Claudio Marchisio se tornou um símbolo da reconstrução da Juventus ao longo da última década. O garoto que chegou às categorias de base quando tinha apenas sete anos de idade estreou pela equipe principal em 2006/07, ano em que a agremiação se reerguia na Serie B. Exceção feita a um breve empréstimo ao Empoli, foram 25 anos vestindo a camisa bianconera. Viveu momentos de destaque, essencial principalmente no início do atual heptcampeonato, um dos melhores do time naquelas campanhas vitoriosas. No entanto, as lesões e a falta de sequência tiraram o protagonismo do prata de casa. E de maneira um tanto quanto surpreendente, no último dia de mercado de transferências, a Velha Senhora anunciou o fim dessa história: em acordo mútuo, o veterano de 32 anos rescindiu seu contrato e está pronto para encontrar uma nova casa.

A qualidade técnica de Marchisio é inquestionável. O versátil meio-campista se combinou com diferentes jogadores ao longo de todos estes anos na Juventus. Faz bem a proteção, tem precisão nos passes, sabe sair jogando, aparece no ataque para definir. Não à toa, se tornou imprescindível aos bianconeri, sobretudo nos tempos em que dividia o espaço na intermediária com Andrea Pirlo e Arturo Vidal. Os números falam por si, com o italiano se mantendo entre os titulares por sete temporadas. Entretanto, a capacidade do veterano não vinha sendo suficiente nos últimos tempos. Sobretudo nas duas últimas temporadas, o meia precisou lidar com as seguidas lesões, em diferentes partes do corpo. Isso atrapalhou seu espaço e, antes intocável, virou uma peça prescindível dentro do esquema de Massimiliano Allegri.

O anúncio do rompimento teve carinho de ambas as partes. A Juventus escreveu um bonito texto para se despedir do ídolo: “Vinte e cinco anos se passaram desde que Claudio colocou a camisa bianconera pela primeira vez. Ele tinha apenas sete anos, com o louco desejo de jogar pelo clube de sua cidade e uma cabeça cheia de sonhos. Seu sonho na época, como ele sempre repetiu, era usar a mesma camisa diante de milhares de torcedores, lutando pelos troféus mais cobiçados que o futebol pode oferecer. Depois de vencer com as equipes de base, o meio-campista promissor estreou no ano mais difícil de todos – o da Serie B. Uma temporada com o Empoli se seguiu, antes que Claudio voltasse a Turim. Il Principino teve que esperar sua chance de brilhar e a agarrou com as duas mãos. Do momento em que marcou seu primeiro gol contra a Fiorentina, Claudio nunca mais olhou para trás. Sempre disse que poderia marcar mais, e os dois dígitos em 2011/12 provaram que ele era tão bom quanto dizia”.

“Ainda mais, Claudio queria ganhar as coisas, e fez exatamente isso. Ao erguer três Supercopas, quatro Copas e sete Scudetti, ele ajudou a reescrever os livros de história do clube para sempre. Além disso, suas 389 aparições em preto e branco significam que ele se torna o 18º jogador com mais partidas pelo clube. Com cada batalha completada, cada rede balançada e cada troféu erguido, seus sonhos de infância se tornaram realidade. Na verdade, nós todos vivemos nossos sonhos lado a lado com Claudio. Assisti-lo a crescer e a se tornar, dia após dia, um homem, um marido e um pai encheu a todos os bianconeri com uma sensação única de gratidão. Ter a oportunidade de acompanhá-lo neste caminho, descobrir um prata da casa campeão foi simplesmente um privilégio e uma honra. E será um prazer continuar o seguindo, seja qual camisa vestir no futuro. Pois o bianconero, como sabemos, irá sempre formar uma indelével parte dele e de sua história. Obrigado por tudo, Claudio! Desejamos o melhor a você”, complementa o texto.

Marchisio, por sua vez, falou sem ressentimentos sobre o adeus. Em suas redes sociais, postou uma foto ainda menino com a camisa da Juve: “Centenas de pensamentos e centenas de imagens me acompanharam ao longo da noite. Não posso parar de olhar para esta fotografia e para estas listras, nas quais escrevi a história de minha vida como homem e como jogador. Eu amei essa camisa de tal maneira que, acima de tudo, estou convencido que o melhor ao time vem primeiro. Sempre. Em um dia difícil como esse, eu me agarro a este princípio. Vocês são a parte mais bonita dessa história maravilhosa, mas por essa razão, em poucos dias, eu estarei apto a dizer adeus de uma maneira mais especial. Afinal, o 8 nada mais é que o símbolo do infinito virado para cima”.

O apelido de Marchisio, Il Principino, diz muito sobre a relação que construiu no clube. Era o “principezinho”, o garoto que nasceu na cidade e representou os torcedores em campo, por todo o amor à camisa. Mais do que isso, que adicionou qualidade ao time e ajudou a recuperar o gigantismo dos bianconeri. Não é pouco. As expectativas ficam sobre uma despedida calorosa ao meio-campista em Turim, naquela que foi sua casa por duas décadas e meia. Além disso, é ver como se dará a sequência de sua carreira, já se encaminhando para um nível de exigência mais baixo. Por suas palavras, e até pelo momento em que a rescisão acontece, o veterano indica que deseja mais espaço para jogar. De qualquer forma, as imagens daquele garoto que despontou em bianconero e virou tudo aquilo que os seus imaginavam, estas ficam para sempre. Ao infinito, como a sua 8.