O Liverpool foi amplamente superior ao Manchester United, mas desperdiçou uma série de chances e flertou com o perigo no segundo tempo, no qual o adversário melhorou muito em relação à atuação apática na etapa inicial. Quando o líder estava mais pressionado, porém, o goleiro Alisson deu uma assistência para Salah entrar na área e definir a vitória por 2 a 0, em Anfield, a 21ª em 22 rodadas da Premier League para o time de Jürgen Klopp.

Os Reds caminham para encerrar o jejum de 30 anos sem títulos ingleses e parecem muito propensos a fazer isso em grande estilo. Apesar da vantagem que agora é de 16 pontos para o segundo colocado, com um jogo a disputar, não tiram o pé do acelerador, não relaxam e não se contentam com menos do que os três pontos.

E se é para ser em grande estilo, precisaria haver uma vitória contra o Manchester United, o único time que conseguiu tirar pontos do Liverpool neste Campeonato Inglês e adversário que tem sido um dos mais difíceis de ser batido desde que Jürgen Klopp assumiu as rédeas em Anfield. Apesar de os clubes estarem em momentos muito diferentes, a única vitória mais confortável foi o 3 a 1, com dois gols de Shaqiri, em dezembro de 2018.

Pelo que jogou, especialmente no primeiro tempo, o Liverpool deveria ter alcançado mais uma, mas pecou demais nas finalizações e permitiu que o Manchester United acreditasse que era possível sair de Anfield com alguma coisa.

A partida começou travada, com muitos erros nos dois lados, o que pode ser exemplificado pelo bom contra-ataque que Mané puxou, mas, na hora de soltar a bola, o senegalês abriu na esquerda, onde não havia ninguém.

Aos 14 minutos, dois pontos fortes do Liverpool funcionaram ao mesmo tempo para abrir o placar: a bola parada de Trent Alexander-Arnold e a força de Van Dijk no jogo aéreo. O jovem lateral direito cobrou escanteio, e o zagueiro subiu para cabecear com firmeza.

Logo em seguida, Arnold cobrou falta pela direita, e Van Dijk, dividindo com Maguire, não conseguiu fazer contato direito com a bola. Aos 23 minutos, Mané recebeu dentro da área, mas a deixou escapar. Mesmo assim, sairia na cara de De Gea, não fosse o corte providencial de Luke Shaw, escalado como um dos três zagueiros por Solskajer.

Roberto Firmino marcou um golaço, com um chute colocado no canto de De Gea, dois minutos depois, mas o lance foi anulado graças ao que o árbitro considerou – com razão – uma falta de Van Dijk em De Gea, em uma dividida pelo alto. O assistente de vídeo ajudou Craig Pawson a tomar a decisão.

Se os laterais do Liverpool têm sido elogiados pela capacidade de virar o jogo com qualidade, Van Dijk decidiu mostrar que também é capaz e cortou o campo com um passe em diagonal para achar Salah na ponta direita. O cruzamento rasteiro chegou a Firmino, mas a bola ficou um pouco para trás do atacante brasileiro, que não conseguiu direcioná-la ao gol.

Aos 35, Firmino tocou de calcanhar para Oxlade-Chamberlain, que achou Wijnaldum dentro da área com um lindo passe. O holandês tocou na saída de De Gea para também fazer um belo gol, mas estava em posição de impedimento.

Sentindo falta de lances do Manchester United? É porque não houve nenhum. Não é nem que àquela altura os visitantes jogavam mal: eles não haviam feito nada além de perseguir o Liverpool, sinal preocupante para um clube que busca voltar a ter a relevância do passado no cenário inglês e europeu.

Parece que por volta dos 39 minutos eles perceberam que havia um jogo em andamento, e Martial deu o primeiro chute a gol do Manchester United na partida. Recebeu de Fred pela esquerda e tentou bater colocado.

Dois minutos depois, Martial achou Wan-Bissaka pela direita da grande área. O lateral tocou de primeira para a outra trave, onde Andreas Pereira se jogou para tentar fazer o gol, mas conseguiu tocar a bola apenas com o bico da chuteira. De fora da área, Pereira testou Alisson, que encaixou sem problemas.

Logo em seguida, foi a vez de De Gea fazer a defesa, uma muito melhor, depois de Salah tabelar com Firmino e achar Mané livre. O senegalês entrou na área e chutou de canhota. De Gea interveio com a perna direita.

Não se sabe como ainda, mas Salah conseguiu perder uma chance absolutamente clara de ampliar no começo do segundo tempo. Mané soltou com Robertson, que cruzou rasteiro da esquerda. Shaw caiu e permitiu que Salah ficasse livre, na cara do gol, a poucos metros. O egípcio, porém, pegou mascado na bola e mandou para fora.

Foi o começo da blitz do Liverpool depois do intervalo. Um minuto depois, Firmino puxou o contra-ataque e lançou Mané, que devolveu para Firmino, que devolveu para Mané, mas o chute do camisa 10 saiu por cima. Henderson, da entrada da área, levou para a perna esquerda e explodiu a trave de De Gea, logo na sequência.

Sem conseguir matar a partida, o Liverpool foi pouco a pouco tirando um pouco o pé no campo ofensivo, e o Manchester United aproveitou para crescer. Aos 12 minutos, Fred interceptou a bola no meio-campo, avançou sem marcação e, da entrada da área, bateu de perna esquerda, perto da trave, quase fazendo o gol que a sua excelente atuação merecia.

No minuto seguinte, Martial tabelou com Pereira, matou no peito e ficou na cara de Alisson. Tentou chutar muito forte, porém, e mandou por cima, perdendo uma grande chance, talvez a melhor do United na partida. Wijnaldum puxou o contra-ataque, após um bonito drible no meio-campo, e lançou Mané, que chutou rasteiro e cruzado, mas também fraco e viu a bola ir para fora.

Nos 30 minutos finais, o Manchester United ocupou o campo de ataque e tentou pressionar o Liverpool, majoritariamente com bolas cruzadas em cobranças de falta e escanteios, mas o líder se segurou e, depois de levar pelo menos um gol em 13 das 15 primeiras rodadas, manteve a meta de Alisson intacta nas últimas sete.

Falando em Alisson, aos 48 minutos do segundo tempo, o Manchester United teve a última oportunidade em um escanteio e todo mundo foi para a área – De Gea quase foi um deles. A bola, porém, sobrou com o goleiro brasileiro, que imediatamente ligou o contra-ataque com Salah, que partiu do próprio campo de defesa.

Ele dominou por volta da intermediária e recebeu a companhia de Daniel James, entre os 11 jogadores em campo provavelmente o 11º menos indicado para marcar Salah. O egípcio foi protegendo com o corpo até entrar na área e bater de perna esquerda para matar a partida.

O Manchester United saiu de Anfield com sentimentos mistos. Embora tenha de fato ficado no jogo até o final, com possibilidades de arrancar mais um empate do Liverpool, isso aconteceu apenas porque o adversário perdeu muitas chances, e a apatia do primeiro tempo foi relevante. Um clube tão grande não pode demorar quase 40 minutos para chutar a gol contra o seu maior rival no cenário nacional.

Com os tropeços de Manchester City e Leicester na rodada, a posição do Liverpool na tabela fica ainda mais confortável. Caso ganhe o jogo a menos contra o West Ham, abrirá 19 pontos de vantagem, e está chegando o momento em que a pergunta não será mais se será campeão, mas se conseguirá fazê-lo de maneira invicta e com a melhor campanha da história do Campeonato Inglês.

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