O fato de ser disputada a cada dois anos, por 12 times, abre as portas da Copa Ouro a uma rotatividade considerável entre seus participantes. Garante espaço a seleções que sequer sonham com a fase final das Eliminatórias, conseguindo disputar uma competição internacional. Ao longo de 25 anos, 18 nações filiadas à Concacaf já estiveram representadas no torneio. E a edição de 2017 contará com uma novidade considerável: a Guiana Francesa fará a sua estreia. Embora pertença geograficamente à América do Sul, o território ultramarino francês é vinculado à União Caribenha de Futebol, um dos braços da Concacaf, por afinidades culturais e nível competitivo.

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A Guiana Francesa não será a única estreante na Copa Ouro de 2017. Antes disso, Curaçao já havia assegurado sua vaga. Entretanto, os caribenhos disputaram o torneio precursor da Copa Ouro em quatro oportunidades, quando formavam com outras ilhas a seleção das Antilhas Holandesas – que se dissolveu em 2010. O caminho de ambas as nações ao torneio internacional, aliás, foi o mesmo: elas se classificaram à fase final da Copa Caribe 2017 e, por tabela, ganharam de brinde também a presença na Copa Ouro. Para chegar lá, os guianenses lideraram o grupo das eliminatórias contra Haiti e São Cristóvão e Nevis. Nesta quarta, garantiram a passagem com goleada por 5 a 2 sobre os haitianos, presentes na Copa América Centenário, em jogo realizado em Porto Príncipe – apesar da destruição causada pelo Furacão Matthew, que causou o adiamento da data original do jogo.

Até esta semana, o melhor desempenho da Guiana Francesa em competições internacionais acontecera em 1983, quando o território terminou na terceira colocação da Copa Caribe. A filiação à Concacaf, por sua vez, só se deu na década de 1990. Desde então, os guianenses começaram a participar das fases eliminatórias da Copa Ouro, sem sucesso. Já ao longo da última década, o investimento sobre a seleção local aumentou. De 2008 a 2012, os territórios ultramarinos franceses disputaram três edições da Copa de l’Outre-Mer, realizada na própria França. Os trabalhos realizados por Martinica e Guadalupe (presentes em edições anteriores da Copa Ouro) passaram a servir de modelo ao futebol da Guiana Francesa. Já em 2015, os guianenses bateram na trave. Disputaram a repescagem da Copa Ouro e venceram Honduras por 3 a 1 na ida, mas a derrota por 3 a 0 na volta impediu a classificação.

Apesar de fazer parte da Concacaf, a seleção de Guiana Francesa nunca se filiou à Fifa. Os principais jogadores locais sempre defenderam a própria seleção francesa, em caso similar ao que acontece entre o vizinho Suriname e a seleção holandesa. Florent Malouda e Raoul Diagne são os únicos jogadores nascidos no território ultramarino que disputaram Copas do Mundo – Bernard Lama cresceu lá, embora tenha nascido na França. Enquanto isso, a seleção local acaba relegada a atletas de menor expressão. O nome mais famoso a já ter defendido a seleção guianense é o de Jean-Claude Darcheville. Atacante de relativo sucesso na Ligue 1, sobretudo pelo Bordeaux, o veterano retornou à terra natal para encabeçar o projeto de renovação nos últimos anos, mas se aposentou do time em 2015.

Agora, as expectativas recaem sobre o trabalho que a nova geração poderá realizar nos próximos meses. A maior parte dos jogadores do elenco atual se divide entre clubes locais e franceses de divisões inferiores. Mas há exceções entre as principais equipes da Ligue 1: o lateral Ludovic Baal (Rennes), o atacante Sloan Privat (Guingamp) e o zagueiro Simon Falette (Metz). Já o destaque fica por conta de Kévin Rimane, zagueiro reserva do Paris Saint-Germain. À frente do time, o comando se divide entre dois treinadores: Jaïr Karam e Marie-Rose Carême.

Curiosamente, Suriname também tem chances de se garantir na Copa Ouro 2017 – disputou apenas o torneio precursor, e pela última vez em 1985. A parada, porém, é bastante complicada: terá que vencer a Jamaica fora de casa no próximo domingo. Se conseguir surpreender, deixará a América do Sul duplamente representada.


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