Depois de desastre na Copa do Mundo, seleções asiáticas começam a renovação

Coreia do Sul e Japão, de técnicos novos, fizeram boas atuações na data Fifa, mas ainda têm muito trabalho pela frente

A Ásia foi o pior continente da Copa do Mundo de 2014. Não teve nenhuma vitória e, exceto por algumas atuações de Austrália e Irã, mal fez jogo duro para os outros times. Logo, a palavra de ordem no futebol do Oriente, neste momento, é renovação. A última data Fifa serviu o começo da montagem das equipes para a Copa da Ásia em 2015, e Japão e Coreia do Sul, ambos com novos treinadores, conseguiram os melhores resultados. Mas ainda estão longe do satisfatório e tanto Javier Aguirre quanto Uli Stielike sabem que têm muito trabalho pela frente.

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Coreia do Sul

05/09 | Coreia do Sul 3×1 Venezuela

09/09 | Coreia do Sul 0x1 Uruguai

Atuando em casa nas duas partidas, a Coreia do Sul deu início aos trabalhos do experiente técnico alemão Uli Stielike, 59 anos, ex-jogador da Alemanha (1975/84) e treinador desde 1989, quando comandou a Suiça. O novo técnico dos sul-coreanos ainda trabalhou como auxiliar-técnico na Alemanha (1998/00), nos times de base (2000/06) e estava no Al Arabi (Catar).

Seu contrato será válido até o fim da Copa do Mundo 2018, mas seus comandados precisarão de melhores resultados para mantê-lo no cargo. Vencer a Venezuela de virada não é grande coisa, assim como não é desastroso perder para o Uruguai. Mas um empate soaria melhor.

A maioria dos jogadores importantes foi mantida. As novidades ficam por conta de dois bastante experientes, que não estiveram na Copa do Mundo 2014. A intenção de Ulrich Stielike ao convocar o lateral-direito Cha Du-Ri (Seoul), 34 anos, machucado na época do Mundial, e o atacante Lee Dong-gook, 35 (Jeonbuk), é simplesmente dar suporte aos mais jovens na montagem da equipe.

A principal ausência foi de Park Chu-young, 29 anos, que está sem clube desde que seu contrato com o Arsenal acabou e ele voltou de empréstimo do Watford. O destaque da seleção continua sendo o meia Son Heung-min, do Bayer Leverkusen.

Média de idade: 26,3 anos

Jogadores da Copa não convocados: 11 atletas, sendo os dois principais goleiros.

Japão

05/09 | Japão 0x2 Uruguai

09/09 | Japão 2×2 Venezuela

Também jogando em casa e contra os mesmos adversários da Coreia do Sul, os japoneses não venceram. Foram as primeiras duas experiências do técnico mexicano Javier Aguirre, 55 anos, que treinou por duas vezes a seleção de seu país (2001/02 e 2009/10), além de times espanhóis, como o Atlético de Madrid (2006/09).

São apenas cinco estreantes na seleção, todos atuando na liga japonesa, o que mostra que o novo treinador vem acompanhando a competição – tarefa simples, mas que nem sempre é cumprida. Apesar da pequena renovação em relação ao trabalho de Alberto Zaccheroni, o Japão voltou a mostrar problemas na defesa, levando gols em falhas individuais. Certamente, Javier Aguirre terá muito trabalho com o Japão, que perdeu alguns jogadores experientes.

O treinador mexicano não convocou Yasuhito Endo, 34 anos e 146 jogos pela seleção, Yasuyuki Konno, 31, e Yoshito Okubo, 32, que foi muito mal na Copa do Mundo 2014. A esperança de Javier Aguirre é Shinji Kagawa, que deverá ter rodagem na volta ao Borussia Dortmund e só não esteve nos amistosos porque se encontra lesionado. Mas Kagawa não estará sozinho: Makoto Hasebe e Shinji Okazaki continuam no time, assim como Eiji Kawashima e Yuto Nagatomo, os pilares de experiência do Japão.

