Depay não é a contratação de que o United precisa, mas não deixa de ser um ótimo acerto

Por € 30 milhões, clube de Manchester acerta com destaque do PSV e da Holanda. Apesar de precisar de zagueiros, chegada do atacante não é dinheiro mal gasto

O Manchester United anunciou na manhã desta quinta-feira a contratação do atacante Memphis Depay, do PSV. Sem revelar detalhes, como tempo de contrato, apenas esclarecendo que chegou ao acordo com o time holandês, que também divulgou o acerto. Para quem acompanhou de perto o clube inglês desde a chegada de Louis van Gaal, a primeira pergunta provavelmente deve ter sido: “Ok, mas e zagueiros?” A revelação da Copa do Mundo de 2014 é um jogador de enorme talento e potencial gigantesco, mas não era o jogador de que os Red Devils precisavam. Isso, no entanto, não anula o grande negócio feito pelo time de Manchester.

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Desde o princípio da temporada, a zaga do Manchester United tem sido um dos setores mais questionados. Justificadamente. As opções com que conta Van Gaal não garantem completa segurança. Ou são jogadores apenas irregulares, que alternam bons jogos com atuações esquecíveis, como Smalling e Jones, ou jovens demais para darem a um time de tal patamar a tranquilidade defensiva de que precisa, como McNair e Blackett. Rojo, único zagueiro contratado pelo técnico holandês até agora, também não traz um diferencial para o setor.

Na primeira janela de transferências, antes do início da campanha 2014/15, Van Gaal já era cobrado pela dinheirama gasta em meio-campistas e atacantes em detrimento de reforços para a zaga. Chegaram Di María, Falcao, Ander Herrera, que se juntaram a Mata, Rooney, Van Persie, Young… Nomes lá na frente não faltam, mas a decepção com alguns deles, como Di María e Falcao, já servem para justificar de alguma forma a chegada de Depay.

Outro aspecto importante da ida do atacante para o Manchester United, apontado por muitos como grande motivador também, é a relação quase fraternal do jovem com o técnico Louis van Gaal. Em sua biografia sobre o treinador, o jornalista holandês Hugo Borst revela como Depay não se dá bem com seu pai de sangue e como Van Gaal acabou virando seu pai não biológico. “Espero que um dia o Memphis volte a jogar sob a tutela do Louis. Uma reunião com seu pai não biológico seria uma benção. Um cara petulante, o Memphis precisa de um olhar que o busca e de uma voz brusca de comando. Eu juro, meia temporada com Louis como treinador, e o Memphis estará entrando em campo com o nome Van Gaal às costas”, escreve Borst, em referência ao fato de o atleta não usar o sobrenome do pai na camisa por desavenças pessoais.

A confiança de Van Gaal em Depay também pode ser observada durante a Copa do Mundo, quando aos poucos o jovem ganhou espaço no time que ficou com o terceiro lugar da competição. Quando entrava em campo, Depay normalmente transformava a intensidade ofensiva da Oranje. Contundente, anotou ainda dois gols, contra Chile e Austrália, e já após o Mundial tinha condições de se transferir para uma grande liga. Em vez disso, permaneceu por mais um ano no PSV Eindhoven, e a decisão só trouxe coisas boas ao atacante. Com alguma sobra, foi o melhor da Eredivisie 2014/15. Principal destaque de um PSV jovem que quebrou a sequência de quatro títulos seguidos do Ajax. Autor de 21 gols no Holandês, só está atrás de jogadores como C. Ronaldo, Messi, Lacazette, Agüero e Griezmann na lista de artilheiros das cinco ligas nacionais de maior coeficiente no ranking da Uefa.

“Mas era apenas o Holandesão”, você pode argumentar. Tudo bem, o nível não é dos mais desafiadores, e Afonso Alves já cansou de fazer gols por lá, mas também é verdade que não são poucos os casos de atletas que brilham primeiro em solo holandês antes de escreverem seu nome na história de clubes dos principais campeonatos. O United, com atletas como Van Nistelrooy, Stam e, mais recentemente, Van Persie, em sua história, sabe bem disso.

Com Depay, o United contrata não apenas alguém que pode elevá-lo de patamar imediatamente. Reforça-se também com um dos talentos mais interessantes e promissores da Europa. Um jogador que despertava o interesse de rivais e que potencialmente viria a causar danos aos próprios Red Devils se tivesse acertado, por exemplo, com o Liverpool. Incisivo, dono de chutes potentes, de uma explosão física destacável e também de uma habilidade para fazer o diferente, Depay acaba sendo uma pechincha. No mercado inflacionado que o futebol tem hoje, € 30 milhões é uma barganha por alguém com essas qualidades e cuja carreira vive tal momento. Toda contratação é um risco, mas o potencial positivo da chegada de Depay é enorme. Por um preço consideravelmente menor do que o que parecia ser a nova tendência do time, o Manchester United pode ter arranjado um craque por muitas temporadas.