Foram diversas as vezes em que, mesmo sem jogar bem, o Manchester United garantiu os três pontos por causa de jogadas isoladas de algumas de suas estrelas de ataque. Desta vez, no entanto, não houve Van Persie, Di María ou Wayne Rooney que ofuscasse a inócua atuação coletiva que tem marcado o time de Louis van Gaal nesta temporada. No Upton Park, o clube de Manchester teve que ir buscar um gol nos acréscimos do segundo tempo para arrancar o empate por 1 a 1 com o West Ham. Um resultado que faz o time do holandês sair no lucro, mas que não evita os questionamentos sobre seu trabalho.

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Dá para contar nos dedos de uma só mão as partidas em que o Manchester United venceu de forma convincente seu adversário. Queens Park Rangers, no início do campeonato, Newcastle e Liverpool foram uns dos poucos que tiveram pela frente os Red Devils em sua melhor forma. Grande parte dos triunfos restantes seguiram a mesma história: com tantas estrelas no ataque, eventualmente uma delas decidia um duelo. Quando isso não acontece, os problemas não resolvidos por Van Gaal ficam bastante expostos, como neste domingo.

O holandês é muito convicto em suas decisões e na tal da “filosofia” que quer implantar no Old Trafford. Por mais que isso mostre auto-confiança, é também um sinal alarmante de sua teimosia. O maior exemplo disso é o meio de campo do United. Com exceção de Blind, que tem sido constante como meia defensivo e homem da saída de bola – além de ter sido o autor do gol do empate de hoje -, ninguém parece bem escalado no setor. Há pouca criatividade, e a insistência de Van Gaal em posicionar Rooney por ali, enquanto deixa o talentoso Ander Herrera no banco, tem sido prejudicial para o trabalho de armação de jogadas do time.

Não foram poucas as oportunidades em que o espanhol mostrou ser merecedor de uma vaga no time titular. Se no início da temporada o que o prejudicou fora sua forma física e as repetidas lesões, agora, 100%, parece estupidez desperdiçar o talento do jogador, que custou mais de R$ 91 milhões. Mata é outro que, em uma partida como a deste domingo, não poderia ter passado os 90 minutos ao lado do “professor”, apenas assistindo.

Van Gaal tem importante parcela de culpa na demora do time para engrenar, sobretudo com tantas estrelas. No entanto, essas próprias estrelas não podem ficar isentas de críticas. Falcao García, por exemplo, parece cada vez mais distante do que foi nos últimos anos. Independentemente do fraco trabalho criativo do time, o colombiano coleciona, semana após semana, uma série de má decisões e chances claras de gol desperdiçadas. Di María, após início bom, ainda não conseguiu recuperar o nível que apresentava antes de sua primeira lesão em Old Trafford. Rooney poderia ser mais participativo, enquanto Van Persie… Bom, a verdade é que Van Persie, de todos esses, é o único que apresenta melhora em relação ao começo de temporada.

Seja lá qual for o plano de Van Gaal, esta parece a hora de o holandês se apegar ao básico: colocar em campo os atletas que têm maior capacidade técnica, sem invencionices em seu posicionamento. Apenas a introdução de Herrera no time titular e aproximação de Rooney do gol adversário já garantiriam, em teoria, a melhora ofensiva que tem feito tanta falta nos últimos jogos. A escalação ruim leva a uma atuação fraca, que abate a confiança dos principais jogadores, o que leva a atuações decepcionantes e à impressão de que a reviravolta ainda está longe. Esse ciclo precisa ser interrompido logo se o United quiser evitar a queda na tabela e o distanciamento da briga pela Champions League, tão importante para financiar os planos ambiciosos – e caros – desta nova fase do clube.