Diferentemente do que acontece na primeira divisão do Campeonato Francês, a Ligue 2 costuma ser bem mais acirrada. O equilíbrio prevalece na briga ao acesso, muitas vezes definida apenas na última rodada. Desta vez, porém, os dois promovidos puderam comemorar com antecedência. Se o Metz já tinha carimbado passagem à elite, esta sexta-feira valeu a euforia da torcida do Brest. Em ascensão nas últimas semanas, os alvirrubros derrotaram o Niort por 3 a 0 e garantiram a subida com uma rodada de antecipação. Retornam ao primeiro nível após seis anos na segundona.

Fundado em 1950, o Brest ganhou relevância no futebol francês principalmente na década de 1980. Sua estreia na elite aconteceu em 1979. Já entre 1981 e 1988, a equipe emendou sete temporadas consecutivas na primeira divisão. Foram tempos abastados, em que os alvirrubros revelaram jogadores renomados como Paul Le Guen, Vincent Guérin e Stéphane Guivarc’h. Além disso, chegaram a contratar craques do porte de Roberto Cabañas, José Luis Brown, Júlio César e o prodígio David Ginola. O problema é que, sem se firmar na Ligue 1 durante a virada da década e sofrendo as consequências da má gestão, o clube encarou uma grave crise financeira.

Para chamar atenção da federação sobre o descaso interno e os atrasos salariais, os jogadores chegaram a realizar um boicote em pleno clássico contra o Guingamp. Os alvirrubros se reuniram com o presidente da liga para formalizar a ajuda, mas isso não evitou a falência dias depois, em dezembro de 1991. A agremiação foi dissolvida, automaticamente rebaixada e os atletas ficaram livres para assinar com novas equipes. O recomeço aconteceu na terceira divisão, mas o time ainda sofreria uma queda ao nível amador em 1997.

O renascimento do Brest se deu a partir de 2004. Foi quando retornou à Ligue 2 e começou a se estruturar de maneira mais concreta. Franck Ribéry era um dos destaques naqueles tempos. Já em 2010, os alvirrubros ressurgiram na Ligue 1. Foram três temporadas consecutivas na elite, com campanhas modestas. Desde 2013/14, com novo rebaixamento, a equipe vinha militando na segundona. E, sob nova presidência a partir de 2016, apresentava um projeto sólido e já vinha dando pinta de que reconquistaria o acesso em breve.

A principal figura do Brest é o técnico Jean-Marc Furlan, comandando os alvirrubros desde 2016. Além disso, o time se valeu bastante dos gols de Gaëtan Charbonnier. O veterano possui uma carreira bastante experimentada, jogando a primeira divisão por Montpellier e Stade de Reims. Chegou ao Stade Francis-Le Blé em 2017 e, nesta temporada, desfruta o melhor momento da carreira. Anotou 27 dos 59 gols da equipe na campanha, artilheiro da Ligue 2. Foram dois nesta sexta-feira, comandando o triunfo sobre o Niort. Desencadeou a festa de sua torcida nas arquibancadas, com a confirmação da promoção. Ocupando a zona de acesso direto desde a 13ª rodada, os bretões fizeram por merecer a conquista.

Com 74 pontos, o Brest possui quatro a menos que o Metz, já campeão. Resta a briga pelos playoffs – que reunirão o terceiro, o quarto e o quinto colocados, além do antepenúltimo da Ligue 1. O Troyes já se assegurou na terceira posição, enquanto as duas últimas vagas da Ligue 2 serão disputadas por Paris FC, Lens e Lorient. Também nesta penúltima rodada, destaque à vitória do Paris por 1 a 0 sobre o Red Star, no clássico da capital. Os rubroverdes, por outro lado, foram os primeiros rebaixados. Beziers, Sochaux, Auxerre, AC Ajaccio e GFC Ajaccio ainda correm riscos.