Ralf Rangnick tinha tudo acertado para ser o próximo homem forte do Milan, comandando ao mesmo tempo o departamento de futebol e sendo o treinador. O acordo ruiu na última semana e, agora, a alemão pediu demissão do seu cargo na Red Bull. Depois de oito anos trabalhando pela organização austríaca, e inclusive atuando como treinador do RB Leipzig por duas passagens, em 2015/16 e em 2018/19, ele encerrou o contrato um ano mais cedo do que o previsto.

Aos 62 anos, Rangnick tem história no futebol. Foi jogador, com passagens por times pequenos. Jogou de 1976 a 1988 como profissional, um volante. Como técnico, passou por Stuttgart, Hannover 96, Schalke 04 e Hoffenheim, além do RB Leipzig. Desde o fim da temporada 2018/19, exercia um cargo mais de escritório como Chefe de Desenvolvimento do Futebol, mas procurava um novo desafio.

O seu trabalho na Red Bull é considerado fundamental na expansão do grupo. Ele ajudou a estruturar os times da fabricante de energéticos em Nova York, o New York Red Bulls, e em Bragança, o Red Bull Bragantino, este mais recentemente. Recentemente, Oliver Mintzlaff, de 44 anos, assumiu como chefe de futebol. Com isso, o seu cargo passou a ter uma função menos clara. Além disso, segundo o Bild, o alemão via o seu trabalho com o ciclo concluído.

“Agora é o momento certo de encerrar o meu trabalho na Red Bull Eu gostaria de agradecer a todos os funcionários, especialmente Dietrich Mateschitz, pelo seu apoio e confiança. Ele me deu a oportunidade de construir algo único aqui ao longo dos anos. A Red Bull Soccer representa uma organização de grande sucesso e muito bem posicionada ao redor do mundo”, disse Rangnick. “Foi uma grande hora ter uma grande contribuição para isso e isso me deixa orgulhoso. Eu desejo à Red Bull o melhor para o futuro”.

O seu trabalho na Red Bull não pode ser subestimado. Se recentemente a ideia foi reestruturar os times de outros continentes, quando chegou à organização, em 2012, ele teve a missão de fazer o projeto de Leipzig ter sucesso. Com Rangnick, o clube passou a ter uma direção mais clara, uma filosofia definida e o clube não só chegou à Bundesliga como também às primeiras posições, classificando-se para a Champions League em 2017, sob o comando de Ralph Hasenhüttl, atual técnico do Southampton.

No comunicado da Red Bull, fica claro que o pedido para sair foi de Rangnick. “Nós estávamos relutantes em deixar Ralf Rangnick sair, mas nós atendemos o seu pedido de encerrar o contrato e agradecemos a ele pelo trabalho extraordinário que ele fez nos últimos oito anos. Graças a Rangnick, a Red Bull Soccer é hoje um ponto de referência e um modelo de gestão de sucesso no mundo do futebol”, afirmou Dietrich Mateschitz.

Segundo a Gazzetta dello Sport, Rangnick quer voltar a ser técnico, não mais diretor e trabalhar em um escritório. Talvez por isso que o cargo no Milan tenha o atraído tanto. Sem que o acordo tenha sido efetivado, Rangnick dá um passo para buscar outro trabalho, e como técnico. Ainda segundo o jornal italiano, a preferência do alemão é trabalhar na Premier League.