Em um país de torcidas inflamadas e rivalidades ardentes, PAOK e Aris fazem um dos maiores clássicos da Europa oriental. A cidade de Salônica serve como uma panela de pressão, colocando frente a frente duas massas de fanáticos que não deixa a desejar em nada para os oponentes da capital – e, de certa forma, são ainda mais intensas na insanidade realizada nas arquibancadas. O dérbi, entretanto, passou quatro anos adormecido no Campeonato Grego. Desde o rebaixamento do Deus da Guerra, por problemas financeiros, as duas equipes ficaram distantes na liga nacional. Foram quatro temporadas até que os aurinegros ressurgissem a partir da terceira divisão. Já neste domingo, a animosidade se reacendeu no Estádio Charilaou. Melhor à Águia de Duas Cabeças, que venceu por 2 a 1.

Não foi a primeira vez que os rivais se encararam neste hiato, é verdade. Em setembro, pela primeira vez desde 2014, aconteceu o jogo pela fase de grupos da Copa da Grécia – mas longe do mesmo nível de importância. Terminou empatado em 1 a 1. A ignição verdadeira se deu neste domingo, graças ao embate pela Super League, com os dois times lutando pelas primeiras colocações. O PAOK mantém o bom momento que já se nota ao longo das últimas temporadas, com um investimento acima da média para os padrões locais. O Aris, por sua vez, vive o renascimento com o auxílio do empresário local Theodoros Karipidis, que chegou à presidência em 2016.

A festa nas arquibancadas foi comandada pela Super 3, o grupo de ultras do Aris. Durante a entrada dos times, os aurinegros ergueram bandeirões em diferentes cantos do estádio, um deles permanecendo atrás do gol durante o início do clássico. A imagem gigante representava os torcedores do PAOK como neonazistas, além de trazer a figura de Ivan Gazidis, o polêmico presidente dos alvinegros, vestido de coelho. Além disso, os anfitriões queimaram diversas bandeiras roubadas da torcida adversária.

Quando a bola rolou, até pareceu que o Aris poderia surpreender. Mateo García abriu o placar aos anfitriões com apenas dois minutos. Contudo, o artilheiro Aleksandar Prijovic comandou a virada do PAOK. Empatou cobrando pênalti aos 36 e determinaria o triunfo já aos 39 da etapa final, demonstrando todo o seu oportunismo ao se esticar na área para completar o cruzamento da direita. Durante o segundo tempo, quando o duelo estava empatado, o goleiro Alexandros Paschalakis ainda pegou um pênalti do Deus da Guerra, cobrado por Hamza Younès. Frustração dos aurinegros que permitiu à Águia de Duas Cabeças disparar na tabela.

A liderança do Campeonato Grego é do PAOK. Os alvinegros somam 19 pontos, com sete vitórias em sete rodadas – em pontuação descontada por uma punição. A segunda colocação é do Atromitos, com os mesmos 19 pontos, mas seis triunfos. O Aris aparece em sexto, embolado no pelotão secundário. Enquanto AEK Atenas, Olympiacos e Panathinaikos têm 13 pontos, o Deus da Guerra computa um a menos, ao lado do Skoda Xanthi. A quem sofreu tanto nas divisões de acesso, já um alento, embora a derrota no clássico seja dolorosa.