Os clássicos são jogos especiais em qualquer campeonato, em qualquer lugar do mundo. No Derby della Madonnina, o confronto entre Internazionale e Milan, vimos uma diferença em campo, de jogo, muito menor do que a tabela mostra. Enquanto os nerazzurri brigam pelo título, os rossoneri estão apenas no meio da tabela. O Milan saiu em vantagem, com atuação decisiva de Zlatan Ibrahimovic, mas a Inter voltou melhor na segunda etapa, empatou o jogo rapidamente e conseguiu uma virada espetacular. A vitória por 4 a 2 é enorme não só por ser em um clássico, mas porque iguala a pontuação da líder Juventus e embola muito a ponta da tabela.

O técnico Stefano Pioli promoveu uma leve mudança tática que dificultou o jogo da Inter. Montou um 4-4-1-1, com Zlatan Ibrahimovic como único atacante de fato, Samu Castillejo e Ante Rebic pelos lados e Hakan Çalhanoglu pelo meio, se aproximando do sueco quando o Milan tinha a bola. Sem ela, recuava um pouco para jogar. O Milan, assim, chegava com perigovindo de trás, com os zagueiros da Inter um tanto perdidos.

Pelo seu lado, Antonio Conte escolheu jogar com Alexis Sánchez no ataque, substituindo o suspenso Lautaro Martínez. Christian Eriksen ficou no banco, com a formação de meio-campo com Matías Vecino, Nicolò Barella e Marcelo Brozovic, de volta à equipe como capitão, na ausência do goleiro Samir Handanovic, que não estava em condições plenas após uma fratura no dedo e ficou no banco. Ashley Young foi escolhido para atuar na ala esquerda, com Antonio Candreva pelo lado direito.

O Milan começou o jogo quente. Foi quem primeiro finalizou, depois de um cruzamento que Ibrahimovic, de forma característica, conseguiu finalizar girando, mas chutou fora. Logo depois, Rebic se projetou pela esquerda e chegou com perigo e acabou bloqueado por Brozovic. Nos primeiros minutos, era só o time vermelho e preto que tinha a bola. Os interistas pareciam confusos em campo.

Foram justamente os rossoneri que tiveram a primeira grande chance. Kessié tomou a bola de Barella, que reclamou falta, e acionou Hakan Çalhanoglu. Ele chutou forte, rasteiro, e acertou a trave. Era o time rossonero que chegava com mais frequência. Os primeiros minutos foram do Milan. O torcedor milanista sorria, enquanto a maioria de interistas no estádio parecia aflita.

A Inter começou a melhorar em um escanteio que Diego Godín desviou com perigo e viu a bola passar perto. Aos 23 minutos, Lukaku recebeu pela direita, ganhou da marcação com um giro, foi até dentro da área e tocou para o meio. Matías Vecíno finalizou forte, mas o goleiro defendeu.

Melhor no jogo, os rossoneri conseguiram, enfim, abrir o placar aos 39 minutos. Lançamento longo de Castillejo para dentro da área, Ibrahimovic ganhou pelo alto e ajeitou para Rebic, que só tocou para as redes: 1 a 0. Pelo que tinha sido o jogo até ali, a sensação era até que o gol demorou a sair.

Uma boa jogada aproveitando a confusão na marcação dos interistas, o lançamento de Castillejo expôs isso da pior forma. Ibrahimovic aproveitou o espaço, subiu muito mais que Diego Godín, que teve que correr atrás do sueco para disputar a bola. Rebic, normalmente pela esquerda, apareceu no meio, sem marcação, com De Vrij atacando a bola – e furando.

No final do primeiro tempo, veio o segundo gol. Escanteio da direita de Castillejo, Kessié desviou pelo meio e sobrou na segunda trave, onde estava Ibrahimovic. Ele só tocou de cabeça, jogando para o fundo da rede: 2 a 0 para o Milan em San Siro. Foi o placar do intervalo.

Na volta para o segundo tempo, a Inter tentava voltar ao jogo. Começou a pressionar, jogando bolas para a área, e levava perigo. Candreva, muito acionado no começo do segundo tempo, puxou da direita para o meio, chutou, a bola foi bloqueada pela defesa e sobrou para Marcelo Brozovic, que chutou de primeira, de pé esquerdo, e marcou um belo gol: 2 a 1, aos seis minutos.

