Na última temporada, foi Vincent Kompany. O capitão do Manchester City liderou a melhor defesa da Premier League e, além de ter a honra de levantar a taça de campeão, acabou eleito pela organização do campeonato como o melhor jogador do torneio. E a supremacia da legião belga parece perpetuada no futebol inglês. Uma semana após o pontapé inicial, Eden Hazard e Marouane Fellaini despontam como protagonistas e elevam as perspectivas de Chelsea e Everton na competição.

Depois de três partidas, já dá para apontar Eden Hazard como sério candidato a craque do campeonato. Deixando para trás a pré-temporada irregular, o meia parece totalmente adaptado à equipe de Roberto Di Matteo e tem justificado os € 40 milhões de euros gastos em sua contratação. Sete dos oito gols do Chelsea tiveram participação direta do camisa 17, com duas bolas na rede, quatro assistências e dois pênaltis sofridos.

Atuando centralizado na trinca de meias de Di Matteo, Hazard tem liberdade suficiente para armar a equipe e também para arrancar em jogadas individuais. Não à toa, possui as melhores médias do Chelsea em passes para finalização, chutes a gol, dribles e faltas sofridas. Além disso, sua parceria com Fernando Torres tem sido letal. Sem a sombra de Didier Drogba, o espanhol parece mais à vontade no time, mantendo o futebol voluntarioso apresentado desde o final da última temporada.

Consequentemente, o rendimento do belga vai garantindo os 100% de aproveitamento aos Blues. Contra Wigan e Newcastle, os londrinos souberam aproveitar sua força para matar as partidas antes mesmo do intervalo. Já diante do Reading, apesar do sofrimento desnecessário após a falha de Petr Cech, também veio à tona o poder de reação do time.

Com Hazard voando, o Chelsea parece pronto para brigar pelo título com os rivais de Manchester. Antes do início da Premier League, restava a dúvida se os Blues manteriam a eficiência apresentada durante a Liga dos Campeões. Agora, porém, é possível dizer que o time não será um mero candidato ao Top Four. Além da comprovada qualidade na defesa e da melhoria no ataque, Di Matteo conta com um elenco forte para suportar a maratona dos próximos meses, especialmente após a chegada de César Azpilicueta e de Victor Moses – em investimento que totaliza € 97,7 milhões na atual janela.

Também com 100% de aproveitamento, o Everton parece preparado a subir de nível, repetindo o Newcastle de 2011/12 na busca por uma vaga nas competições europeias. Os Toffees mantiveram o embalo dos últimos meses, prontos para demonstrar que a posição à frente do Liverpool não foi mera obra da má fase de seus rivais. A vitória sobre o Manchester United, depois do já emocionante 4 a 4 contra os Red Devils na temporada passada, é prova mais que suficiente do potencial do time de David Moyes.

Juntamente com a adoção do 4-4-1-1, o crescimento do Everton também é explicado pelo saldo positivo no mercado de transferências. Primeiro, por garantir acréscimos valiosos ao setor ofensivo com Kevin Mirallas (por coincidência, outro belga) e Steven Naismith, além da permanência de Steven Pienaar. Depois, por segurar seus destaques antigos, em especial Leighton Baines, que vem de duas atuações estupendas.

Nesta ascensão, Marouane Fellaini também vai desempenhando um papel central. O belga faz a diferença justamente por ter se encaixado perfeitamente no novo esquema tático adotado pela equipe. Atuando entre a linha de meio-campo e Nikica Jelavic, o camisa 25 não teve problemas em sua nova função. Como meia central, Fellaini inicia o combate defensivo – é o líder do clube em total de desarmes e faltas cometidas – e, nos avanços ao ataque, consegue abrir bastantes espaços aos companheiros, bem como fortalece o jogo aéreo.

E o talento trazido da Bélgica não se limita apenas a Hazard, Fellaini ou Kompany. Vertonghen, Vermaelen, Mignolet e Dembélé aparecem entre os principais nomes de suas equipes, enquanto Lukaku e Boyata são nomes para o futuro. Se o retorno da seleção belga a uma Copa do Mundo após 12 anos ainda parece incerto, ao menos o país pode se orgulhar das estrelas que hoje fornece à Premier League.

Swansea e West Brom, as primeiras sensações

A amostra ainda é pequena. Mas, pelas impressões iniciais, é bom prestar atenção em Swansea e West Bromwich. É cedo para dizer se as duas equipes, que ficaram no meio da tabela na última temporada, conseguirão manter o ritmo até maio. Porém, não há muitas dúvidas de que poderão aprontar.

Os Swans não enfrentaram adversários de muito peso, é verdade. Porém, o futebol de toque de bola segue intacto sob as ordens de Michael Laudrup. Especialmente no terceiro tento contra o West Ham, foi possível notar a consistência da equipe, em sequência de toques que começou com o goleiro Vorm e terminou com a finalização de Danny Graham.

Os galeses parecem ter resolvido bem as vendas de Joe Allen e Gylfi Sigurdsson – e também não devem sofrer se Scott Sinclair for mesmo para o Man City, como a Sky Sports cravou. Jonathan de Guzmán e Michu se adaptaram muitíssimo bem ao mecanismo da equipe, dando ainda mais objetividade, e o mesmo deve acontecer ao recém-contratado Ki Sung-Yeong. A única interrogação fica para a defesa, que, apesar de invicta, mostrou se frágil demais no jogo aéreo contra os Hammers.

