traves é fundamental. Depois de três temporadas na Colina, enfim terá a chance de retornar aos torneios sul-americanos, nos quais se acostumou a brilhar por Defensor e Olimpia – inclusive, vice-campeão da Libertadores com os paraguaios em 2013. Os vascaínos, aliás, contam com vários estrangeiros. Leandro Desábato – primo do homônimo envolvido em caso de racismo com Grafite – chega do Vélez, assim como Frickson Erazo, que estava no Atlético Mineiro. Duvier Riascos retorna após boa passagem pelo Millonarios e pode compor o ataque com Andrés Ríos, no grupo desde o último ano, após ser comprado junto ao Defensa y Justicia.

Roque Santa Cruz, do Olimpia

O lugar de Santa Cruz entre os maiores símbolos da seleção paraguaia é inegável. É o maior artilheiro da Albirroja e o terceiro com mais jogos. E depois de uma carreira respeitável no exterior, com destaque especial aos momentos no Bayern de Munique e no Málaga, o veterano retornou ao Olimpia em 2016. Não conseguiu ajudar tanto os franjeados nas campanhas continentais, caindo inclusive para o Botafogo nas preliminares de 2017. Agora, o caminho continua duro, contra o Junior de Barranquilla. Na primeira fase, o veterano de 36 anos foi titular em um jogo e saiu do banco no outro, criando os seus perigos. Quem o acompanha é Darío Verón, companheiro de anos na seleção.

Teo Gutiérrez, do Junior de Barranquilla

Fundamental na conquista da Libertadores de 2015 pelo River Plate, Teo Gutiérrez continua estrelando o Junior de Barranquilla. Não passou pelo Flamengo nas semifinais da Copa Sul-Americana, mas ajuda a formar um dos times mais fortes destas preliminares. Embora o embate com o Olimpia seja bastante difícil, os Tiburones possuem os seus predicados – especialmente se o ídolo resolver jogar bola e se distanciar das confusões, o que nem sempre acontece. Com a cabeça no lugar, ninguém duvida do seu poder de fogo. Ao seu lado, o azougue dos alvirrubros é Yimmi Chará, de excelentes atuações em 2017. Sebastián Viera continua protegendo o arco. Já entre as novidades, o ataque ganha Jonathan Álvez, artilheiro do Barcelona na Libertadores passada, enquanto a defesa recebe o Alberto Rodríguez, da seleção peruana.

Alex Silva, do Jorge Wilstermann

A traumática eliminação na Libertadores 2017 será lembrada por muito tempo. Ainda assim, o Jorge Wilstermann possui sua chance de diminuir a má impressão a partir da fase preliminar. E com remanescentes da goleada sofrida para o River Plate. Alex Silva é um deles. Exceção feita ao desastre no Monumental de Núñez, o “Pirulito” fez uma boa participação no torneio continental, reerguendo a sua reputação após rodar por nanicos no Brasil. Permanece com moral entre os torcedores. Serginho, outro brasileiro que apareceu bem em 2017, segue firme no Aviador. Já o novato da legião tupiniquim é Lucas Gaúcho. Revelado pelo São Paulo, o atacante chegou a defender a seleção sub-20, mas não deslanchou como se esperava. Girou o planeta, defendendo equipes de Tailândia, Vietnã, Lituânia, Japão e Israel. Agora, tenta a sorte na Bolívia.