A longa lista de clubes italianos que precisam recomeçar sua história a partir da Serie D incluirá mais uma camisa tradicional: o Palermo. Os rosaneri vinham de campanhas decentes na Serie B e, a princípio, a saída do intempestivo Maurizio Zamparini parecia ser benéfica. Na verdade, ela abriu um buraco mais profundo. E, diante do imbróglio que se arrastou ao longo das últimas semanas, a exclusão dos sicilianos da segunda divisão foi confirmada pela federação italiana nesta sexta-feira. A vaga será ocupada pelo Venezia.

A mudança no comando do Palermo aconteceu em novembro de 2018, quando Zamparini vendeu o clube para uma companhia londrina pelo preço simbólico de €10. O problema é que as confusões ao redor da agremiação se tornaram maiores depois da transação. Entre disputas internas e tensões na diretoria, os rosaneri passaram por diferentes trocas de poder neste último semestre. Em 3 de maio, uma empresa chamada Sporting Network chegou ao controle do clube. Não seria tão simples assim.

Terceiro colocado na Serie B, o Palermo perderia o direito de disputar os playoffs de acesso. Em 13 de maio, a federação italiana apontou que a primeira venda do clube, lá em novembro, não passava de uma manobra de Zamparini. O dirigente teria aproveitado a oportunidade para lavar dinheiro. A transação inicial aconteceu com uma empresa que o próprio Zamparini havia criado, antes de ceder o clube por um valor mínimo. A falcatrua explicava as seguidas trocas de comando durante os meses anteriores, até que a Sporting Network chegasse.

O Palermo ainda poderia recorrer da decisão. Conseguiu vencer a apelação, no final de maio. Segundo a sentença, o clube se manteria na Serie B, mas com uma dedução de 20 pontos. A permanência, contudo, não significou o fim dos problemas para os sicilianos. A nova diretoria precisava submeter as garantias financeiras para participar novamente da segunda divisão na próxima temporada. Os rosaneri perderam o prazo e só conseguiram enviar os documentos corretos seis dias depois da data final.

Desde então, desenrolou-se uma briga de bastidores. O Palermo insistia que suas garantias deveriam ser aceitas pela liga. Enquanto isso, o organismo responsável por analisar as contas sequer aprovou os documentos, afirmando que os rosaneri não cumpriam os critérios econômicos e financeiros exigidos para a admissão. Pior, a agremiação seguia sustentando débitos com a Serie B e com os próprios atletas, incluindo uma multa de €500 mil por irregularidades administrativas.

Mais uma vez, o Palermo tentou recorrer. Entretanto, desta vez não houve remédio. Nesta sexta-feira, a federação confirmou a bancarrota, levando o clube à Serie D. Com isso, o Venezia ganha o direito de permanecer na Serie B, apesar de sua derrota nos playoffs contra o rebaixamento. Após uma série de tumultos ligada também a problemas financeiros no início desta temporada, a segundona italiana volta a contar com 20 equipes.

A “atual encarnação” do Palermo existia ininterruptamente desde 1987, a última vez em que o clube havia falido e sido refundado. Zamparini estava à frente dos rosaneri desde 2003/04, com um breve hiato em 2017. Agora, a prefeitura da cidade permanece com os direitos da agremiação e poderá cedê-los ao dono que apresentar as melhores garantias financeiras para a refundação. É um processo padrão, parecido com o que levou Aurelio de Laurentiis ao Bari. Segundo a imprensa italiana, o favorito para renascer o Palermo é Massimo Ferrero, o dono da Sampdoria.

*****

Estamos também no YouTube! Confira nosso último vídeo e se inscreva no canal para fortalecer o jornalismo esportivo independente em mais um meio: