“Os jogadores que eu mais admirei dos últimos 50 anos? Pelé, Maradona, Ronaldo, Zidane, Van Basten e Michael Laudrup. Muitas pessoas ficam surpresas quando eu menciono Laudrup, mas ele foi o melhor companheiro que tive em toda a carreira. Ele tem dois pés ótimos e era brilhante nos passes. Para um atacante como eu, jogar ao seu lado era uma benção”. Não é sempre que você ouve um elogio desses de um artilheiro, ainda mais quando vem de Romário. As aspas do Baixinho, em entrevista à World Soccer em 2010, ajudam a dimensionar o quanto jogava Michael Laudrup. Um craque que merece muito mais consideração do que recebe.

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Romário não é a única lenda que se rende a Laudrup. “Laudrup é para os anos 90 o que Pelé, Cruyff e Maradona representaram para as três décadas anteriores”, já exaltou Beckenbauer. “Quando o Michael joga é como um sonho, uma ilusão de mágica, ninguém no mundo chegou próximo de seu nível”, avaliou Cruyff, técnico do dinamarquês no Barcelona. “Laudrup foi o maior jogador da história”, declarou Iniesta. E, assim como eles, muitos outros colegas já engrandeceram a genialidade do meio-campista.

Mas o que faz Michael Laudrup tão aclamado por outros craques, mas nem sempre lembrado entre os melhores da história? Quem talvez explique melhor é Platini, seu companheiro nos tempos de Juventus: “Um dos maiores da história. O melhor do mundo nos treinos, mas que nunca usou o seu talento por completo nos jogos. Ele tinha tudo menos uma coisa: não era egoísta o suficiente”. Para Cruyff, quando o dinamarquês dava 80% ou 90% de sua capacidade, já era o melhor com sobras. Só que raramente se importava em atingir os 100%.

Mesmo com as queixas de Cruyff, Laudrup viveu os seus melhores momentos no Barcelona, onde orquestrou o Dream Team a quatro títulos do Campeonato Espanhol e um da Champions – que poderiam ser dois, não fosse a contestada opção do técnico em deixá-lo de fora da final em 1994. No Camp Nou, o dinamarquês ajudou a consagrar Romário e Stoichkov. Assim como fez com Zamorano e Raúl no Real Madrid, ao lado dos quais completou o pentacampeonato nacional em 1995. Mesmo trocando as camisas, é idolatrado pelas duas torcidas. E seu sucesso não se limita aos gigantes espanhóis. Ele também conquistou títulos por Juventus e Ajax, é considerado um dos maiores de Lazio e Brondby. O melhor da história da Dinamarca.

O que faltou, então, para Laudrup ganhar uma Bola de Ouro? Para entrar nas listas como um dos 20 melhores do Século XX, ao menos? É difícil de chegar a uma conclusão plausível, a não ser recorrer o que Platini e Cruyff disseram. Especialmente quando paramos para ver os seus lances, mesmo que não fossem produzidos a “100%”. Dono de uma visão de jogo impressionante, o meio-campista colocava a bola aonde queria. E como queria, batendo nela com qualquer parte de ambos os pés. Isso sem contar a habilidade nos dribles curtos e no domínio. Uma técnica tão grande que, por isso mesmo, acaba tão reconhecida por seus pares.

Para celebrar os 51 anos de Laudrup, separamos o vídeo abaixo. São mais de duas horas com passes do dinamarquês. Você não precisa assistir a tudo, é claro. Mas pegue qualquer minuto do longa-metragem. É difícil não se impressionar, independente do trecho. Além disso, também adicionamos um dos lances perdidos no meio dele: uma assistência de Laudrup a Romário, contra o Osasuna. O “melhor com quem joguei” do Baixinho não é à toa: