Perder na altitude de Cochabamba – longe de ser uma das maiores da Bolívia – não é um resultado imperdoável. O Jorge Wilstermann ganhou todos seus jogos em casa nesta Libertadores. Isolada, a derrota por 3 a 2, a primeira neste campeonato sul-americano, não preocuparia, mas inserida no contexto da fase de grupos do Palmeiras pinta o sinal de um amarelo vívido. O atual campeão brasileiro deve se classificar para as oitavas de final. Não corre muito risco. Mas está devendo futebol nesta temporada.

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Outra vez, o Palmeiras não fez um bom primeiro tempo e saiu perdendo por 2 a 0. Conseguiu descontar antes do intervalo, mas Prass cometeu pênalti e, desta vez, o épico não veio. Uma hora não viria, e o único ponto positivo para os alviverdes é que não veio em um jogo relativamente sem importância, que teoricamente não prejudica nem a classificação, nem a primeira colocação, e impede os jogadores de pensarem que sempre conseguirão viradas improváveis. Basta ganhar do Atlético Tucumán, no Allianz Parque, para chegar às oitavas de final como líder da chave.

O futebol, porém, não empolga. Mais do que isso, preocupa. Um tempo como os primeiros contra o Peñarol, a Ponte Preta ou o Jorge Wilstermann na fase mata-mata pode cobrar um preço muito alto. E Eduardo Baptista parece um pouco perdido. Contra os uruguaios, tentou um pouco treinado esquema com três zagueiro. Não deu certo. Colocou Borja no banco e Willian de centroavante, ignorando que suas melhores partidas foram atuando pelos lados, junto com o colombiano. Na hora de inserir o artilheiro do Atlético Nacional na partida, tirou o atacante em melhor fase do elenco, depois de 45 minutos apagados.

Até mesmo a defesa, que vinha sendo o setor mais sólido da equipe de Baptista, mostra sinais de deterioração. O Palmeiras poderia ter aberto o placar, em uma bonita jogada de Róger Guedes pela esquerda – que, na sequência, marcou de voleio, em posição de impedimento – ou em uma tentativa ambiciosa de Guerra do meio-campo. Não abriu. E, quando Vitor Hugo errou o tempo de bola em um lançamento à área, Morales fez 1 a 0. Cinco minutos depois, Machado invadiu o campo do adversário quase assobiando, sem nenhum palmeirense pressioná-lo, e acertou um chutaço no ângulo de Prass.

Guerra descontou, em jogada de bola parada, no final do primeiro tempo, e o torcedor preparou a pipoca para assistir à quarta vitória heroica na Libertadores. Mas, desta vez, os roteiristas prepararam outro tipo de história. Diferente dos jogos contra o Peñarol, o Palmeiras não voltou bem do intervalo e buscou o empate mais no abafa do que em jogadas trabalhadas. Aos 24 minutos, Prass cometeu pênalti, em vacilo de Jean, e Cardozo ampliou. Houve um resquício de esperança graças a um gol contra de Cabezas – maravilhosamente, de cabeça -, mas os visitante seguiram no bumba meu boi, sem conseguir manter a bola no pé por muito tempo.

A ausência de Felipe Melo pesou, e o Palmeiras esticou mais a bola na saída com os zagueiros do que o habitual. Mas longe de, sozinha, ser justificativa para um jogo tão ruim. A evolução de um time que parecia estar se encaixando na reta final da primeira fase do Campeonato Paulista estagnou. E até regrediu. Dá sinais de que foi mais em função da fragilidade dos adversários do que de desenvolvimento próprio. Nos jogos grandes, o único que se destaca foi a vitória contra o São Paulo, além de bons momentos esparsos, como o segundo tempo diante do Peñarol, no Uruguai. Por outro lado, houve a pesada derrota para a Ponte, para o Corinthians e primeiros períodos muito ruins na Libertadores.

Eduardo Baptista tem onze dias até o próximo jogo, a estreia do Brasileirão contra o Vasco, para arrumar a casa, antes de uma maratona, sem respiros, que envolve partidas pela liga nacional, o confronto com o Internacional pela Copa do Brasil e a definição do grupo da Libertadores. E tem muito trabalho pela frente.