Nicolò Zaniolo pode ser hoje um dos melhores jogadores de um clube italiano tradicional como a Roma, mas sua trajetória até aqui não foi sempre tão suave – e poderia mesmo ter acabado antes de começar. Em entrevista ao Dazn, o garoto giallorosso revelou que sua dispensa das categorias de base da Fiorentina, em 2016, quase o fez desistir do esporte.

Depois de passar seus dois primeiros no futebol na base do Genoa, Zaniolo permaneceu seis anos na Fiorentina, entre 2010 e 2016, até ser dispensado pela Viola. Aquele foi o pior momento do percurso do italiano nos gramados. “Nunca fui considerado alguém destinado a dar certo, especialmente nas categorias de base. Sempre fui bem pequeno fisicamente e me desenvolvi mais tarde que os outros garotos. Então, quando a Fiorentina me disse que eu não poderia mais permanecer lá, eu segurei meu entusiasmo pelo futebol”, relembrou o meia.

De Florença, Zaniolo foi para o Virtus Entella, da Serie B, e lá encontrou pessoas que acreditavam em seu futebol. Foi esta passagem rápida, de apenas uma temporada, que salvou sua carreira.

“Lembro de estar em uma cafeteria com meu pai, chorando, dizendo a ele que, se eu não conseguisse tempo de jogo lá, eu realmente precisaria mudar de esporte ou ao menos tentar achar uma profissão diferente”, revelou.

Zaniolo conta que duvidou seriamente de sua capacidade de virar um jogador profissional. O conselho de seu pai foi: cabeça baixa e trabalho duro e constante para evitar arrependimentos. “Fiz isso e, a partir dali, nunca parei de jogar.”

Do Virtus Entella, em que fez sua estreia como profissional na segunda divisão aos 17 anos e oito meses, em março de 2017, Zaniolo se transferiu para as categorias de base da Internazionale, onde ficou por apenas uma temporada antes de ser negociado com a Roma como parte da transferência de Nainggolan para a Inter. A verdadeira ascensão, então, começou.

Logo em setembro de 2018, teve o privilégio de ser titular pela Roma em um jogo de Champions League contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu. “Passei o dia inteiro olhando para o teto, incrédulo, me sentia paralisado. Só havia estado no Santiago Bernabéu em um tour.”

As boas novas não pararam por aí. Antes mesmo de estrear na Serie A, foi convocado por Roberto Mancini para a seleção italiana principal, também em setembro de 2018, outra surpresa emocionante ao garoto.

“Eu estava jantando com amigos, comendo pizza, quando vi meu nome na lista e pensei imediatamente que devia ter havido algum erro. A notícia era a mesma em todos os cantos, então eu comecei a esperar que fosse verdade”, recorda.

“Uma ligação do técnico confirmou que eu teria que estar no CT de Coverciano dois dias depois, então eu caí no choro. Liguei para meus pais, eles começaram a chorar também. Não consegui dormir nos dois dias seguintes. Quando cheguei em Coverciano, eu parecia uma criança em um parque de diversões. Ainda não consigo entender exatamente o que está acontecendo, mas talvez este seja o segredo para o meu sucesso: que eu siga em frente normalmente e tente curtir meu futebol.”

Os reveses tão cedo na carreira ajudaram a forjar um jogador resiliente e forte diante da opinião pública – e, por fim, confiante.

“Eu tive mais decepções do que alegrias em minha carreira até agora, o que provavelmente me ajuda a lidar com as críticas. Elas me fortalecem.”