Já em The Hawthorns, o trabalho coletivo sob o comando de Roy Hodgson está mantido com Steve Clarke. Depois de atropelar o Liverpool em casa na primeira rodada, os Baggies demonstraram forças suficientes para buscar, nos minutos finais, um empate valioso contra o Tottenham em White Hart Lane.

O investimento da diretoria em reforços para o ataque mostrou resultados imediatos. Apesar de manter apenas 40,5% de posse de bola nesses dois primeiros jogos, a equipe teve boa produtividade ofensiva, com média de 15,5 finalizações. Romelu Lukaku parece com vontade de refazer seu nome na Inglaterra. Em contrapartida, o excesso de espaços dados para os adversários finalizarem ainda deixam dúvidas se os Baggies poderão se colocar em um patamar acima.

Curtas

Premier League

– Roberto Mancini continua insistindo na formação com três zagueiros para o Manchester City. O esquema pode ser um bom plano B, mas o time não ganhou muito com sua utilização contra o Liverpool. A defesa não foi segura, enquanto Milner e Kolarov também não contribuíram muito em suas investidas pelas alas. Por sorte, a defesa do Liverpool fez o favor de entregar dois presentes a Yaya Touré e Tevez para garantir o empate.

– Já pelos Reds, Brendan Rodgers continuará tendo que quebrar a cabeça para resolver seus problemas na zaga. O time até demonstrou uma evolução depois da derrota para o West Bromwich, mas não pode cometer erros tão primários como os deste domingo. Entre os pontos positivos da equipe, está a atuação de Raheem Sterling, que não sentiu o peso da responsabilidade de ser titular e teve boa atuação, especialmente no primeiro tempo.

– Os torcedores do Manchester United terão que esperar mais um mês para ver como funcionará a dupla entre Rooney e van Persie no ataque. Nas duas primeiras rodadas, os dois artilheiros tiveram pouquíssimo tempo para demonstrar o que podem fazer juntos em campo. Em geral, os Red Devils não tiveram tantos problemas para bater o Fulham. Na partida, surpreendeu a atuação de Rafael, longe de lembrar o lateral inseguro dos Jogos Olímpicos.

– O Arsenal segue em branco na Premier League. O desafio não era dos mais simples, contra o Stoke City, no Britannia Stadium. De qualquer forma, a produtividade ofensiva dos Gunners, que desta vez tiveram Olivier Giroud como referência, deixou a desejar. Foram 17 finalizações no jogo, apenas duas no alvo – ambos de Cazorla, bem neste início.

Mercado de transferências

– A última semana foi de bastante movimentação no mercado de transferências inglês. O principal personagem foi o Sunderland, que finalmente fechou com Steven Fletcher e ainda conseguiu garantir os serviços do bom Adam Johnson. Entretanto, os Black Cats tiveram que ser bastante generosos nos negócios, gastando € 27,8 milhões em ambos os jogadores.

– Outro que aproveitou os espólios do Wolverhampton foi o West Ham, levando a melhor na contratação de Matt Jarvis. O meio-campista se salvou na campanha do rebaixamento dos Wolves e chega com status de estrela aos Hammers – em negócio que custou € 9,5 milhões.

– O Manchester United procurou preencher uma das principais lacunas da equipe, com a compra de Alexander Büttner para ser reserva de Patrice Evra. Já o Tottenham finalmente confirmou a permanência de Emmanuel Adebayor, em negócio que se arrastava apenas por conta de pendências entre o atacante e o Manchester City. E os Spurs também não precisarão mais conviver com a insatisfação de Modric no elenco, com o croata confirmado no Real Madrid.

– O Liverpool terá um grande acréscimo com o empréstimo de Nuri Sahin. Se recuperar a forma dos tempos de Borussia Dortmund, tem tudo para se firmar entre os titulares e confirmar o meio de campo como esteio dos Reds.

Championship, League One e League Two

– Na Championship, o destaque inicial é o Blackpool. As Tangerines venceram as três primeiras partidas, com dez gols anotados e apenas um sofrido. Depois de bater Millwall e Leeds, a equipe goleou o Ipswich Town por 6 a 0. Thomas Ince – filho de Paul – balançou as redes duas vezes e é o artilheiro do campeonato, com quatro gols. Sheffield Wednesday, Blackburn, Nottingham Forest e Charlton também estão invictos, mas não com 100% de aproveitamento.

– Na League One, o excesso de empates deixou a situação equilibrada após três rodadas – 14 placares igualados em 36 jogos. Yeovil Town, Tranmere Rovers, Swidon Town (que ainda não sofreu gols na competição) e Stevenage dividem a liderança, todos com sete pontos. Já o Portsmouth, vivendo grave crise financeira e com elenco montado na véspera da estreia no torneio, está a apenas uma posição acima da zona de rebaixamento.

– Por fim, na League Two, Oxford United e Gillingham sustentam 100% de aproveitamento após três rodadas.