A Chapecoense das noites mágicas na Copa Sul-Americana, desta vez, sentiu na pele o que é estar do outro lado da história. A Arena Condá não foi o portal ao paraíso dos catarinenses, mas sim ficará gravada na memória dos torcedores da Unión La Calera. Debutantes em competições continentais, os chilenos visitaram o palco emblemático da Sula. Depois do empate por 0 a 0 em casa, precisavam de gols. Conseguiram marcá-lo no primeiro tempo, mesmo pressionados pelo Verdão do Oeste. E o duelo seria ainda mais hostil na segunda etapa: não apenas a Chape empatou, como também os cementeros jogavam com apenas 10 homens. Seguraram o bombardeio, graças ao goleiro Augusto Batalla, e ainda deram a sorte quando, no último lance, os anfitriões desperdiçaram um lance cabal com a meta escancarada. O empate por 1 a 1 valeu a memória aos rojos, com direito a invasão de campo e muita festa de sua torcida nas arquibancadas.

Muito mais tarimbada internacionalmente, a Chapecoense começou o jogo martelando. Pressionava e tentava resolver o quanto antes. O problema era lidar com alguns jogadores experientes da Unión La Calera, sobretudo os argentinos. O time treinado pelo jovem Francisco Meneghini possui um bom número de atletas que disputaram edições dos torneios continentais anteriormente. E eles chamavam a responsabilidade. Batalla não deixou saudades no River Plate, mas teve sua relevância no clube e também marcou seu nome com o Atlético Tucumán. Pois aos cementeros, ele foi herói, acumulando defesas sensacionais. Já na frente, quem resolveu foi Walter Bou. O ex-atacante de Boca Juniors e Vitória abriu o placar aos 20 minutos, aproveitando na pequena área o passe de Jonathan Andía. Com o tento dos visitantes, só a virada interessava à Chape.

Na sequência do primeiro tempo, a Chapecoense ficou em cima. Tinha dificuldades para criar os lances, abusando das bolas levantadas, mas o jogo era seu. E a situação pareceu clarear aos 41, quando Erik Figueroa foi expulso. O empate só não saiu antes do intervalo porque Batalla operou seus milagres. Logo aos cinco minutos da etapa complementar, ao menos, o Verdão anotou seu gol. Everaldo vinha chamando a responsabilidade e apareceu para estufar as redes. Bruno Pacheco cruzou e, depois do corta-luz de Yann, o atacante bateu de primeira. Faltava mais um tento para os catarinenses avançarem e eles seguiram buscando.

Só que a pressa não se transformava em precisão à Chape. Os anfitriões seguiam travados pela Unión La Calera e, mesmo quando dava bobeira, Batalla conseguia se recuperar. O caminhar do relógio era o que tirava o ar dos catarinenses, desesperados por uma bola vadia, enquanto os chilenos estavam dispostos a gastar os ponteiros. Até que o desespero batesse de vez nos cinco minutos de acréscimos. Os cruzamentos continuavam atravessando o espaço aéreo da área cementera, a esmo. Por fim, no último lance de ataque, a bola veio limpa. Batalla tentava fechar o ângulo, mas não tinha tempo hábil. E, mesmo com o gol enorme à sua frente, atrapalhado pelo companheiro, Everaldo mandou para fora. O que, em outros tempos, poderia ser mais um dos motivos místicos nas epopeias dos alviverdes pelo continente, desta vez ganha uma narrativa diferente aos rojos.

O apito final desencadeou uma enorme comemoração da Unión La Calera. Os reservas invadiram o campo e festejaram demais com os jogadores. Enquanto isso, a presente torcida chilena cantava mais forte, depois do apoio incondicional por 90 minutos. A um time que passou seis meses sem conquistar uma vitória oficial, a classificação continental proporciona uma sensação inenarrável. Resta à Chapecoense reconhecer o outro lado. Os anfitriões foram superiores e também tiveram um empurrão impressionante de sua torcida. Mas há dias em que a bola não entra e é necessário respeitar o épico do outro lado. A Arena Condá certamente chancela a grande história dos cementeros.