Nas duas últimas temporadas, o Borussia Dortmund teve a intensidade do jogo defensivo como um de seus pontos fortes. Em 68 jogos, foram apenas 46 gols sofridos, média de 0,67 por partida. A eficiência foi fundamental para a conquista do bicampeonato e projetou para o futebol mundial os zagueiros Mats Hummels e Neven Subotic, além do lateral direito polonês Lukasz Piszczek, atualmente um dos melhores do mundo em sua posição. Em 2012/13, no entanto, a retaguarda é motivo de preocupação para Jürgen Klopp.

Os números atestam o problema. Em cinco jogos, o Dortmund sofreu oito gols, média de 1,6 por partida. É a sexta pior defesa da Bundesliga, apesar do time ter a sexta melhor campanha. O problema ficou evidente nos dois últimos jogos, quando os aurinegros sofreram seis gols na derrota por 3 a 2 para o Hamburg e no empate por 3 a 3 contra o Eintracht Frankfurt. O técnico Jürgen Klopp não gostou nada da atuação do setor e chegou a fazer reclamações publicamente.

Ironicamente causa do problema defensivo pode ser o principal jogador da equipe até aqui no campeonato. Jakub Blaszczykowski (ou Kuba, como ele mesmo põe na camisa) está jogando muita bola e não há possibilidade dele ir ao banco de reservas nesse momento. Marco Reus e Mario Götze, que compõem a linha ofensiva do meio-campo com Kuba, não são jogadores que se caracterizam por uma boa marcação. Quem fazia esse trabalho sujo nas últimas temporadas era Kevin Grosskreutz, que foi para o banco de reservas.

Sem Grosskreutz, a recomposição da equipe se torna mais lenta, o lado esquerdo fica apenas com Marcel Schmelzer para brecar as investidas adversárias, e Schmelzer não vive o seu melhor momento na vida. Aos 24 anos, ele disputou a Eurocopa 2012 pela seleção alemã, mas está longe de ser o jogador que teve ótimos momentos em 2010/11 e já não é mais tão confiável assim. O mau momento de Schmelzer piora as coisas também para Subotic, que precisa fazer a cobertura pelo lado esquerdo e deixa o meio livre em alguns momentos. Em bom português, trata-se de uma reação em cadeia a um problema que, em tese, seria pontual, localizado.

O número de desarmes do time também diminuiu. De 27 na temporada passada para 24 na atual, mesmo contando os 29 roubos de bola na estreia, em que o Dortmund contou com Grosskreutz no time titular. Os apenas 14 desarmes da derrota contra o Hamburg (que quebrou uma invencibilidade de 31 jogos da equipe) aconteceram em parte por circunstâncias da partida, em que os aurinegros precisaram atacar muito mais, e em parte por certo relaxamento ocorrido sobretudo no início do jogo.

A favor do Dortmund, fica o lembrete de que, na temporada passada, o clube havia somado apenas sete pontos em cinco jogos, e o Bayern Munique liderava com 12. Em bom português, há muito chão pela frente, e tempo para a recuperação dos aurinegros, por mais que a aura de imbatível dos bávaros já esteja consolidada com grandes exibições nesse início de campeonato e as sete vitórias seguidas nesse início de temporada.

Por fim, vale ressaltar que esses problemas podem também (é sempre uma hipótese) ser o efeito colateral da transição que o Borussia Dortmund precisa fazer para voltar a ser grande em termos continentais. Para crescer, não basta ser apenas intenso defensivamente e contra-atacar com eficiência. É necessário propor o jogo, atacar com força, assumir as consequências disso e ser suficientemente forte para vencer no fim. É a única maneira de peitar o Bayern Munique por muito tempo e se colocar como um grande clube alemão.

Destaques da Bundesliga

Além das derrapadas do Dortmund e do início espetacular do Bayern Munique, existem outros 16 clubes na Bundesliga e o que mais surpreende até agora é o Eintracht Frankfurt, vice-líder com 13 pontos. Recém-promovido da segunda divisão, o time comandado pelo técnico Armin Veh mostra excelente desenvoltura ofensiva, com 14 gols marcados em cinco jogos. A força coletiva da equipe impressiona, com destaques como o japonês Takashi Inui, excelente meio-campista, assim como o suíço Primin Schwegler.

 

Quem rouba a cena até o momento, no entanto, é Szabolcs Huszti. Canhoto, o meia húngaro chegou ao Hannover 96 vindo do Zenit, já fez três gols e deu impressionantes sete assistências nos cinco primeiros jogos da temporada. É o dono do time, que ocupa a terceira colocação com dez pontos ganhos.