Carlos Eduardo não está entre os jogadores mais lembrados no Brasil e seu nome geralmente causa confusão com outros colegas homônimos. Na Arábia Saudita, porém, o meia se tornou uma referência há cinco anos. Nascido em Ribeirão Preto, surgiu através do Desportivo Brasil e defendeu diferentes clubes na virada da década, incluindo Fluminense e Grêmio Prudente. Sua carreira só foi decolar um pouco mais em Portugal, passando pelo Estoril, antes de assinar com o Porto. Depois ainda despontaria com o Nice, onde fez uma boa temporada em 2014/15, chegando a marcar cinco gols num mesmo jogo. Foi o que abriu as portas rumo ao Al-Hilal.

Em cinco temporadas no futebol saudita, Carlos Eduardo se firmou como um dos principais jogadores do clube. A camisa 3 não indica muito seu ímpeto ofensivo, com mais de 70 gols marcados ao longo deste tempo com o Al-Hilal. O meia-ofensivo, que muitas vezes pode jogar de segundo atacante, possui qualidade nas finalizações e quase sempre registrou dois dígitos de tentos na liga. Na atual temporada, se não era tão aproveitado na Champions Asiática, virou nome absoluto na rotação que levou os azuis à liderança do Campeonato Saudita. Anotou oito gols em suas nove primeiras aparições pela competição.

Carlos Eduardo reforça uma ligação histórica: o apreço do Al-Hilal pelo futebol brasileiro. O desenvolvimento do clube a partir da adoção do profissionalismo na Arábia Saudita se deve muito aos jogadores e aos treinadores que saíram do Brasil para trabalhar em Riad. Único representante tupiniquim no atual elenco, o capitão na estreia do Mundial de Clubes valoriza esses laços. E serve de gancho para recontarmos um pouco deste passado. Abaixo, selecionamos dez nomes que deram sua contribuição à trajetória vitoriosa do Hilal. Confira:

Rivellino

O maior jogador da história do Al-Hilal, ao menos em termos de talento, é também o primeiro brasileiro a passar pelo clube em campo. Rivellino desembarcou em Riad em 1979, aos 33 anos, logo após a criação do Campeonato Saudita sob regime profissional. O craque recebeu uma proposta salarial sete vezes maior do que seus ganhos no Fluminense e resolveu fazer as malas. Nem todos os jogadores sauditas ganhavam salários naqueles tempos, mas os paparicos da realeza também estavam incluídos na conta. Riva conquistou a liga e a copa nacional, com 23 gols em 50 partidas. Aposentou-se em 1981, com a camisa do próprio clube árabe.

Zagallo

Rivellino não chegou sozinho à Arábia Saudita. Na verdade, quem levou o craque a Riad foi seu treinador na Copa de 1970, Mário Jorge Lobo Zagallo. Após uma passagem pela seleção do Kuwait, o Velho Lobo assinou com o Al-Hilal por intermédio do Xeque Fahd e assumiu a equipe em 1978, logo acertando a transferência de Rivellino. Sua passagem pelos azuis seria mais curta, mas suficiente para que o considerem o maior treinador da história da agremiação. O Velho Lobo conquistou o título do Campeonato Saudita em 1978/79, na primeira temporada a incluir jogadores estrangeiros.

Rubens Minelli

O sucessor de Zagallo no Al-Hilal teria um currículo tão respeitável quanto o do Velho Lobo. Rubens Minelli recebeu uma proposta igualmente suntuosa do clube saudita e assumiu para dar continuidade ao trabalho brasileiro nos azuis. Conquistaria a Copa do Rei local no início dos anos 1980, mais uma vez com Rivellino encabeçando a equipe. Além disso, Minelli treinaria a própria seleção saudita, sucedido por Zagallo. Já no clube, seria substituído pelo não menos mítico László Kubala.

Dé Aranha

Nome folclórico do futebol carioca, o atacante Dé foi contemporâneo de Rivellino no Al-Hilal. O malandro artilheiro deixou o Botafogo para assinar com os azuis em 1980 e ficou cerca de dois anos na Arábia Saudita. Deu tempo de conquistar uma copa nacional em 1980, numa campanha marcada pela pancadaria nas semifinais. Ficaram as anedotas de um dos maiores contadores de história do futebol. Dé retornaria ao Bangu depois disso.

