A final da Liga Europa caminhava para consagrar Lukaku como herói. O zagueiro Diego Carlos não conseguia lidar com sua força, velocidade e inteligência. Havia cometido um pênalti, que permitiu ao belga chegar a 34 gols e igualar a marca do seu ídolo Ronaldo, e uma falta que gerara o segundo da Internazionale. Mas o futebol às vezes é cruel. Não fez de Lukaku um vilão, mas o fez responsável pelo desvio na bicicleta do brasileiro que concedeu ao Sevilla o seu sexto título na competição.

Foi mera infelicidade. Lukaku esticou o pé para tentar cortar a finalização do zagueiro, que aparentemente iria para fora, mas acabou marcando contra, embora o gol tenha sido dado a Carlos. Ele deve lamentar uma chance perdida cara a cara com o goleiro Bono, naquele lance que adora, lançado em velocidade, e por não ter conquistado o título da Liga Europa em sua primeira temporada pela Inter – como fez o seu ídolo Ronaldo em 1997/98.

Mas igualou o recorde do brasileiro de 34 gols em seu ano de estreia, sendo especialmente importante na Liga Europa. Marcou em todos os seis jogos da caminhada. Nos dois duelos contra o Ludogorets e nas quatro partidas realizadas na fase final sediada na Alemanha, por conta da pandemia, contra Getafe, Bayer Leverkusen, Shakhtar Donetsk (duas vezes) e nesta sexta-feira diante do Sevilla.

Com 23 gols pela Serie A, o balanço foi muito positivo e ratifica a sua escolha de sair do Manchester United, no qual era contestado e criticado demais por não ter conseguido corresponder ao que havia sido pago pelos seus serviços, em um momento particularmente bagunçado do clube inglês, que colocou em xeque se ele era mesmo um dos melhores atacantes do mundo.

A resposta foi enfática. A Internazionale estabeleceu uma ideia clara de como quer chegar ao próximo patamar do futebol europeu ao contratar Antonio Conte, que soube usar muito bem as características de Lukaku. Um estilo mais direto que usa sua velocidade e capacidade de sobrepor fisicamente os zagueiros, em uma parceria muito afiada com Lautaro Martínez.

Apreciado pelo seu clube, encaixado em um sistema que potencializa seu futebol, Lukaku restaurou seu status de atacante de elite e foi essencial para que a Inter chegasse tão longe na Liga Europa. Pena que o acaso tenha impedido um final de cinema para uma temporada de reafirmação para o belga, mas, em que pese as incertezas sobre o futuro, com as declarações apocalípticas de Conte após a derrota para o Sevilla, qualquer eventual novo projeto também precisa considerá-lo uma das peças centrais.

.