Logo após o apito final no Parc des Princes, Neymar desabou no gramado. E não tinha como as câmeras focalizarem outro personagem. O camisa 10 parecia chorar, consolado pelos companheiros, num misto de alívio e desabafo. Enfim, o Paris Saint-Germain voltou a vencer um mata-mata na Champions League, após três quedas consecutivas nas oitavas de final. O brasileiro teve participação decisiva no confronto com o Borussia Dortmund. Após o gol na Alemanha, que garantiu a sobrevida aos parisienses, também abriu o placar na volta. Permitiu a classificação de sua equipe, com os 2 a 0 no marcador.

O PSG não protagonizou uma atuação tão impressionante nesta quarta-feira de Champions. A equipe de Thomas Tuchel se valeu do bom primeiro tempo, em que pressionou o Dortmund e conseguiu anotar os dois gols necessários. Neymar, se não viveu uma noite tão espetacular assim, conseguiu decidir a favor dos franceses e ainda se livrar de seus fantasmas. Apesar de uma queda feia logo nos primeiros minutos, em que se temeu uma lesão do brasileiro, ele voltou a campo para liderar sua equipe.

Neymar movimentou-se bem e chamou a responsabilidade nos 45 minutos iniciais. Era um dos mais ativos na equipe, partindo do centro para a esquerda. E acabaria apresentando sua estrela. Afinal, o gol que anotou não costuma ser comum. De peixinho, o atacante aproveitou o espaço dentro da área e conseguiu balançar as redes após a cobrança de escanteio efetuada por Ángel Di María. Leve, até provocou Erling Braut Haaland na comemoração, ao imitar a “posição zen” do norueguês. Foi o cara que resolve, como se espera.

A partir do primeiro gol, Neymar deu um pouco mais de tranquilidade à equipe. O PSG passava a se classificar graças ao tento do brasileiro fora de casa. Depois disso, o craque ainda chamou a marcação e participou da preparação da jogada que culminou no segundo gol, de Juan Bernat. Com a vantagem estabelecida, o time francês realizou uma partida bastante disciplinada para não deixar a classificação escapar.

Durante o segundo tempo, a presença de Neymar não seria tão efetiva. O camisa 10 serviu mais como uma válvula de escape ao PSG, que tentava se safar do abafa imposto pelo Dortmund. No entanto, os parisienses não conseguiriam encaixar tanto os seus contra-ataques. O astro, ainda assim, se esforçou bastante e participou até mesmo dos combates, ante o bloqueio defensivo realizado pela equipe de Thomas Tuchel.

Já no final, Neymar tornou a reação do Dortmund um pouco mais difícil, em uma de suas raras escapadas ao ataque. Se não conseguiu fazer Roman Bürki trabalhar, o camisa 10 sofreu uma falta de Emre Can e botou o adversário na pilha, em lance que rendeu o cartão vermelho ao marcador. A reviravolta dos alemães, que já parecia complicada neste instante, se tornou impossível. Ao apito final, Neymar poderia extravasar, como bem seu viu no gramado.

A postura de Neymar depois da partida em Dortmund, ao criticar a comissão técnica do PSG publicamente, foi bastante questionável. O atacante criou um clima desfavorável naquele momento e pareceu querer se eximir de qualquer culpa, em uma atuação na qual seu time caiu de rendimento – embora ele tenha jogado bem. As duas semanas de pausa desde então, ao menos, serviram para que a poeira baixasse e os parisienses se centrassem em seu objetivo. Taticamente, a equipe funcionou muito melhor. O craque, então, ofereceu uma pitada de seu poder de decisão.

Neymar se ausentou nas duas últimas eliminações do PSG na Liga dos Campeões. Jogou os 90 minutos contra o Real Madrid no Bernabéu em 2018, mas perdeu a volta em Paris por conta da fratura no metatarso. Já na temporada passada, a lesão no pé o impediu de encarar o Manchester United em ambos os jogos. Os parisienses o contrataram para ser decisivo e conduzir o time em grandes campanhas. Enfim, assim aconteceu nestas oitavas de final. É apenas um primeiro passo, mas com sua representatividade ao grande objetivo do clube. A ansiedade de romper o jejum já passou. Agora, virão desafios maiores para testar esse protagonismo.