Sérgio Soares

Treinador de amplo currículo pelo futebol paulista, Sérgio Soares começou a carreira como jogador no Juventus. Já no início dos anos 1990, reforçou o vínculo do Al-Hilal com os futebolistas brasileiros. Contratado pelo clube em 1992, o meio-campista escreveria uma passagem vitoriosa em seus dois anos e meio pelos azuis, com direito a dois títulos da Copa Árabe de Clubes Campeões. O camisa 5 diz que tinha dificuldades até para sair nas ruas, tamanho assédio dos fãs, e ainda hoje vídeos de seus lances povoam o YouTube. Depois, seria reserva de Flávio Conceição no célebre Palmeiras campeão paulista de 1996.

Candinho

Após a saída de Kubala, o Al-Hilal seguiu dando preferência aos treinadores brasileiros. Entre o fim dos anos 1980 e o início dos 1990, uma lista respeitável de medalhões passou pelos azuis: Valdir Espinosa, Joel Santana, Sebastião Lazaroni, Nelsinho Batista, Antônio Lopes, Oscar Bernardi, entre outros. Dentre estes, o que mais marcou seu nome por lá foi Candinho. O lendário treinador da Portuguesa de 1996 esteve à frente do Hilal em quatro oportunidades, com cinco títulos nacionais conquistados – entre liga, copa e copa da liga. O moral era tamanho que chegou a dirigir a seleção saudita em parte da campanha rumo à Copa de 1994.

Serginho

O atacante Serginho não deixou grandes lembranças no futebol brasileiro, com passagens por Corinthians, Vasco e Botafogo nos anos 1990. Entretanto, o apelido de “Serginho das Arábias” diz muito sobre o seu histórico no Oriente Médio. E o Al-Hilal deu grande contribuição a esta fama. No clube entre 1999 e 2001, ele foi herói na conquista da Copa dos Campeões da Ásia em 2000. Serginho simplesmente arrebentou na final contra o Júbilo Iwata: anotou os três tentos na vitória por 3 a 2, inclusive o gol de ouro que definiu a partida na prorrogação. Foi eleito o melhor jogador da competição e também do futebol saudita. Rodaria por outros clubes da região, mas nunca emplacou em suas tentativas de voltar ao Brasil.

Marcos Paquetá

Marcos Paquetá ganhou reconhecimento por seu trabalho na base do Flamengo e, depois, nas seleções menores. O ano de 2003 foi especial ao comandante, que faturou o Mundial Sub-20 e o Sub-17 com o Brasil. Logo depois se mudaria à Arábia Saudita, convidado para treinar o Al-Hilal. Conquistou o Campeonato Saudita e a Copa do Rei. Sua reputação chegou a tamanho reconhecimento que dirigiria a seleção saudita na Copa de 2006. Apesar da eliminação precoce, se manteria no cargo por mais alguns meses, antes de voltar ao Hilal. Havia sido o último treinador brasileiro do clube, até a contratação de Péricles Chamusca em 2019.

Camacho

O início dos anos 2000 marcou o maior fluxo de jogadores brasileiros no Al-Hilal. Entre os nomes mais tarimbados que passaram por lá estão Roni, Túlio (o volante), Leandro Ávila, Somália (o atacante) e Giovanni. Os que causaram maior impacto, porém, não são tão famosos. O atacante Edmílson, que rodou bastante em Portugal e foi ídolo na Coreia do Sul, anotou gols vitais na campanha do título saudita de 2001/02. O zagueiro Marcelo Tavares teve uma longa passagem de cinco anos pelos azuis, de 2004 a 2009. Já o meia Camacho foi quem mais emplacou. O ex-jogador do Botafogo, que auxiliou no acesso na Série B de 2003, anotou o gol que garantiu o troféu do Campeonato Saudita ao Hilal em 2004/05. Ficaria apenas duas temporadas por lá, suficientes para ser eleito melhor jogador estrangeiro no país e liderar a artilharia do time.

Thiago Neves

Em nível de importância e idolatria, Thiago Neves é quem mais se aproxima de Rivellino como maior ídolo brasileiro. Sua primeira passagem pelo clube aconteceu em 2009, após não dar certo no Hamburgo. Tornou-se a grande referência técnica da conquista do Campeonato Saudita em 2009/10 e participaria de metade da campanha no bicampeonato, antes de assinar com o Flamengo em 2011. O retorno do meia a Riad aconteceu em 2013, para mais um período expressivo. Era o protagonista da equipe que alcançou a final da Champions Asiática em 2014, mas perdeu a decisão para o Western Sydney Wanderers. Seu contemporâneo no período, o zagueiro Digão foi mais um que marcou o seu nome com a camisa azul.