Georginio Wijnaldum não foi uma contratação badalada do Liverpool. Chegou meio de repente, no começo da segunda temporada de Jürgen Klopp, depois de uma boa campanha pelo Newcastle. Nunca passou de um coadjuvante, uma opção a mais ao meio-campo, até despontar com atuações melhores nos últimos meses. Mesmo assim, não estaria em campo tão cedo em Anfield, na vitória por 4 a 0 sobre o Barcelona que colocou o Liverpool na final da Champions League, se não fosse a lesão de Andrew Robertson no primeiro tempo. Wijnaldum entrou no intervalo.

No jogo de ida, Wijnaldum foi o pulo do gato de Jürgen Klopp, que precisava substituir Roberto Firmino. Como o brasileiro não atua como o centroavante clássico, muito mais um meia goleador que recua para abrir espaços e armar o jogo, a opção do técnico por um articulador no comando do ataque fazia certo sentido. Não deu certo, porém. Wijnaldum mal participou das ações ofensivas e faltou alguém que convertesse a pressão dos ingleses em gols.

Ainda sem Firmino, e sem Salah, Klopp foi mais conservador para o jogo de volta. Shaqiri entrou aberto pela direita, com Origi pelo centro. Quando Robertson machucou, Wijnaldum entrou em campo, posicionou-se pelo meio, deslocando Milner para a lateral esquerda. Mas não jogou de meia. Jogou de predestinado.

Àquela altura, o jogo estava 1 a 0 para o Liverpool, que atuava bem, criava chances, mas também sofria na defesa e precisou de Alisson para não ver as suas já escassas esperanças desaparecerem de vez. Os gols precisavam sair logo para colocar pressão no Barcelona, deixá-lo desnorteado. E eis que Wijnaldum, enfim, apareceu como o centroavante que havia tentado ser no jogo de ida. Entrou duas vezes na área. E foi letal.

Primeiro, contou com o excepcional trabalho de Alexander-Arnold pela direita. Fora do jogo do Camp Nou, bateu a carteira de Jordi Alba e cruzou rasteiro. Contou com um leve desvio que direcionou a bola para a marca do pênalti. Wijnaldum chegou batendo com tanta força que Ter Stegen ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar que ela entrasse.

Dois minutos depois, Milner, que também estava naquela posição naquele momento somente porque Robertson havia sentido dores, rolou para Shaqiri, que havia errado tudo que tentara até aquele momento. O cruzamento, porém, foi perfeito. Wijnaldum estava bem posicionado, novamente na marca do pênalti, nas costas do zagueiro. Cabeceou com precisão, no ângulo.

Os dois gols tiveram o efeito esperado. Deixaram o Barcelona nas cordas. Um lance de inteligência de Arnold, em uma cobrança rápida de escanteio para Origi, gerou a classificação milagrosa do Liverpool à segunda final seguida de Champions League. E Wijnaldum colocou seu nome na história do clube, talvez não como um dos seus melhores meias, mas como o homem que estava no lugar certo na hora certa, e isso não é pouca coisa.

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