Analisando friamente, a derrota do Palmeiras diante do Libertad, em Asunción já era esperada e até certo ponto óbvia. A partida no Estádio Doutor Nicolás Leoz foi desde o início tomada pelos paraguaios, que fizeram valer o mando de campo e a superioridade técnica para abrir espaços e forçar a defesa palmeirense pelo meio.

Com espaço, o ataque dos Repolleros levou perigo a partir dos primeiros lances, sempre com Velázquez. Muita pressão e sufoco resultaram no gol inaugural dos locais aos 11 minutos. Núñez armou boa ofensiva pela direita e cruzou para o centroavante Velázquez, que aproveitou a falha de cobertura palmeirense para abrir o placar.

Sem muita movimentação no meio-campo, o Palmeiras se rendeu ao bom ritmo do Libertad, que se impôs e procurou a todo momento definir o resultado. Constantemente a defesa alviverde cochilava e sofria contragolpes perigosos, dando a tônica de todo um confronto.

Durante a etapa complementar, novos momentos de desespero que resultaram no segundo gol paraguaio. Numa jogada ensaiada aos nove minutos, Samudio cruzou na cabeça de Benítez, que veio lá do fundo para testar e ampliar a vantagem. Depois disso, o perfil do Palmeiras foi de um time nervoso e despreparado para tentar qualquer reação. Apesar do afinco mostrado até os instantes finais, faltou técnica e calma para colocar a bola no chão e acertar o último passe antes do arremate.

Muito se esperava do retorno de Valdívia e da estreia de Kléber, mas nenhum dos dois conseguiu produzir algo notável ou que pudesse alterar a situação em campo. Foram incontáveis os passes displicentes do chileno, que ao invés de procurar um companheiro em boa posição, abusava de firulas e se livrava da bola ao invés de pensar com ela nos pés.

A inoperância de Vinícius também foi um dos destaques negativos. Um retrato dessa má atuação foi um lance pela esquerda, quando o atacante perdeu a bola para uma faixa de papel higiênico que estava esticada no gramado. Nem com reza brava o gol palmeirense sairia nesta noite.

Bem verdade que o Libertad tirou o pé nos 25 minutos derradeiros, até permitindo um abafa em seu campo. Mas hoje não era mesmo dia de Kleina e seus comandados. Carente de uma referência lá na frente e só jogando com garra, sem aplicação tática, fica difícil apresentar um papel diferente nesta primeira fase. Nem tudo está perdido, mas a derrota serviu para trazer a equipe paulista de volta à realidade: ainda é preciso efetuar muitas mudanças para que esta formação não conquiste a vaga nas oitavas de final aos trancos e barrancos.

Pelo lado paraguaio, o que já estava prescrito. Boa técnica, muita marcação e eficiência no ataque, marca que ficou nítida na boa vitória diante do Tigre, semana passada. Com isso, o Libertad lidera a chave 2, com seis pontos. Sporting Cristal e Palmeiras logo atrás com três e os argentinos na lanterna, sem pontuar.