No futebol, os sentimentos pós-jogo são exacerbados, dependendo do resultado e da atuação das equipes. Ganhou e jogou bem, é bestial, está no rumo certo, as perspectivas são boas e tudo mais. Perdeu e jogou mal, é importante observar o que deu errado e, sempre que possível, apontar um bode expiatório para o “fracasso”. Isso, é claro, quando se trata de uma partida entre duas equipes do primeiro escalão, como Alemanha e Argentina. Mas a partida desta quarta-feira, em Frankfurt, foi uma exceção.

Os alemães tomaram uma sapatada de perder o rumo de casa. Perderam por 3 a 1 e o placar poderia ter sido ainda maior se os argentinos tivessem mais sorte (colocaram duas bolas na trave) e humildade em gol. Tomaram um vareio inquestionável, daqueles que colocaria qualquer técnico brasileiro na berlinda. Por muito menos, Mano Menezes foi, é e será questionado no comando. Joachin Löw não. Segue intacto no comando e poucos acreditam que ele sairá antes da Copa do Mundo de 2014. Quase ninguém, para ser mais (ou menos) exato.

Em bom português, perder para a Argentina em casa é quase normal para o Nationalelf. Foi assim antes da Copa do Mundo de 2010, quando o placar de 1 a 0 a favor da albiceleste indicou que as duas seleções estavam em patamares diferentes para a disputa. Realmente estavam, mas ao contrário. Na África do Sul, os alemães se vingaram com juros e correção monetária: 4 a 0, fora o baile, e uma atuação de gala de Bastian Schweinsteiger, um cracaço de bola que por acaso esteve ausente nesta quarta-feira.

O tropeço, porém, é um complemento pesado para a derrota na semifinal da Eurocopa para a Itália, Naquele momento, os alemães realmente sentiram o baque, pois estavam com o time completo e só não levaram uma sabugada maior porque os italianos perderam um caminhão de gols no segundo tempo e, consequentemente, a chance de aplicar uma goleada histórica, daquelas de marcar toda uma geração. A freguesia diante dos italianos, no entanto, segue firme e forte, e incomodará pelo menos até a Copa de 2014. Mas isso não foi determinante ou fez com que a equipe perdesse os rumos.

A derrota para a Argentina pode começar a ser explicada pela expulsão (talvez um tanto exagerada, mas perfeitamente cabível) de Ron-Robert Zieler pelo pênalti cometido em José Sosa. Ali a parada foi decidida, mesmo que Messi tenha jogado a bola nas mãos de Marc-André ter Stegen, futuro melhor goleiro do mundo. O golaço de Sami Khedira apenas selou a vitória antes do tempo e entra para a galeria dos grandes gols contra da história. Os desfalques de Lahm e Schweinsteiger também influenciaram na derrota, mas só eles. Podolski já não é desfalque há muito tempo, e Mario Gómez pode ser bem substituído por Miroslav Klose.

No ataque, o time agrediu no 11 contra 11, mesmo sentindo os desfalques e a completa inoperância de Thomas Müller, que já faz hora-extra no time titular. No segundo tempo, as coisas só voltaram a funcionar depois que o jogo estava definido. Mas Mario Götze, autor da assistência para o gol de Höwedes, e André Schürrle entraram muito bem em campo. Outro ponto positivo foi a boa atuação de Marcel Schmelzer na lateral esquerda, mostrando que ele poderia ter atuado ali na Eurocopa. A defesa, que enfrentou Lionel Messi, se portou relativamente bem diante das circunstâncias.

Em suma, não é uma derrota para preocupar demais ou fabricar verdades absolutas, e os alemães sabem disso. O trabalho segue consistente e a busca agora é pela vitória em jogos decisivos. A classificação para a Copa do Mundo não será, ao que tudo indica, um problema, mas fica o alerta. É fundamental vencer adversários importantes em momentos decisivos para que o trabalho tenha êxito completo.

 Fim da freguesia

Após cinco derrotas seguidas para o rival Borussia Dortmund, o Bayern Munique enfim superou o rival por 2 a 1 na final da Supercopa Alemã. Venceu com autoridade de campeão, mostrou força, mas vale ressaltar que se trata apenas de um amistoso e que muita coisa ainda precisa ser decidida na temporada. Ainda assim, o bloqueio psicológico foi superado e os bávaros, ainda mais reforçados, farão de tudo para impedir o tricampeonato aurinegro.

Os destaques da partida foram os recém-contratados Dante e Mario Mandzukic, que mostraram que podem ser titulares do time ou pelo menos participar da rotação sem deixar o nível cair. Assim, o técnico Jupp Heynckes ganha duas boas opções para um elenco que sofreu com a falta de peças de reposição em alguns momentos da temporada passada. No Dortmund, o time vai precisar aprender a jogar sem Shinji Kagawa e talvez sem Mats Hummels, que se machucou no amistoso entre Alemanha e Argentina e pode ficar de fora por um bom tempo.