A badalada final da Libertadores entre River Plate e Boca Juniors não terá público visitante em nenhum dos dois jogos. A definição foi informada pelos dois presidentes, Rodolfo D’Onofrio, do River, e Daniel Angelici, do Boca. Rivais em campo, os dois presidentes estavam alinhados nas ideias. Definiram que não haveria público visitante e, se dependesse dos dois dirigentes, as finais seriam em dois domingos, dias 11 e 25, em vez das datas decididas pela Conmebol, 10 e 24. O presidente da Argentina, Mauricio Macri, disse que as finais não teriam torcida única, mas a decisão não foi referendada pelos clubes.

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Um dos motivos que fez os presidentes quererem jogar no domingo, e não no sábado, é a comunidade judia. Com o jogo no sábado, eles não podem sequer assistir pela TV. O Boca, por exemplo, tem uma torcida chamada Boca Kosher, de judeus, e fez o pedido ao dirigente do clube, que tentou argumentar com a Conmebol. Não foi possível. As datas foram mantidas, apesar dos protestos dos clubes. O Shabat começa na primeira estrela da sexta e termina na primeira estrela do sábado – impedindo que os judeus, assim, assistam.

Os dois presidentes estiveram no programa “Debo decir”, do canal América. “Um dia me levantei e jogávamos no sábado. Outro dia me levantei e jogávamos com público visitante. Nunca ninguém nos avisou nada”, disse D’Onofrio, presidente do River. “Amanhã [segunda, 5] vamos nos reunir com as equipes de segurança. Não acredito que deveríamos jogar com visitantes por diversas razões”, afirmou Angelici, do Boca. “Nada mudou para que agora se possa jogar com público visitante. Sei que Mauricio [Macri, presidente da Argentina] fez isso com boa intenção. Ele gosta disso. É algo que se vive, você sente”.

“Visitantes para River, não. As coisas têm de ser feitas com antecedência. Não de uma vez. Não assim, de repente, River e Boca jogar com visitantes. Eu concordo com o que disse Daniel [Angelici]. Nosso setor de visitantes precisa voltar a ser preparada para receber torcedores visitantes. Me surpreendeu o que disse Macri. O dia que quisermos ter visitantes, precisamos fazer um trabalho muito específico. O que mudou no último ano para que isso possa ser feito? O fan ID [sistema utilizado na Copa do Mundo na Rússia], é uma ferramenta fundamental para erradicar as máfias do futebol”, continuou D’Onofrio. O presidente foi mais claro nas últimas horas. Disse que estava tudo nas mãos dos clubes para tomar uma decisão. Não vejo razão como para pedir nada”, continuou o dirigente do River.

Angelici ainda disse que lamenta que seja um jogo que muitos torcedores do Boca ficarão de fora. “Nem dois ou três estádios [seriam suficientes para atender a demanda de torcedores]. É muita gente, muitos sócios vão ficar fora. Para dar 40 mil localidades temos que deixar, por exemplo, quatro mil sócios do Boca de fora”, disse o dirigente xeneize. Aqui vemos um motivo a mais para os clubes não quererem visitantes: mais ingressos aos seus próprios torcedores, como já vimos por aqui no Brasil também. Sabemos que o interesse é esse.

Martín Ocampo, ministro de segurança da cidade de Buenos Aires, também participou da conversa no programa. A ideia era falar sobre as questões que podem impedir a realização do duelo com torcida visitante. “Se eles querem, podem jogar até sem público. São eles os organizadores. O futebol é uma vitrine para o mundo. O presidente disse que esta seria uma oportunidade. Foi o que ele disse. Isso, além da organização do G-20, teria sido importante para a imagem da Argentina. Não há nada de errado em querer mostrar isso”, afirmou Ocampo.

Contudo, quando perguntados se haveria, por fim, torcida visitante nas finais, os dois presidentes responderam quase em uníssono: “Não”. As finais da Libertadores verão dois estádios lotados, mas a festa será de uma torcida só. Uma perda para o espetáculo. Uma vitória dos cartolas. E uma derrota da sociedade, como um todo.

Outros assuntos foram falados. E o presidente do River Plate falou sobre a suspensão de Marcelo Gallardo, ignorada pelo treinador no jogo de volta contra o Grêmio, em Porto Alegre. A Conmebol decidiu dar uma multa de US$ 50 mil, além de proibir Marcelo Gallardo de estar dentro do estádio pelos próximos três jogos do time na Libertadores. “As punições para os técnicos Gallardo e [Guillermo] Schelotto foram absurdas”, afirmou D’Onofrio.

Boca Juniors e River Plate começam a decisão da Libertadores no dia 10 de novembro, na Bombonera. No dia 24, o jogo de volta será no estádio Monumental de Núñez. Os jogos estão marcados para 17h, no horário local, 18h no horário de Brasília.

EDIT: O horário do jogo foi alterado pela Conmebol de 16h (horário de Buenos Aires) para 17h. Assim, no horário de Brasília, o jogo começará às 18h.