Uma das maiores graças dos mata-matas é a chance de provocar surpresas. De reverter o óbvio no futebol para classificar uma equipe que não foi necessariamente a melhor, que não possui a camisa mais pesada, que não vive a melhor fase. E, neste aspecto, o Campeonato Brasileiro foi pródigo enquanto adotou o sistema de disputa, até 2002. Se o São Caetano é o mais lembrado neste aspecto, muitos outros causaram espanto por tudo o que conseguiram.

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Nas próximas linhas, relembramos dez desses episódios, em que aqueles que eram favoritos deixaram a classificação escapar. Como de praxe durante os especiais desta semana, foram desconsiderados os jogos que não valeram por mata-matas. Por isso mesmo, algumas campanhas surpreendentes, como a do Londrina em 1977 e a do Brasil de Pelotas em 1985 ficaram de fora. Confira:

Fluminense 1×1 Corinthians – 1976

Um jogo histórico para o Corinthians. Afinal, o Fluminense era o mandante do jogo único da semifinal de 1976 por ter ficado na primeira colocação de seu grupo na terceira fase. E foi no Maracanã que a torcida corintiana protagonizou a sua invasão, ocupando boa parte dos 146 mil lugares nas arquibancadas, com dezenas de milhares de pessoas atravessando a Rodovia Dutra para ver o jogo. Favorito, o Flu contava com um timaço estrelado por Rivelino e Doval. Até saiu em vantagem, mas permitiu o empate e viu a explosão alvinegra com a vitória por 4 a 1 nos pênaltis. Na decisão, o Corinthians não suportou o Inter de Falcão, que venceu por 2 a 0.

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Operário-MS 3×1 Sport – 1981

O Operário tinha mostrado algum potencial na primeira fase, ao terminar na segunda posição de seu grupo, à frente de Grêmio, Corinthians e Botafogo. Depois, ajudou a eliminar o Cruzeiro. E completou sua epopeia em 1981 ao eliminar o Sport nas oitavas de final. Depois do empate por 0 a 0 na Ilha do Retiro, os sul-mato-grossenses fizeram 3 a 1 em Campo Grande, com dois gols de Arturzinho. A surpresa seria eliminada pelo campeão Grêmio, derrotada nos dois duelos com o Tricolor.

São Paulo 0x1 Atlético Paranaense – 1983

O Atlético Paranaense contava com um de seus melhores times da história, estrelado por Washington e Assis. Porém, a afirmação nacional demorou um pouco. O time se classificou no limite nas três primeiras fases, sem chegar à liderança de seus grupos. Porém, deu um passo à frente ao surpreender o São Paulo. Déti e Washington decidiram na vitória por 2 a 1 no Couto Pereira, enquanto Assis arrancou o 1 a 0 em pleno Morumbi. Já nas semifinais, o Furacão quase aprontou para cima do Flamengo de Zico: após os 3 a 0 para os cariocas no Maracanã, os paranaenses venceram Curitiba por 2 a 0, muito festejados apesar da eliminação.

Corinthians 0x2 America-RJ – 1986

Por mais que o America tivesse muito mais relevância em outros tempos, o feito de 1986 foi enorme. Os cariocas tinham passado apenas na sexta colocação de sua chave na primeira fase, com saldo de gols negativo. Na etapa seguinte, outro desempenho longe de ser excepcional, com a quarta e última posição no grupo. Entretanto, o Mequinha surpreendeu a todos nas quartas de final. Depois de eliminarem a Portuguesa, os alvirrubros deixaram para trás o Corinthians. Renato e Luisinho deixaram 53 mil pessoas atônitas no Pacaembu com os 2 a 0 do America, tornando a vitória corintiana por 2 a 1 no Maracanã inútil. Mas o sonho de repetir o Bangu de 1985 esbarrou no São Paulo de Careca, que se impôs nas semifinais.

Bahia 2×1 Internacional – 1988

Dono de um título da Taça Brasil, o Bahia não era exatamente um dos protagonistas do futebol brasileiro durante sua campanha em 1988. Tanto que a classificação para os mata-matas só veio graças ao Vasco, que ficou entre os quatro primeiros nas duas fases iniciais do torneio e abriu uma vaga para quem tivesse somado mais pontos. Após eliminares Sport e Fluminense, o Bahia pegou o Internacional, então vice-campeão nacional, na decisão. E o célebre time de Bobô e Charles se impôs sobre os colorados. Nem Taffarel pôde evitar a derrota por 2 a 1 na Fonte Nova, com dois gols de Bobô. Já no Beira-Rio, o 0 a 0 garantiu o título do Tricolor.

