Destempero de Leonardo deixa PSG sem saída

Suspensão de nove meses imposta ao diretor de futebol obriga clube a acelerar busca por técnico e até cogitar manutenção de Ancelotti

Leonardo deixou o Paris Saint-Germain em maus lençóis. A suspensão de nove meses imposta ao diretor de futebol força o clube a buscar uma saída urgente para encontrar o substituto de Carlo Ancelotti. O brasileiro era um nome forte para assumir o cargo de treinador da equipe, para dar tempo à diretoria de conversar com calma com os pretendentes, mas agora terá que acelerar o ritmo das negociações, o que deve atrapalhar bastante este processo de escolha.

Ao empurrar o árbitro Alexandre Castro, Leonardo provocaria uma confusão bem maior do que o bate-boca gerado ali, logo após o empate com o Valenciennes. O destempero do brasileiro atingiria mais tarde até o Real Madrid. O clube espanhol manifestou seu interesse em contratar Ancelotti como sucessor de José Mourinho. O italiano tem o perfil desejado pelos Merengues: muito menos ácido do que o português, mas igualmente competente para dirigir um grupo repleto de vaidades e egos inflamados.

O contrato de Ancelotti com o PSG previa a renovação automática caso o clube terminasse no pódio da Ligue 1. a cláusula se tornou um empecilho a partir do momento no qual o treinador deixou clara sua intenção de ir embora. O Real Madrid não está disposto a pagar de novo uma indenização para tirar um técnico de uma equipe, escaldado pelos altos gastos em experiências anteriores. Era só a ponta do problema.

Nasser Al-Khelaïfi ficou decepcionado com a posição de Ancelotti, mas partiu para o mercado em busca de um substituto. O presidente do PSG ouviu Arsène Wenger, que bateu no peito para reforçar sua fama de cumpridor de contratos. Seu vínculo com o Arsenal só termina em junho de 2014. Rafa Benítez também estava na mira, mas as conversas não estavam fáceis. Logo, Leonardo vinha como um nome ideal para esperar Wenger.

Seria a decisão mais sensata não fosse a bobagem feita pelo brasileiro. Um assopro provocou um tornado dentro do clube. Mesmo que a punição seja revista (o PSG apelou à Ligue de Football Professionel), o caso será analisado quase no fim do mês. Ou seja: todo o planejamento da pré-temporada fica comprometido se o clube esperar pelo brasileiro. Quando olhou novamente para o mercado, Al-Khelaïfi viu Benítez fechado com o Napoli e Mourinho de volta ao Chelsea. Treinadores top e que estejam à disposição são artigo muito raro neste momento e, por isso mesmo, bem disputado e caro.

Não dá para o PSG esperar para saber qual será o futuro de Leonardo, nem mesmo depender que ele aceite comandar o time por walkie-talkie das arquibancadas enquanto durar sua suspensão. A solução emergencial seria convencer Ancelotti a mudar de ideia e continuar por mais uma temporada no clube. A hipótese, porém, nasce com alta probabilidade de ser um tiro no pé.

Ancelotti está com a cabeça cheia por conta da volatilidade da diretoria do PSG. O treinador não engoliu até agora a forma como foi tratado no fim do ano passado, quando o time passava por fase ruim e estava fora do pódio na Ligue 1. Impaciente, Al-Khelaïfi queria agir por impulso e mandar o italiano passear, mas o tempo mostrou que o trabalho de Ancelotti seguia pelo caminho correto. A taça do Francês foi para o Parc des Princes, mas há tempos o técnico não se sente à vontade ali dentro.

Caso mude completamente de ideia e resolva ficar, Ancelotti terá dado muitos passos para trás. Ele perde força no trato com a diretoria, cria uma imagem de cordeirinho péssima para sua carreira e, pior de tudo, ficará em um clube contra sua vontade. Sem margem para barganha, erros ou voz ativa para comandar o barco, o italiano apenas se desgastaria com mais facilidade. O tempo corre e o PSG está cada vez mais enrolado para se preparar para uma temporada decisiva. Toda a evolução apresentada pelo time até agora está ameaçada caso a escolha de seu novo treinador continue neste lenga-lenga, catalisado pela atitude intempestiva de Leonardo.

Reforma no Lille

Ainda tentando engolir o fato de não se classificar para uma competição europeia na próxima temporada, o Lille se prepara para grandes mudanças. Com a despedida de vários de seus principais jogadores, o treinador Rudi Garcia viu o projeto do clube ser nivelado por baixo. Desgastado pela queda de rendimento da equipe na reta decisiva da Ligue 1, ele também achou melhor pedir o boné e já está a caminho da porta de saída.

Chedjou, Kalou, Digne e Payet manifestaram seu desejo de deixar o clube e não devem ter dificuldades para ver seus pedidos atendidos. Um problema para a direção do LOSC, que ainda não sabe muito bem como lidar com estas perdas e está em um dilema com Garcia. O treinador tem um ano de contrato com os Dogues e o clube tenta achar uma solução para não pagar muito pela rescisão de contrato – estima-se algo em torno de € 1 milhão.

Garcia sonha em impulsionar seu currículo e assumir o comando de uma equipe do exterior. Com origem espanhola, o técnico acredita em boas chances de assumir um clube por lá. A Real Sociedad se desenha como um destino possível. O clube basco se classificou para a Liga dos Campeões, desafio com o qual o treinador sempre sonhou, e teve uma boa experiência com um comandante francês – Philippe Montanier, que acertou com o Rennes.

Enquanto Garcia define seus próximos passos, o Lille também se prepara para os novos tempos. O primeiro nome que surge com força é o de René Girard, de saída do Montpellier. O treinador, porém, está empenhado nas aulas de inglês e deseja comandar uma equipe da Premier League. O treinador até faz planos de quem gostaria de levar para lá. Ou seja: é melhor o Lille se apressar caso queira mesmo contar com ele.

Outras opções para ocupar o cargo seriam Antoine Kombouaré (de personalidade forte e estilo disciplinador, que combinam com um time em processo de formação), ou Lucien Favre, do Borussia Mönchengladbach e cotado no Olympique de Marselha há cerca de um ano. De qualquer forma, o LOSC se prepara para viver uma pré-temporada das mais agitadas dos últimos anos.