O Egito se consagrou como a grande seleção da história da Copa Africana de Nações. Na última década, os Faraós conquistaram o tricampeonato continental sob as ordens de Hassan Shehata. No entanto, a equipe entrou em uma grave crise a partir de então. Depois do título de 2010, os egípcios não conseguiram sequer a classificação à CAN. Foram três edições consecutivas se frustrando nas eliminatórias. Até que, enfim, o país voltará ao torneio em 2017. O Egito confirmou a vaga com uma rodada de antecedência, ao derrotar a Tanzânia por 2 a 0. Curiosamente, sua chave marcou a eliminação da Nigéria, que não participou mais da competição desde que ergueu a taça em 2013.

A reconstrução do Egito se dá sob as ordens de Héctor Cúper, o argentino que já esteve entre os melhores técnicos do mundo na virada do século, mas andava sem trabalhos relevantes nos últimos anos. Contratado em 2015, o veterano não teve problemas para liderar a campanha tranquila nas Eliminatórias da CAN, que dependeu de apenas quatro partidas. Foram três vitórias e um empate, incluindo a vitória decisiva sobre a Nigéria em Alexandria.

Olhando para o papel, o time egípcio chama pouca atenção. Os destaques são Mohammed Salah (autor de ambos os gols neste sábado) e Mohamed El Nenny, em um elenco baseado principalmente nas duas potências nacionais, Al Ahly e Zamalek. Além disso, outro destaque é o goleiro Essam El-Hadary, que segue como capitão da seleção mesmo aos 43 anos. Ao lado do lateral Ahmed Fathy, são os únicos remanescentes da equipe titular que dominou o continente africano entre 2006 e 2010.

De qualquer forma, a mera classificação do Egito já significa muito ao país, diante de todas as dificuldades enfrentadas pelo futebol local nos últimos anos. Vale lembrar que o Campeonato Egípcio chegou a ser cancelado em 2012, após a morte de 74 torcedores no massacre de Port Said. Depois disso, outras tragédias menores voltaram a se repetir no país, com a interferência do governo na liga e as arquibancadas fechadas durante boa parte do tempo. Enquanto isso, coube ao Al Ahly manter o orgulho dos egípcios, com o bicampeonato da Liga dos Campeões da África em 2012 e 2013.

Junto com o Egito, outros cinco países estão confirmados na Copa Africana de Nações de 2016. O Gabão é o país-sede, enquanto Marrocos, Argélia, Camarões e Senegal se classificaram através das eliminatórias. Senegaleses e, sobretudo, argelinos chegam cotados como potenciais favoritos à competição.