Os clássicos entre Atlético de Madrid e Real Madrid não tem sido grande coisa mesmo em termos de qualidade de futebol, embora a competitividade nesses jogos seja sempre alta. Na final da Supercopa da Espanha, em Jedá, houve um clássico de não campeões. O jogo foi sofrível, com futebol bem pouco atraente e chances de gols que não foram muito numerosas. No fim, o Real Madrid venceu nos pênaltis depois de um 0 a 0 que se arrastou por 120 minutos – tempo normal e prorrogação.

O Real Madrid, terceiro colocado da liga na temporada passada, eliminou o campeão da Copa do Rei, Valencia. O Atlético, vice-campeão da liga, eliminou o campeão espanhol, Barcelona. O formato de disputa envolvia, além dos tradicionais campeões da Copa e da liga, o segundo colocado em cada torneio. Como o Barcelona foi o segundo colocado na Copa, o terceiro da liga foi chamado. Justamente o Real Madrid, que acabou com a taça. Serão ao menos quatro edições neste formato de Supercopa, por um dinheiro que, segundo a Federação Espanhola de Futebol (RFEF), servirá para reinvestir no futebol do país, assim como ajudar na candidatura da Espanha para ser sede da Copa do Mundo de 2030, em parceria com Portugal.

A expectativa por um clássico é sempre grande, mesmo em um torneio irrelevante como a Supercopa da Espanha, tornada ainda mais irrelevante depois que a Federação Espanhola de Futebol (RFEF) levou a disputa para a Arábia Saudita. O clima era de um grande amistoso, como se fosse uma partida de pré-temporada (ou inter temporada, já que estamos no meio dela).

Os dois times tinham problemas para armar a equipe. O Real Madrid não tinha Karim Benzema, nem Gareth Bale, machucados. Mais uma vez, o técnico Zinedine Zidane colocou um esquema com cinco meio-campistas, com apenas o atacante Luka Jovic e sem pontas abertos. No Atlético, a ausência era de Diego Costa, ainda machucado, além de Koke, outro que não jogou por lesão.

O primeiro tempo foi absolutamente esquecível. Nada de interessante em termos de futebol. Os dois times criaram pouco, com poucas chegadas e, no caso do Atlético de Madrid, nenhum chute a gol. O Real Madrid ainda chutou seis vezes, duas delas no alvo.

O segundo tempo foi um pouco melhor, até porque ser pior era difícil. Os dois times tentaram um pouco mais, ainda que tenham passado longe de fazer uma boa partida. Oblak apareceu para fazer algumas defesas, Courtois também precisou fazer uma ou outra intervenção. Em geral, porém, os dois times sofreram demais para criar chances. O jogo quase pedia para ser encerrado. Mas precisou ir para a prorrogação.

A prorrogação teve um jogo um pouco melhor. Os dois goleiros passaram a trabalhar mais. Tanto Courtois quanto Oblak tiveram que fazer interferências importantes na partida. E nada de gol acontecer. Até o final do segundo tempo. Foi quando aconteceu um lance que acabou por ser chave no jogo.

Aos 115 minutos, ou 10 minutos do segundo tempo da prorrogação, um contra-ataque poderia decidir o jogo. Álvaro Morata foi lançado em velocidade, Federico Valverde correu atrás, mas não chegaria. Deu um carrinho forte por trás, matando a jogada. Foi expulso. O Real Madrid terminaria os últimos minutos da prorrogação com um jogador a menos. O jogo acabaria mesmo empatado.

Nos pênaltis, Carvajal abriu as cobranças para o Real Madrid e marcou. Saúl Ñíguez cobrou tirando do goleiro, mas chutou na trave. Rodrygo, pelo Real Madrid, bateu de forma perfeita: no ângulo, forte, indefensável. Tomas Partey foi o cobrador seguinte pelo Atlético e ele chutou forte, no canto, mas Thibaut Courtois defendeu. Foi a vez de Luka Modric, que bateu com tranquilidade, jogou bola para um lado e viu o goleiro ir para o outro. Kieram Trippier não podia errar pelo Atlético e bateu com precisão, diminuindo o placar dos pênaltis para 3 a 1. Veio então Sergio Ramos, o capitão e carrasco do Atlético. E ele bateu com calma, categoria e precisão: 4 a 1 para o Real Madrid, campeão da Supercopa em Jedá, na Arábia Saudita.

Curiosamente, Federico Valverde conquistou o prêmio de jogador da partida. Logo ele, que fez a falta mais importante do jogo, que gerou a sua expulsão e que fez com que o Atlético perdesse uma chance clara de gol, em troca da expulsão. O Real Madrid aguentou os cinco minutos com um a menos e, nos pênaltis, levou. Jan Oblak, um dos melhores goleiros do mundo com a bola rolando, quando se trata de disputa de pênalti não costuma brilhar. Tem sido assim há muitos anos.

No fim, houve comemorações de jogadores em campo após a vitória, porque, afinal, é um clássico. Como vemos no Brasil, ganhar um clássico contra o rival em um estadual, mesmo que o torneio em si valha pouco, acaba valendo pela rivalidade. No fim, mais um torneio para encher os bolsos da federação (e também dos clubes, em menor escala).