O inverno de 2019 foi congelante na Premier League, ao menos em relação à janela de transferências. Raros clubes investiram em reforços para a metade final da temporada. Entre os seis primeiros colocados na tabela, Gonzalo Higuaín e Denis Suárez são os únicos novatos com perspectivas de jogar. Miguel Almirón e Dominic Solanke se tornaram os raros negócios acima de €20 milhões. E mesmo clubes ameaçados pelo rebaixamento não cometeram loucuras, a exemplo do Fulham, que se limitou a três negócios com pinta de refugos – Ryan Babel, Lazar Markovic e Havard Nordtveit. Que o meio do campeonato já não seja mesmo o momento de gastanças, desta vez as diretorias foram ainda mais contidas. Se houve uma grande novidade no fechamento, ela ficou para os últimos minutos. O Crystal Palace ganha um belo acréscimo com o empréstimo Michy Batshuayi.

Até parecia que a carreira de Batshuayi deslancharia nesta temporada. Depois da excelente passagem pelo Borussia Dortmund, o centroavante se somou a um Valencia azeitado. Fato é que o time de Marcelino Toral não rendeu como o esperado e o desempenho do ataque, liderado pelo belga, foi pobríssimo no primeiro turno do Campeonato Espanhol. Em 15 partidas pela Liga, o novato anotou apenas um gol e sequer vinha sendo relacionado nos últimos jogos. Meses depois, já parecia o momento para trocar de ares. E o Crystal Palace surgiu como uma bem-vinda oportunidade de retornar à Inglaterra. Que não seja um clube de ponta, ao menos possui ambições e traz perspectivas a médio prazo para o jogador de 25 anos.

 

Durante toda a janela de inverno, o Crystal Palace trabalhou com a possibilidade de contratar Batshuayi, após ser ofertado pelo Chelsea em dezembro. O time de Roy Hodgson depende de um goleador, mas sofre com os problemas no setor. Jordan Ayew é o mais frequente na posição, mas não é exatamente um centroavante típico. Conor Wickham retorna após longo período afastado por lesões e Christian Benteke, o virtual dono da posição, também sofre com problemas físicos. Nada melhor, então, que injetar sangue novo com um jovem sedento por dar a volta por cima. A questão foi lidar com o movimentado mercado ao redor do belga.

O Tottenham era o principal interessado em Batshuayi, mas o Chelsea bloqueou a transferência ao rival direto na tabela. O Monaco também parecia forte na disputa, em negócio que naufragou. West Ham e Betis até deram um passo à frente, mas o alto salário se tornou um impeditivo. E da mesma forma os Blues tentaram vendê-lo ao Everton, sem chegar a um acordo pelo preço – em pedida de £40 milhões. Nas últimas horas do mercado, os londrinos voltaram a oferecê-lo para Crystal Palace e Fulham. Somente as Águias tinham bala na agulha para bancar o vencimentos do reforço e também £1 milhão pelo empréstimo.

Os trâmites da transferência saíram apenas nos minutos finais do fechamento da janela, deixando o anúncio para tarde da noite na Inglaterra. E, olhando para as perspectivas da Premier League, o próprio Chelsea pode se beneficiar com isso. O Crystal Palace ainda encara os três principais rivais dos Blues pela vaga na Liga dos Campeões – a saber, Arsenal, Manchester United e Tottenham. Além disso, as Águias já enfrentaram o time de Maurizio Sarri duas vezes na liga. O “agente infiltrado” pode ajudar os londrinos a melhorarem suas perspectivas na tabela, enquanto é um baita reforço para a reta final da Copa da Inglaterra, na qual o time de Roy Hodgson deu uma prova de força ao despachar o Tottenham nos 16-avos de final.

Batshuayi chega a um time no qual não precisará de muito esforço para receber passes açucarados. O sistema de criação do Crystal Palace é bom, com Wilfried Zaha, Andros Townsend e Max Meyer no apoio. Se a adaptação ao futebol espanhol não foi das melhores, a Premier League soa como uma velha casa de portas abertas ao centroavante. Terá alguns meses para recobrar o moral, quem sabe até permanecendo em Selhurst Park para auxiliar um clube que investe alto em seus jogadores.