Fluminense 0x1 Bragantino – 1991

O Bragantino vinha de desempenhos consistentes no início dos anos 1990. No ano anterior, logo após o acesso na Série B, os alvinegros caíram para o Bahia nas quartas de final. Já em 1991, o sonho se concretizou diante do Fluminense, nas semifinais. Franklin calou os 74 mil presentes no Maracanã ao fazer 1 a 0 para o Massa Bruta. E no Marcelo Stéfani, ele mesmo se encarregou de buscar o empate por 1 a 1, depois que Ézio abriu o placar para os visitantes. Na decisão, o Braga de Carlos Alberto Parreira perdeu para o São Paulo de Telê Santana, mas terminou de consagrar promessas como Mauro Silva e Gil Baiano.

Guarani 4×2 São Paulo – 1994

O São Paulo de Telê Santana era bicampeão do mundo e tinha perdido a chance do tri na final contra o Vélez. Então, o que restou foi sonhar com o Brasileirão. E a tentativa esbarrou contra um Guarani recheado de jovens promessas. Melhor time nas duas primeiras fases, o Bugre perdeu por 1 a 0 no Morumbi, com tento de Palhinha. Contudo, os alviverdes deram show no Brinco de Ouro ao baterem o Tricolor por 4 a 2, com Sandoval, Júlio César, Luizão e Valdeir marcando os tentos campineiros. O timaço que ainda contava com Djalminha e Amoroso acabou não resistindo ao Palmeiras da Parmalat nas semifinais.

Portuguesa 3×0 Cruzeiro – 1996

Com os olhos do presente, a Portuguesa de 1996 é uma excelente equipe. Não foi assim, todavia, durante os caminhos do Brasileirão. Os rubroverdes avançaram aos mata-matas na oitava posição da fase de classificação, graças à derrota do Internacional para o Bragantino na rodada final. E trataram de desbancar o líder Cruzeiro, campeão da Copa do Brasil e que formava sua base que conquistou a Libertadores no ano seguinte. Em baile comandado por Alex Alves e Rodrigo Fabri, a Lusa anotou 3 a 0 no Morumbi e teve folga até para perder por 1 a 0 no Mineirão. Passou ainda pelo Atlético Mineiro na semifinal, até cair para o Grêmio.

Grêmio 1×3 São Caetano – 2000

Fica até difícil de escolher qual foi o resultado mais surpreendente do São Caetano em sua campanha na Copa João Havelange. Alçado por ter ficado entre os três primeiros na segunda divisão, o Azulão teria um desafio e tanto nas oitavas de final contra o Fluminense, terceiro colocado no módulo principal. E depois do épico empate por 3 a 3 no Anacleto Campanela, o time do ABC fez história com o golaço de falta de Adhemar, que garantiu a classificação dentro do Maracanã. Na etapa seguinte, a vítima foi o Palmeiras, com direito a uma grandiosa vitória por 4 a 3 no Palestra Itália. Já nas semifinais, o São Caetano contou com mais duas atuações inesquecíveis de Adhemar para se impor contra o Grêmio. Dentro do Olímpico, o Azulão chegou a virar o jogo contra o time de Ronaldinho para carimbar a vaga na final com a vitória por 3 a 1. César, com dois gols, foi o grande nome naquela tarde.

Goiás 0x3 Paraná – 2000

O São Caetano sempre é lembrado como grande surpresa da Copa João Havelange. Mas o Paraná também merece seu papel de destaque. Melhor classificado no segundo módulo, o time cruzou com o Goiás, quarto melhor do primeiro. No primeiro encontro, prevaleceu o empate por 1 a 1 no Durival de Brito. Para os paranistas espantarem os esmeraldinos dentro do Serra Dourada com o triunfo por 3 a 0. Gil Baiano e Ronaldo Alfredo, que já tinham feito parte do Bragantino de 1991, marcaram gols. E, do outro lado, os goianos contavam entre seus protagonistas com Dill e Evair. Nas quartas, o Paraná acabou caindo para o Vasco, embora tenha vencido o confronto em Curitiba.