Theo Walcott começou sua carreira no Southampton. Antes mesmo de se transferir ao Arsenal, o prodígio eclodiu com os Saints. Tinha 11 anos quando se juntou ao clube, tornando-se uma das promessas mais badaladas da Inglaterra. Assinou seu primeiro contato com a Nike aos 14 e, aos 16, já fazia sua estreia na Championship. Bastaram poucos meses para o ponta estourar e virar um fenômeno nacional. Em janeiro de 2006, ainda no meio de sua primeira temporada como profissional, mudou-se a Londres após a oferta de £5 milhões dos Gunners. Muitas das expectativas ao seu redor não se cumpriram. E, quase 15 anos depois, esta história se reata. Já um veterano da Premier League, Walcott volta ao Southampton por empréstimo.

Quando Walcott fechou com o Arsenal em 2006, parecia fazer um grande negócio à sua carreira. Integrou-se a um clube com amplo histórico de revelar talentos, sob as ordens de Arsène Wenger e ainda vivendo campanhas importantes. Aos 17 anos, o prodígio logo seria reserva na Copa do Mundo de 2006, mesmo sem entrar em campo pelos Gunners nos meses anteriores. Porém, a magia não se concretizou. O clube londrino entrou em declínio, ao mesmo tempo em que Walcott não se tornou o craque prometido para reerguê-lo.

Walcott jogou 12 temporadas da Premier League com o Arsenal. Teve seus momentos importantes, especialmente na virada da década, chegando a registrar 14 gols na temporada 2012/13. Mas, também atrapalhado pelas lesões, o ponta veloz nunca perdeu os ares de eterna promessa. Tanto é que nunca voltaria a disputar uma Copa do Mundo com a seleção inglesa, apesar das 47 partidas pela equipe nacional – com sua omissão bastante discutida sobretudo em 2010. No máximo, representaria os Three Lions na Euro 2012. Já a relação no Emirates se desgastaria naturalmente até seu adeus em janeiro de 2018, vendido ao Everton.

Em Goodison Park, Walcott recuperou um pouco de seu protagonismo ao ser titular do clube durante uma temporada e meia. Ganhou minutos em campo como não teve nas seis temporadas anteriores. Mas estava num time que não engrenava, e perdeu espaço na última campanha. Dispensável aos Toffees, precisaria reduzir suas expectativas um pouco mais. E o retorno ao Estádio St. Mary’s se faz pertinente neste momento. Aos 31 anos, o ponta parece adequado às ambições do Southampton.

Apesar de todas as frustrações e daquilo que não aconteceu em sua carreira, Walcott terá a chance de ser um jogador importante aos Saints. Junta-se a uma equipe bem montada por Ralph Hasenhüttl e na qual há espaço para se encaixar como titular. Seu empréstimo vai até o final da temporada. Quem sabe, para reatar as pontas de uma história rompida em 2006, quando o prodígio aceitou a oferta no Arsenal. O agora veterano poderá ser o ídolo que um dia a torcida alvirrubra sonhou, mas que nem teve tempo para isso. Resta ver como Walcott usará a experiência adquirida a seu favor.

“Tive algumas ofertas de outros clubes, mas assim que o Southampton veio até mim, não tive dúvidas. É parte da minha história e me fez o jogador que sou, está no meu coração. Provavelmente vou chorar, aposto, quando jogar pela primeira vez. Isso significa muito. Todas as pessoas que fizeram isso acontecer, não posso agradecê-las o suficiente. Honestamente, estou muito satisfeito. Fiquei sem palavras quando o Southampton fez a oferta e, para mim, foi uma decisão muito fácil”, declarou. É esperar a emoção fluir na reestreia.