Seria um jogo carregado de emoção. E assim aconteceu. No retorno da Chapecoense a Medellín, os jogadores que mais importavam não estavam no elenco: Neto, Alan Ruschel e Jakson Follman. Os três sobreviventes do acidente aéreo receberam, mais uma vez, todo o carinho e o apoio do povo colombiano. Voltaram ao local da queda do avião e, enfim, pisaram no gramado do Atanásio Girardot, ovacionados pela torcida verdolaga. No entanto, a massa nas arquibancadas também aguardava um jogo. E, dentro das quatro linhas, a grandeza do Atlético Nacional foi a de jogar abertamente com os catarinenses. Ganhou, de maneira tão incontestável quanto a empatia de semanas atrás. A vitória por 4 a 1 ressalta que irmãos podem ser benevolentes e leais. Que, além de seus gestos, os campeões continentais têm bola, e muita, se recuperando em sua temporada internacional com a taça da Recopa.

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A Chapecoense vivia o sonho, depois da partida especial na Arena Condá. A vitória por 2 a 1 dava uma interessante vantagem ao Verdão. Contudo, mesmo sendo um bom convidado em Santa Catarina, o Atlético Nacional já demonstrara ter uma equipe mais madura. O que demorou pouquíssimo para se confirmar em Medellín, impulsionados pela calorosa torcida – que também se misturava com camisas da Chape. No primeiro minuto, aproveitando falha da defesa brasileira, Dayro Moreno recebeu a bola em profundidade e acertou um chute rasante, com a colaboração de Artur Moraes para abrir o placar.

A partir de então, a Chape até conseguiu equilibrar as ações no meio de campo, mas não ameaçava a meta de Franco Armani. Enquanto isso, o Atlético Nacional levava perigo em suas subidas ao ataque, bem mais veloz nas construções, até conseguir ampliar aos 31 minutos. A partir de passe de Macnelly Torres, Andrés Ibargüen bateu com categoria, aumentando a margem e deixando a equipe já em vantagem no placar agregado. Os catarinenses precisariam de uma reação na volta do intervalo. Exatamente o que aconteceu.

Durante os primeiros minutos do segundo tempo, a Chapecoense atravessou o seu melhor momento no jogo. A melhor chance, todavia, foi negada de maneira milagrosa. Arthur tirou do alcance de Armani, mas Alexis Henríquez apareceu em cima da linha para evitar o gol. À medida que se impunha no campo de ataque, o time de Vágner Mancini também corria o risco por se expor. Algo fatal aos 22 minutos, com o terceiro gol do Atlético Nacional. Após jogadaça de Ibargüen, Dayro Moreno aproveitou a bola escorada para marcar mais um.

Diante do cenário, o Atlético Nacional ficou com o jogo nas mãos. Marcou o quarto em um lance meio sem querer de Ibargüen, que escorregou e viu a bola desviada encobrir Artur Moraes. Já três minutos depois, a Chapecoense descontou com Túlio de Melo, aplaudido pela torcida local. Nada que permitisse os outros dois gols necessários para forçar as penalidades. A decepção, até pela carga de responsabilidade, era visível nos rostos dos jogadores brasileiros. Queriam não apenas o título, mas também proporcionar a homenagem com a vitória. Coube a eles, entretanto, mais uma vez aplaudir os verdolagas erguendo o troféu.

A superioridade do Atlético Nacional nunca se questionou, por mais que o elenco de Reinaldo Rueda também passe por um período de renovação. A Chapecoense, de qualquer forma, demonstrou o seu desejo de recuperar a força, jogando de igual com aqueles que tanto a ajudaram. Apesar da goleada, cai em pé, em uma ocasião na qual o futebol serviu ao mesmo tempo de prioridade e de pretexto. Agora, é olhar para frente. Até porque, apesar do título catarinense, o Verdão do Oeste vem oscilando demais nas últimas semanas. O trabalho forte dos primeiros meses precisa se manter, ainda mais agora, no Campeonato Brasileiro. Sabem que terão uma torcida imensa na Colômbia desejando forças para uma campanha segura na primeira divisão.