O suspense sobre quem seria o sucessor de Vicente del Bosque acabou. Julen Lopetegui foi o nome escolhido pela federação espanhola para treinar a seleção com mais triunfos na Europa. Uma aposta que até que faz bastante sentido. Dentre todos os técnicos que foram especulados, o basco é o que mais se aproxima das peculiaridades que a Espanha carrega desde os tempos de Luis Aragonés. Além do mais, Lopetegui foi treinador das categorias de base de la Roja. Trabalhou com jogadores que agora fazem parte do elenco principal. Conhece bem peças selecionadas por del Bosque. As fez, no passado, tão vitoriosas quanto os atletas mais velhos. Ou seja, entre o técnico e seu mais novo compromisso já existe certa familiaridade. E tudo indica que ela jogará a seu favor nessa caminhada.

LEIA TAMBÉM: Del Bosque: “Guardiola deveria treinar a Espanha. É o melhor do mundo”

Depois de comandar escalões mais baixos e de uma passagem sem nenhum legado pelo Porto, a tarefa de Lopetegui, agora, é conduzir a Espanha de volta ao êxito. E ele já começa logo quando o treinador tomar as rédeas do banco espanhol, em setembro, que é quando começam as Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia. Enquanto jogador, o agora técnico da Furia não teve uma carreira tão marcante assim. Embora tenha vestido a camisa do Barcelona e do Real Madrid, foi com o uniforme do Logroñes e do Rayo Vallecano que Julen mais se sobressaiu. O ex-goleiro não chegou a completar nem dez jogos pelos grandes da Espanha. Em 2003, um ano após ter pendurado as luvas, o basco voltou à equipe franjirroja como comandante, mas parecia que ainda não era a hora de assumir essa tarefa. Ficou menos de um ano em seu retorno ao clube.

O auge de sua trajetória como treinador foi mesmo com as equipes inferiores da Espanha nas mãos. Foram duas Eurocopas conquistadas em dois anos. Uma em 2012, com o time sub-19, e outra em 2013, com o sub-21. Lopetegui fazia um trabalho paralelo ao de del Bosque, o qual não fugia das características do antigo técnico. No entanto, o estilo de jogo que o ex-goleiro propunha era ainda mais semelhante ao tiki-taka de Aragonés. Inspirada nos esquemas do ex-treinador, a estratégia de Jules nas categorias de base consistia na valorização da posse de bola, na combinação rápida de passes e no alto número de finalizações ao longo da partida. Usava sempre um 4-3-3 ou um 4-2-3-1 como alternativa. E era nesse sistema que exigia muita qualidade técnica que jogadores do meio-campo para frente, como Thiago Alcântara, Koke, Morata e Isco, se destacavam. Principalmente o primeiro, que jogou muita bola sob o comando de Lopetegui e chegou a marcar um hat-trick na final de 2013.

Pode-se dizer que o desafio do novo técnico de la Roja é jogar com peças já conhecidas em outro tabuleiro. Fazer jogadores com os quais já trabalhou anteriormente e que nos últimos tempos tiveram espaço na seleção espanhola renderem ainda mais. Assim como resgatar o que tem de melhor naqueles que puderam estar entre o elenco, mas não tiveram muitas oportunidades de ir a campo. Ou simplesmente não as abraçaram. Mas, acima de tudo, o que se espera de Lopetegui ao assumir o comando técnico da Espanha é que recupere a fome da atual geração. O resto é só uma questão de dar sequência, já que o perfis dos dois últimos treinadores, apesar das dessemelhanças, sobretudo, no ritmo de jogo, sugerem basicamente a mesma coisa.

TRIVELA FC: Conheça nosso programa de relacionamento, ganhe benefícios e marque um gol pelo jornalismo independente