Júlio César, Stephan Lichtsteiner, Adil Rami, Ashley Williams e Lorenzo Melgarejo; Luiz Gustavo e Cesc Fàbregas; Bernard, Wayne Rooney e Luis Suárez; Gonzalo Higuaín. Um time desses teria forças para brigar pela Premier League? A previsão é difícil, mas não se nega a qualidade individual de cada um dos jogadores. O Arsenal que o diga. Todos eles especulados em algum momento da pré-temporada pelos Gunners, que não levou ninguém. Ainda restam duas semanas para Arsène Wenger reverter a situação, mas os temores de um fracasso são grandes.

A estreia na Premier League apenas serviu para reforçar o que a torcida já previa. E de uma maneira bem mais dolorosa. Dentro do Estádio Emirates, o Arsenal foi derrotado pelo Aston Villa por 3 a 1. Com as velhas peças, os londrinos fizeram uma apresentação razoável. De qualquer forma, repetiram os mesmos pecados do último ano, que possibilitaram o vexame. Faltou pontaria nas conclusões, sobraram bobagens na defesa. Com dois pênaltis e a expulsão de Laurent Koscielny, ficou fácil para os Villans matarem o jogo.

Wenger tem carta branca da diretoria para investir em reforços e o clube tem sido atuante neste mercado de transferências, buscando os nomes. Porém, fica até difícil explicar a razão de tantas frustrações em suas empreitadas. Das que vieram a público, Higuaín pulou fora do barco quando ele viu que era plano B, diante do interesse de Luis Suárez. Já a proposta por Bernard não foi tão alta quanto a feita pelo Shakhtar Donetsk, nem tão vantajosa ao atleta.

O último revés aconteceu durante esta semana, de supetão. Luiz Gustavo surgiu como possibilidade, os Gunners manifestaram o interesse, fizeram a proposta e acabaram perdendo a queda de braço. Segundo o jornalista alemão Raphael Honingstein, a conexão entre Bayern Munique e Wolfsburg facilitou o negócio – acionista dos Roten, a Audi faz parte do grupo da Volkswagen, dona dos Lobos. Pode até ser. Mas, ainda que também tenha pesado a vontade do volante em permanecer na Alemanha, o desprestígio do Arsenal também existe.

No fim das contas, a situação acaba criando um paradoxo no Estádio Emirates. O Arsenal não consegue atrair grandes nomes ou manter seus destaques porque não disputa títulos. E as campanhas são cada vez piores justamente por conta da falta de nomes de valores. O elenco atual até conta com seus destaques, como Santi Cazorla, Jack Wilshere e Thomas Vermaelen. Mas o fato é que os londrinos pararam no tempo, enquanto os rivais pelo Top Four aparecem cada vez mais fortes – falar em título, no momento, é loucura.

A partir desta semana, os esforços deverão se concentrar no Fenerbahçe, adversário no play-off da Liga dos Campeões. Os turcos não são os adversários mais temíveis, mas a crise começa a surgir precocemente e falhar na tentativa de classificação poderia ser a hecatombe. Ao menos, se os londrinos ainda quiserem trazer um reforço de peso nesta janela, um fracasso continental só atrapalharia a ação nos últimos seis dias de mercado.

No momento, um reforço de peso seria a melhor resposta às desconfianças e a esse revés inicial. Com um pouco de sorte e um encaixe melhor, o time que Arsène Wenger tem em mãos pode até lhe dar a vaga na Champions, o que considera um “título”. Todavia, sem colaboração do time e dos adversários, o francês já pode esperar o pior. A ausência na LC, mais dificuldades no mercado de transferências e, na pior das hipóteses, a sua própria demissão.