Já se passaram sete jogos no Campeonato Brasileiro e não há um claro favorito ao título brasileiro. Procurar candidatos ao título ainda soa como procurar o sol em um dia nublado. Entre o primeiro colocado, São Paulo, e o quinto, Ponte Preta, só dois pontos. Entre os dois, Atlético Paranaense, Sport e Corinthians. Sport e Ponte Preta são os únicos times invictos. O Atlético Paranaense e o São Paulo venceram todos os seus jogos em casa. Mesmo assim, nenhum destes jogou um futebol que inspirou coloca-los como favoritos.

Tanto que o Corinthians, muito criticado recentemente pelo mau futebol jogado, ainda está em quarto lugar na tabela, à frente, por exemplo, da própria Ponte Preta, que jogou até melhor. O time que jogou o melhor futebol até aqui no campeonato, Atlético Mineiro, é só o sexto, porque embora seja um time ofensivo e divertido de assistir, é inseguro defensivamente e toma muitos gols. Com tudo isso, o que vemos é que a disputa está completamente aberta. Nos dois últimos anos, o Cruzeiro foi bastante dominante para levar a taça. Desta vez, não parece haver um Cruzeiro.

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Os dois times que pareceram mais perto do posto de candidatos ao título, Atlético Mineiro e Internacional, já deram em campo sinais que nem sempre conseguem ter a mesma regularidade. Neste fim de semana, por exemplo, o Colorado não conseguiu se manter consistente contra um Corinthians ainda instável, enquanto no meio da semana, no jogo que abriu a rodada, o Atlético Mineiro bobeou contra o Santos e perdeu dois pontos cedendo o empate, que tinha o técnico com a corda no pescoço, em mais uma demonstração que a sua defesa entrega mais lances do que deveria. Tanto Galo quanto Colorado são evidentemente bons times, mas nenhum dos dois consegue ter bons resultados com frequência, o que complica a situação.

O futebol em campo não dá indicativo de quem irá brigar pela taça, mas os números trazem informação bem curiosas. O time com a maior média de posse de bola depois destas sete rodadas é o Palmeiras, com 60,1%, consideravelmente à frente de Atlético Mineiro (56,9%) e São Paulo (55,4%), segundo e terceiro colocados no ranking, respectivamente. Em número de passes, quem lidera é o São Paulo. Foram 3.604 passes do tricolor paulista até aqui contra 3375 do Palmeiras e 3341 do Atlético Mineiro. Quando falamos em chutes, porém, quem se destaca é a Ponte Preta, com 114, seguida por Palmeiras (113) e Atlético Mineiro (110). Tem muito a ver com o destaque do Brasileirão até aqui, Renato Cajá, que tem quatro gols, duas assistências e é quem mais chuta a gol, com 30 chutes até aqui. O segundo que mais chutou a gol foi Biro Biro, com 24. Eis aí o motivo de ter a Ponte Preta como o time mais chutador do Brasileirão.

Como o Campeonato Brasileiro ainda está muito no começo, há tempo para os times que não estão entre os primeiros colocados melhorarem o seu desempenho e chegaram às primeiras posições. São vários os candidatos a isso. O Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo engatou três vitórias em três jogos e saiu da rabeira para a 10ª posição, com 10 pontos. Pelo desempenho nas últimas rodadas, foi quem mais deu pinta de que pode subir, ao menos enquanto durar essa boa fase após a chegada de Luxemburgo.

Por enquanto, não há outros times que mostram potencial para subirem tanto. Flamengo e Palmeiras, que antes do campeonato tinham expectativas mais altas do que as atuais campanhas (16º e 12º, respectivamente) ainda não mostraram futebol para buscarem a parte de cima da tabela. O Internacional, que claramente é um bom time, ainda tropeça demais e é só o 14º, com nove pontos. Está na segunda metade da tabela, bem longe do que se imagina que o time seja capaz.

O Santos, campeão paulista, tem lampejos de bom futebol (não como os de Messi, viu, Mário Sérgio?), mas a consistência não existe. O time não consegue manter o bom desempenho nem por um jogo inteiro, que dirá em jogos consecutivos. Então, um bom resultado como o empate por 2 a 2 contra o Atlético Mineiro é apenas circunstancial. Vale porque é um time forte e por ter tomado uma virada depois de abrir o placar para 2 a 1 e empatado novamente, mas continua longe de ser algo realmente para se comemorar.

O Palmeiras conseguiu uma vitória suada contra o Fluminense, que jogou com um a menos boa parte do segundo tempo – e quando tomou o gol, nos acréscimos, já tinha dois a menos. O finalista do Paulistão já demitiu Oswaldo de Oliveira, mas ainda deve uma boa atuação à torcida. Mas, ao menos, conseguiu vencer em casa, algo que não tinha feito até então – eram dois empates e uma derrota.

O Grêmio é um time que pinta como uma força, especialmente atuando em casa. Não é nada que vá encantar os olhos, mas começa a ter resultados. O trabalho do novo técnico do time, Roger Machado, ainda é muito recente para uma avaliação justa, mas é fato que os resultados em casa já começam a ajudar o time a subir.

O Sport venceu mais uma no fim de semana e vem mostrando que se ninguém quer ficar lá em cima, os pernambucanos se candidatam a beliscar. O Atlético Paranaense, que fez um péssimo primeiro semestre, ganhou os quatro jogos que fez em casa e nem a derrota para o Grêmio em Porto Alegre no fim de semana o tirou da ponta de cima da tabela, ainda que tenha perdido a liderança para o São Paulo.

São Paulo, aliás, que não fez um grande jogo contra a Chapecoense. Recém-chegado, o técnico Juan Carlos Osorio ainda não pode mostrar o que pode fazer. Mas o time segue vencendo e, assim, já está na ponta. Em um campeonato que ninguém se mostra favorito, somar pontos é fundamental e o time tem feito isso.

Ainda não dá para saber quem ficará na ponta, ainda mais porque depois da Copa América o mercado deve se movimentar mais e veremos aquela tradicional perda de alguns jogadores importantes para outros mercados do mundo. Isso ainda pode mudar mais o panorama dos times. Mas o que vemos depois de sete rodadas é que ninguém se mostrou favorito. O que pode ser bom. Talvez tenhamos um campeonato equilibrado neste ano e com muitos times na disputa. Não quer dizer que o nível técnico seja satisfatório. Este ainda é um problema sério que o Brasileirão parece que irá viver novamente em 2015.

Se ninguém joga um grande futebol e nem consegue ser consistente, o resultado é uma disputa aberta e equilibrada. Este é o copo meio cheio. O meio vazio é que o nível técnico está longe de ser empolgante para os torcedores.