Robin Van Persie estava no Manchester United há um ano e era cotado como um dos melhores atacantes da Europa. Tinha feito uma boa Copa do Mundo, ajudando a levar a Holanda ao terceiro lugar. Era o capitão do time. Passado um ano, ele está no Fenerbahçe, depois de uma temporada ruim no clube inglês, atormentado por lesões, e diante de uma eliminação ridícula da seleção da holandesa nas Eliminatórias para a Eurocopa. Em um jogo que veio do banco de reservas, porque perdeu o lugar entre titulares do técnico Danny Blind.

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Foi uma situação tão humilhante que Van Persie acabou sendo protagonista de uma cena simbólica da campanha da Oranje. Com o time perdendo por 2 a 0, Van Persie entrou em campo, mas acabou marcando um gol contra. Depois, marcou um a favor, o segundo na derrota holandesa por 3 a 2. Foi insuficiente. E, aos 32 anos, o atacante foi questionado se iria se aposentar da seleção.

“Eu não sou de correr de situações difíceis”, afirmou o jogador ao jornal holandês De Telegraaf. “Como visto agora, eu continuarei disponível. Ainda é uma honra jogar pela Oranje nas horas boas, mas também nas ruins. Eu não sou alguém que foge das suas responsabilidades nas situações difíceis. Desistir não é uma opção, mas, isso, é claro, depende de eu ser chamado”, afirmou o atacante.

Van Persie tenta o voleio durante jogo da Holanda com a República Tcheca  (AP Photo/Peter Dejong)
Van Persie tenta o voleio durante jogo da Holanda com a República Tcheca (AP Photo/Peter Dejong)

“Meu coração chora como esportista. Todo o período das Eliminatórias seguiu um cenário apocalíptico. Foi terrível. Ainda assim, ficamos otimistas apesar da situação difícil. Será um longo, doloroso caminho para voltar para cima, mas nós temos que escalar para sair dessa situação”, afirmou o jogador.

Wesley Sneijder, outro dos veteranos do time, com 31 anos, também disse que quer continuar atuando pela seleção. Depois de brilhar pela Internazionale em 2010, ano da tríplice coroa do time italiano, Sneijder ainda jogou por mais duas temporadas pelo clube antes de seguir para o Galatasaray, onde atua desde então. Ele foi o capitão do time nestas duas últimas rodadas das Eliminatórias. “Eu não irei parar de jogar pela Holanda. Eu ainda me sinto em forma”, disse o jogador, camisa 10 do time que foi fundamental na campanha do vice-campeonato mundial em 2010.

Van Persie e Sneijder ainda podem ser úteis para a seleção holandesa. A questão da Oranje não é de nomes, há questões que o futebol holandês como um todo precisará discutir. O futebol apresentado pelo time não foi grande coisa e a transição de Louis van Gaal para Guus Hiddink, que não conseguiu fazer o time jogar o bom futebol da Copa. E nem conseguiu resultados. Veio a troca de comando, com Danny Blind, ex-jogador da própria seleção, se tornando o técnico. Não foi suficiente. Para pensar na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, a Holanda precisará contar, ao menos neste começo, com seus jogadores experientes para fazer a transição. Mas mesmo eles precisarão justificar a presença no time.