Perder uma final de Champions League é sempre difícil. Para um clube como o Tottenham, com recursos inferiores aos dos principais adversários, é pior ainda porque passa a sensação de que uma chance única foi desperdiçada, embora o time de Mauricio Pochettino tenha muita lenha para queimar ainda. No entanto, nos dias imediatamente seguintes à derrota, é difícil ter essa consciência, mesmo se você for o próprio argentino. 

Em Madri, o Tottenham foi derrotado pelo Liverpool na decisão europeia, por 2 a 0. “Nós conversamos todos os dias para encontrar a razão”, afirmou, ao Daily Mail. “Você sempre tenta analisar, mas no fim a análise é diferente. São os pequenos detalhes que fazem a diferença. As três semanas de preparação foram inacreditáveis e depois você fica muito decepcionado quando perde. Você quer ir para casa. Eu tomei um trem de Madri para Barcelona no dia seguinte. Eu fiquei dez dias em casa e não queria sair. Foi muito difícil porque quase tocamos a glória”. 

Nem jogar golfe ajudou. “Tentei por alguns dias, não jogar, só bater na bola. Estava concentrado com meu filho para tentar acertar a bola perfeitamente, mas era impossível. Minha família tentou me levantar, mas eles estavam na mesma situação que eu. Então, eu comecei a seguir em frente”, afirmou. 

O apoio de torcedores durante as férias foi essencial para que Pochettino lembrasse o excelente trabalho que realiza à frente do Tottenham. “As pessoas que gostavam do nosso trabalho também ajudaram. Na Espanha, torcedores ingleses em restaurantes de Madri, em Ibiza, pessoas de Liverpool e do Tottenham, pessoas diferentes do futebol disseram: ‘Fantástico Tottenham’. Isso começou a criar felicidade novamente porque as pessoas reconheceram que nosso trabalho era fantástico”, explicou. 

Motivado por uma nova temporada, com “novos uniformes, tudo novo, nova motivação”, Pochettino coloca a derrota para o Liverpool como o pior momento da sua carreira, ao lado da Copa do Mundo de 2002. “Quando perdemos da Inglaterra e empatamos com a Suécia e saímos na fase de grupos. São os piores momentos da minha carreira”, disse. “Achei que fomos melhor que o Liverpool. Não foi uma grande final, mas os pequenos detalhes fizeram a diferença”. 

O treinador argentino ficou incomodado quando questionado se deveria usar o Liverpool como inspiração, citando a diferença de investimento do Tottenham em relação ao clube vermelho e a seus principais rivais, “nos últimos dez anos”. O clube do norte de Londres fez zero contratações na última temporada e apenas agora começou a gastar um pouco mais, com a chegada de Tanguy Ndombéle. 

Na última década, entre 2008/09 e 2018/19, o Tottenham teve um saldo negativo (vendas de jogadores menos compras) de € 71 milhões, segundo o Transfermarkt. É o 23º entre todos os clubes que disputaram a Premier League no período destacado por Pochettino, atrás até mesmo de times menores como Brighton, West Brom, Sunderland, QPR e Huddersfield. Nem precisamos dizer que os grandes estão bem distantes. O Liverpool, citado na comparação, investiu € 347 milhões, o que nem é tanto perto do líder da lista, o Manchester City, com € 1,2 bilhão. 

“Eu não sei a quem interessa incluir o Tottenham nesse grupo. Compare nosso investimento. Está na história, nos últimos dez anos, todo o dinheiro que eles gastaram para chegar aonde estão. Estamos muito longe disso. Não é justo nos compararem e dizer que o Liverpool será uma inspiração para nós. É o oposto. O Tottenham é uma inspiração ao resto dos times da Premier League porque, com menos em tudo, você pode lutar”. 

“Essa é minha ideia. Talvez eu esteja errado. Talvez as pessoas que nos comparam com Liverpool ou City estejam certas. Claro, não somos o melhor do mundo, mas, nas nossas circunstâncias, tentamos trabalhar e nunca ser um time grande. Sempre ser corajoso e jogar com muitos jovens. Talvez no fim, nós conquistemos um troféu ou não, mas estamos muito próximos. Com menos, estamos fazendo muito mais”, encerrou. 

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