Dez clássicos que marcaram a era do mata-mata no Brasileirão

Se existe um tipo de jogo que engrandece os mata-matas, estes são os clássicos. Mais do que a rivalidade presente em qualquer confronto, há o peso de apenas um sobreviver. Somente o vencedor terá a chance de se aproximar do título. E, por mais que as fases eliminatórias acontecessem todos os anos, os dérbis não eram tão comuns assim no Brasileirão. Fatores que tornavam ainda mais especiais os duelos, muitos deles eternizados na história do futebol nacional.

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São poucos os clássicos ocorridos ao longo do Campeonato Brasileiro que não cabem nos dedos de duas mãos. Mesmo assim, o Top 10 consegue reunir jogos eternos. Como os que botaram frente a frente Flamengo e Botafogo na final de 1992, ou a decisão entre Palmeiras e Corinthians dois anos depois. Grêmio e Inter viveram o Grenal do Século em 1988, enquanto Cruzeiro e Atlético Mineiro tiveram jogos de igual magnitude em 1999. Relembre essas partidas nos vídeos abaixo:

Botafogo x Flamengo – 1981

O Flamengo tinha Zico, Júnior, Raul e Adílio. Sim, era o time que havia sido campeão brasileiro no ano anterior e alguns meses depois conquistaria a Libertadores e o Mundial. Mas aquela tarde de abril era do Botafogo. Após um 0 a 0 no jogo de ida das quartas de final, o Alvinegro dependia apenas de um empate para se classificar às semifinais. Zico abriu o marcador, mas o craque do dia foi Mendonça, que fez dois gols nos 3 a 1.

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Fluminense x Vasco – 1984

São Paulo e Palmeiras decidiram o Brasileirão de 1973, mas era última rodada de um quadrangular. Clássico estadual numa final de Brasileiro, mata-mata, só aconteceu pela primeira vez em 1984. O Fluminense tinha uma de suas equipes mais vitoriosas, que estava no meio de um tricampeonato carioca. O time era famoso pela dupla Washington-Assis, mas Romerito, Delei, Paulo Victor e o técnico Carlos Alberto Parreira também se destacavam. O Vasco era dirigido por Edu Antunes, irmão de Zico, e tinha Roberto Dinamite e Arturzinho. O Tricolor venceu por 1 a 0 no jogo de ida, gol de Romerito. Na partida de volta, o título veio com algum sofrimento. O Flu ficou muito recuado no começo e viu o Vasco perder boas oportunidades. Depois do intervalo, o Tricolor saiu mais em contra-ataques e quase fechou a conquista com outra vitória. Mas o 0 a 0 foi suficiente.

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Internacional x Grêmio – 1988

Internacional e Grêmio se encontraram nas semifinais do Brasileirão de 1988, um jogo que foi apelidado de Gre-Nal do século. O Colorado jogava pelo empate no tempo normal e na prorrogação, mas o Tricolor tinha muita coisa a seu favor. Os gremistas não perdiam havia 12 Gre-Nais e, no primeiro tempo, tinham vantagem no marcador (gol de Marcos Vinícius) e em número de jogadores em campo (Casemiro foi expulso). No segundo tempo, o Inter se recuperou e, mesmo com dez em campo, conseguiu uma virada histórica.

São Paulo x Corinthians – 1990

Os corintianos mais novos se acostumaram a sofrer com a falta de títulos internacionais. Pois, até 1990, o mote das provocações era a falta de conquistas nacionais. Uma seca que terminou justamente em um clássico regional. O São Paulo jogava por empate na soma de resultados, mas o Corinthians venceu o jogo de ida por 1 a 0. Na partida de volta, o Tricolor pressionou no começo, mas o Alvinegro segurou seu nervosismo e, no segundo tempo, fez seu gol após uma tabela entre Fabinho e Tupãzinho.

Botafogo x Flamengo – 1992

O Botafogo tinha mostrado mais consistência durante todo o Brasileirão e chegou à final com a vantagem do empate no placar somado. Mas o Flamengo estava embalado após eliminar o Vasco em um dos quadrangulares semifinais. Aí, foi difícil segurar. No jogo de ida, Júnior, Nélio e Gaúcho deixaram o placar em 3 a 0 ainda no primeiro tempo. O Rubro-Negro segurou a vantagem e ficou com a mão no título. A partida de volta ficou mais conhecida pela queda da grade da arquibancada do Maracanã, matando três torcedores. O jogo em si foi só uma continuação da festa rubro-negra, com dois gols selando o título (o Botafogo precisava vencer por três gols de diferença). No final, o Alvinegro reagiu e empatou.

Palmeiras x Corinthians – 1994

Dois dos maiores dérbis da história entre Corinthians e Palmeiras aconteceram nas finais do Brasileirão de 1994. Os alviverdes tentavam coroar o timaço de Vanderlei Luxemburgo com o bicampeonato nacional, mas os alvinegros contavam com bom time recheado de jovens. Pesou a excelente fase vivida pelos palmeirenses naqueles anos, com sua equipe recheada de craques. Rivaldo e Edmundo decidiram a primeira partida, marcando os gols no triunfo por 3 a 1. Já no segundo encontro, um tento de Rivaldo no fim buscou o empate por 1 a 1 e deu a taça para o Palmeiras no Pacaembu.

Cruzeiro x Atlético Mineiro – 1999

O Cruzeiro era vice-campeão brasileiro e tinha feito a segunda melhor campanha na primeira fase. Entretanto, cruzou justamente com o Atlético Mineiro nas quartas de final. E o Mineirão contou com duas partidas espetaculares, que coroaram o Galo de Guilherme e Marques. Com show de sua dupla de ataque, os alvinegros venceram o primeiro jogo por 4 a 2. Repetiram a dose no reencontro, com Guilherme e Adriano buscando a virada por 3 a 2, que evitou a terceira partida. Após passarem pelo Vitória em uma verdadeira batalha nas semifinais, os atleticanos só pararam na decisão, para o Corinthians.

Corinthians x São Paulo – 1999

Aqueles dois jogos certamente estão na memória de qualquer corintiano ou são-paulino com mais de 20 anos. As duas equipes eram fortíssimas, e fizeram jogos a altura no Morumbi. No primeiro duelo, os corintianos iam garantindo a vitória com gols de Nenê, Ricardinho e Marcelinho Carioca.  Até que Dida começasse a brilhar, em uma atuação monstruosa. O goleiro alvinegro defendeu duas cobranças de pênalti de Raí, impedindo o empate do São Paulo. Com o triunfo assegurado pelo camisa 1, o Corinthians firmou seu caminho rumo ao terceiro título brasileiro após vencer por 2 a 1 a segunda partida, com tentos de Ricardinho e Edílson, e se garantir na final contra o Atlético Mineiro.

Paysandu x Remo – 2000

Pouca gente se lembra, mas a Copa João Havelange contou com um mata-mata em seu “segundo nível” antes do mata-mata principal do torneio. O módulo amarelo decidiu em eliminatórias quem seriam os seus três representantes na fase decisiva. E, após Paraná e São Caetano passarem à decisão, a última vaga foi disputada pelos eliminados nas semifinais, em um clássico regional: Remo e Paysandu se pegaram em dois jogos no Mangueirão, para resolver quem ficaria vivo. Os remistas conquistaram uma vitória emocionante no primeiro duelo, 3 a 2 no placar e três gols de Robinho. E o empate por 1 a 1 na segunda partida foi suficiente para a classificação do Remo, eliminado pelo Sport na etapa seguinte.

Santos x Corinthians – 2002

O último jogo dos mata-matas do Brasileirão é vivo na cabeça de muita gente. Afinal, tornou-se símbolo de uma geração. Depois de se classificar em oitavo para as quartas de final e surpreender o fortíssimo São Paulo, o Santos eliminou o Grêmio e ganhou o direito de decidir contra o Corinthians, então campeão da Copa do Brasil e do Rio-São Paulo. No jogo de ida, Alberto e Renato deram a vitória por 2 a 0 no Peixe. Por fim, a volta foi coroada com um jogaço. Robinho assumiu a responsabilidade de ser a estrela solitária santista na ausência de Diego. E não se escondeu, com as eternas pedaladas sobre Rogério e a contribuição para os gols. Enquanto Fábio Costa fazia milagres, Elano e Léo fecharam a vitória por 3 a 2 e deram ao Santos o seu primeiro título na fase moderna do Brasileirão.


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