Balotelli teve uma passagem muito ruim pela Inglaterra, com apenas quatro gols marcados em sua temporada completa vestindo a camisa do Liverpool. Foi emprestado ao Milan e não fez melhor – três tentos em 23 jogos. Estava com a imagem desgastada e sendo olhado com desconfiança pelo mercado. A chance de reabilitação surgiu no Nice. Foi contratado para fazer parte do ambicioso projeto do clube francês e começou muito bem, mas seu comportamento já começou a desagradar os companheiros e o técnico Lucien Favre.

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Balotelli marcou cinco gols em suas três primeiras partidas de  Ligue 1 e juntou um total de oito nas oito primeiras rodadas que disputou da competição. Contribuiu para a boa e surpreendente campanha que deixou o Nice na primeira posição do Campeonato Francês – atualmente, é terceiro colocado. No entanto, foi desfalque constante por lesão, tendo disputado apenas 13 das 25 partidas do clube pelo Francês. Uma dessas ausências foi por suspensão, graças a um cartão vermelho que recebeu já no fim do empate por 0 a 0 com o Bordeaux, em dezembro.

O atacante italiano marcou apenas uma vez nas últimas cinco rodadas e, na semana passada, ficou no banco de reservas contra o Saint-Étienne. No fim de semana, foi desfalque mais uma vez, no empate por 2 a 2 com o Stade Rennais, por apresentar “sintomas de gripe”. Sintomas que apareceram, por coincidência, depois de ele ser criticado pelo técnico Favre e por um de seus companheiros, o meia francês Valentin Eysseric.

O primeiro foi Favre, em uma entrevista coletiva antes do jogo contra o Stade Rennais. “Não quero falar sobre Mario”, afirmou. “Porque estamos discutindo o trabalho que precisa fazer para ajudar a defesa desde o começo da temporada. Nós reconhecemos todas as coisas boas que Mario nos deu até agora, mas o que eu posso fazer? O que um treinador pode fazer? Eu tenho que começar com a melhor escalação baseada nas minhas ideias. Todos sabem que isso tem sido um problema no seu jogo por anos e vai demorar um pouco para ele se ajustar”.

Eyserric foi mais enfático sobre o comportamento de Balotelli, tanto dentro quanto fora de campo. “Balotelli abaixa a cabeça como se não desse a mínima para nós. Ele deveria pensar um pouco mais sobre o coletivo e trabalhar um pouco mais duro para nós. É uma pena que ele tenha essa tendência a resmungar quando as coisas dão errado e abaixar a cabeça”, afirmou, no sábado, antes de confirmar suas declarações à beIn Sports. “Desculpe, mas fui honesto. Ele é um ótimo jogador, nós vemos no treinamento todo dia. Mas parece que ele não quer nada conosco. É decepcionante. Poderíamos aproveitar a ajuda dele em um jogo como este (contra o Stade Rennais). Sabemos que o treinador exige muito esforço da sua equipe. Não vamos aceitar ninguém tirando o pé do acelerador e vemos isso com Mario Balotelli”, concluiu.

Não são problemas novos na carreira de Balotelli, que também foi acusado de não participar tanto do jogo coletivo na época de Liverpool e de não se enturmar com os companheiros em vestiários e concentrações. Parecia que havia mudado de postura no Nice, mas as velhas contestações a um jogador tão talentoso quanto errático voltaram rapidamente à tona.