O gol animou a torcida da Inter, mandante do jogo e com maioria no estádio. E na empolgação, a Inter chegou ao empate logo depois de marcar o primeiro. Novamente pela direita, Diego Godín achou Alexis Sánchez nas costas da defesa, o camisa 7 recebeu, girou e tocou para trás. Vecino chegou batendo de primeira: 2 a 2 no placar, aos oito minutos. Depois de um primeiro tempo ruim, que ficou tão atrás, o time de Conte conseguiu uma reação muito rápida e, claro, isso deu mais confiança à equipe para partir em busca da vitória.

O Milan tentou voltar ao jogo em uma boa descida de Castillejo pela direita, que foi parado com falta por Milan Skriniar. O árbitro deu cartão amarelo ao jogador, motivo de muita reclamação dos interistas. Um auxiliar de Conte foi expulso por reclamar demais no lance. O Milan, porém, tinha dificuldades em articular as jogadas. A Inter pareceu entender o problema do primeiro tempo e seus meio-campistas passaram a atuar mais juntos, com a companhia dos alas, para não ficar em desvantagem numérica no setor.

O jogo esfriou um pouco nos minutos seguintes, com a disputa no meio-campo ganhando mais tração. Os dois times tentavam se reencontrar no jogo, depois dos encaixes e desencaixes que se alternaram desde o começo do jogo. Só que o Milan não conseguia mais criar chances. Ibrahimovic, adiantado, parecia desconectado do resto do time.

A Inter conseguiu um bom lance dentro da área com Lukaku, que finalizou com perigo, mas travado. A bola foi para escanteio. Na cobrança, Candreva bateu para a área e encontrou Stefan De Vrij, que tocou de cabeça para marcar: 3 a 2, virando o jogo. A Inter passava a controlar o placar, aos 25 minutos da etapa final.

Logo depois de fazer o terceiro gol, o técnico Antonio Conte tirou Alexis Sánchez, que participou bem do jogo, e colocou Christian Eriksen. Com isso, mudava o desenho do time, que passou a ter um losango de meio-campo: Brozovic recuado, Vecino e Barellla um pouco mais à frente e Eriksen encostando em Lukaku, único atacante. O Milan chegou perto do gol de empate em um cruzamento para a área, com uma cabeçada de Ibrahimovic passando por cima de Skriniar. A bola tocou a trave e o zagueiro interista precisou de atendimento.

Aos 34 minutos, a Inter quase ampliou o placar. Uma cobrança de falta perigosíssima, que pegou na junção do travessão com a trave. E com Donnarumma na bola. Um lance de muito perigo da Inter. Logo em seguida, o Milan colocou em campo Lucas Paquetá no lugar de Franck Kessié. Antes, já tinha colocado Rafael Leão no lugar de Samu Castillejo. A Inter também mudou com Victor Moses no lugar de Antonio Candreva, dando mais força pela direita.

Com o desespero do Milan, a Inter começou a ter contra-ataques consecutivos. E desperdiçava a chance de matar o jogo várias vezes. Até que em um deles, com Lukaku fazendo o pivô, mas ele demorou a receber novamente a bola, mesmo estando livre. Vecino  tentou segurar a bola, até que tocou para Moses, ele cruzou e Lukaku subiu de cabeça contra Kjaer e marcou o gol definitivo do dérbi: 4 a 2 para a Inter. Virada consolidada e, àquela altura, garantida.

Nas tribunas, os dirigentes da Inter se abraçavam, comemorando, vibrando e cantando com a torcida o tradicional grito de “Olê, olê, olê, olê, Inter, Inter”. O jogo não demorou muito mais até acabar. O fim da partida foi marcada por muita vibração dos interistas. Os jogadores sabiam o que significava a vitória no clássico, aproveitar a derrota da Juventus. Jogadores e comissão técnica foram vibrando para cumprimentar os torcedores, agradecendo o apoio.

Com Inter e Juventus empatadas na ponta, o primeiro critério de desempate é o confronto direto. A Juventus venceu a Inter no primeiro turno> no segundo, o duelo será em Turim. Caso a Juve ao menos empate, terá a vantagem até o fim da liga de terminar com o mesmo número de pontos que a Inter e continuará à frente. Com a Lazio apenas um ponto atrás de Inter e Juve, o Campeonato Italiano ganha um molho muito mais interessante. A disputa, enfim, parece acirrada e não dá sinais de esmorecer tão cedo.

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