Média de idade: 25,4 anos

Jogadores da Copa não convocados: 11 atletas, sendo seis meias

Austrália

04/09 | Bélgica 2×0 Austrália

08/09 | Arábia Saudita 2×3 Austrália

Os australianos sabiam que eram azarões na Copa do Mundo e que o resultado no Mundial 2014 não era tão importante. Afinal, a Austrália estava justamente no meio da troca de gerações e por esta razão havia contratado o jovem técnico local Ange Postecoglou, que agora poderá começar um trabalho do zero.

Dos veteranos que estiveram no Brasil 2014, apenas o meia Mark Bresciano, 34, e o atacante Tim Cahill, da mesma idade, foram convocados. Mile Jedinak e Carl Valeri, ambos na casa dos 30 anos, também terão papel importante na renovação do time. Alguns não foram convocados por contusão, como Matt McKay, 31, e os jovens Olivier Bozanovic, Adam Taggart, Matthew Spiranovic, Ivan Franjic e Tom Rogic.

Dos 20 jogadores chamados por Ange Postecoglou, metade tem menos de dez jogos pela seleção, o que comprova a renovação conduzida pelo treinador. Ainda não se sabe qual será a Austrália da Copa da Ásia 2015, mas há a certeza de que os donos da casa sofrerão pressão para vencer o torneio.

Média de idade: 25,2 anos

Jogadores da Copa não convocados: dez atletas, sendo cinco por lesão

Outras seleções

Omã: A seleção omani jogou a fase final das eliminatórias asiáticas, ficando a um ponto de jogar a repescagem asiática diante do Uzbequistão – ficou atrás da Jordânia. No único jogo disputado, a equipe levou de 2 a 0 da Irlanda, na casa do adversário.

Iraque: Lanterna de seu grupo na fase final das eliminatórias 2014, o Iraque foi até Dubai ser o mandante do jogo contra o Peru, mas acabou perdendo de 2 a 0.

Catar: Outra seleção que alcançou a fase final das eliminatórias continentais, mas foi muito mal, terminando com sete pontos, metade do Uzbequistão, que foi à repescagem asiática. Nos amistosos, uma partida em casa, com derrota de 2 a 0 para o Peru, e uma fora, com empate sem gols diante do Marrocos. O saldo é positivo.

Uzbequistão: Os uzbeques eram os candidatos à surpresa das eliminatórias, mas perderam para a Jordânia na repescagem asiática. No amistoso diante da Nova Zelândia, a vitória de 3 a 1 significa pouco. Já os dois gols contra os jordanianos são positivos, pois esse será o nível no próximo ciclo qualificatório.

Jordânia: Os humilhados pelos uruguaios na repescagem intercontinental (5 a 0) só empataram com a China, nos domínios do adversário, com um gol aos 38 minutos do segundo tempo. É difícil imaginar a Jordânia perto de um mundial novamente, ainda mais depois da derrota de 2 a 0 para o Uzbequistão, também fora de casa.

Curtas

– A surpresa das seleções asiáticas não citadas anteriormente fica por conta do excelente empate sem gols alcançado pelos Emirados Árabes Unidos diante do Paraguai, em jogo disputado na Áustria. A China também conseguiu boa vitória de 3 a 1 sobre o Kuwait, em casa.

– A goleada para cima dos asiáticos ficou por conta dos 7 a 1 do Cazaquistão sobre o fraco Quirguistão, e nos 6 a 1 da Bielorrússia diante do Tadjiquistão.

– A seleção iraniana confirmou que o técnico português Carlos Queiroz aceitou a renovação de contrato e está a caminho de Teerã para assinar o vínculo, que irá até a Copa do Mundo 2018. A confirmação deverá ocorrer no próximo domingo, a não ser que haja uma reviravolta incrível, e Carlos Queiroz assuma Portugal no lugar do demitido Paulo Bento.

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