Marrocos chega à Copa Africana de Nações cotado entre os favoritos à taça. E não há como questionar a badalação ao redor dos Leões do Atlas. Caíram cedo na Copa do Mundo de 2018, mas dando muito trabalho aos oponentes, na chave mais equilibrada do Mundial. Os marroquinos também são treinados por Hervé Renard, que conhece muito bem a CAN, bicampeão continental. Além do mais, há um forte conjunto com jogadores nas principais ligas europeias, encabeçado pelo inspirado Hakim Ziyech. A força de Marrocos, porém, só rendeu uma agonizante vitória na estreia. Contra a seleção da Namíbia, de volta ao torneio após 11 anos e sem nomes famosos, os magrebinos dependeram de um gol contra aos 44 do segundo tempo para assegurar a vitória por 1 a 0. Apesar do domínio total, foi pouco para a reputação.

No papel, parecia difícil imaginar que Marrocos não sapecaria uma goleada neste domingo. Ziyech era o protagonista de uma equipe que ainda tinha Mehdi Benatia, Achraf Hakimi, Nordin Amrabat e outras estrelas. De fato, os Leões do Atlas começaram a partida colocando a Namíbia na retranca. Mas o controle do jogo não significava tantas chances claras. Os marroquinos atuavam em uma marcha mais lenta, talvez afetados pelo calor, sem acelerar na hora de definir as jogadas. Ficaram limitados a muitos chutes de longe e faltas alçadas na área, sem levar tanto perigo à meta adversária.

Durante o primeiro tempo, Marrocos teve 63% de posse de bola, mas finalizou apenas seis vezes. O time só possuía um pouco mais de agressividade pelo lado direito, com Ziyech. Mesmo assim, o craque não conseguia penetrar na área para chutar. Enquanto isso, a Namíbia chegou a arriscar algumas vezes em arremates de fora da área, sem muita efetividade. Diante de um adversário claramente inferior, os marroquinos precisavam de outra postura na volta do intervalo. O relógio jogava contra.

No segundo tempo, realmente Marrocos jogou melhor. Conseguiu finalizar bem mais, em ritmo ditado por Mbark Boussoufa. Sofiane Boufal também ajudou, saindo do banco. A Namíbia passou quase todo o tempo limitada a se defender e, quando poderia ter balançado as redes, faltaram centímetros para que um bom cruzamento fosse completado. Todavia, não era que os marroquinos estivessem desperdiçando muitas chances claras. Ainda era uma atuação abaixo do esperado. O goleiro Lloyd Kazapua não seria tão exigido assim, realizando sua defesa mais difícil em um chute prensado de Ziyech que conseguiu rebater com o pé, mesmo caído.

A persistência de Marrocos só deu resultado aos 44 do segundo tempo. E em um golpe de sorte sem tamanho. A equipe tinha uma cobrança de falta pela esquerda e Ziyech levantou a bola na área. Nenhum companheiro de equipe conseguiu concluir, mas Itamunua Keimuine (que já havia cometido a falta) teve a infelicidade de marcar o gol contra, batendo de primeira. Apesar de esboçar uma saída ao ataque, a Namíbia sequer teve tempo para reagir. Era um filme reverso, à estreia de Marrocos contra o Irã na Copa de 2018. Keimuine, que havia entrado no segundo tempo, deixou o campo aos prantos após o apito final, desconsolado pelo erro que privou o seu país do empate. Indica o tamanho do que os namibianos iam conseguindo.

Com os primeiros três pontos, Marrocos se tranquiliza para a sequência do Grupo D, no qual também aparecem Costa do Marfim e África do Sul. Ainda assim, o futebol exibido pelos Leões do Atlas foi irrisório pelo potencial que possuem. A qualidade técnica ficou evidente, mas é uma equipe que precisa ser bem mais incisiva. A Namíbia quase se transformou em zebra no Cairo. Uma pena que sua derrota tenha vindo ao custo de lágrimas.

Ficha técnica

Marrocos 1×0 Namíbia

Local: Estádio Al Salam, no Cairo
Árbitro: Louis Hakizimana (RUA)
Gol: Itamunua Keimuine, aos 44’/2T
Cartões amarelos: Itamunua Keimuine (Namíbia)
Cartões vermelhos: Nenhum

Marrocos: Yassine Bounou, Nabil Dirar, Mehdi Benatia, Roman Saïs, Achraf Hakimi; Mehdi Bourabia (Sofiane Boufal), Youssef Aït Bennasser (Karim El Ahmadi); Hakim Ziyech, Mbark Boussoufa, Nordin Amrabat; Youssef En-Nesyri (Khalid Boutaïb). Técnico: Hervé Renard.

Namíbia: Lloyd Kazapua, Larry Horaeb, Ryan Nyambe, Denzil Haoseb, Riaan Hanamub; Petrus Shitembi, Ronaldo Ketjijere, Manfred Starke (Marcel Papama), Deon Hotto (Willy Stephanus); Absalom Limbondi (Itamunua Keimuine), Peter Shalulile. Técnico: Ricardo Mannetti.