Durante a primeira rodada da Premier League, o embate entre Manchester United e Chelsea acabou marcado pelos contrastes. Os Blues pareciam prontos a amassar os Red Devils em Old Trafford, mas a eficiência dos anfitriões virou o tabuleiro e rendeu a “sortuda” goleada por 4 a 0. Nesta segunda-feira, os londrinos esperavam dar o troco no reencontro em Stamford Bridge. O Chelsea controlou a partida e finalizou mais vezes. No entanto, viu a precisão do United pesar novamente. Dois gols de cabeça permitiram a vitória por 2 a 0, um alívio a Ole Gunnar Solskjaer. Contudo, além dos próprios pecados, a equipe de Frank Lampard teve um bocado para reclamar das decisões da arbitragem.

Apesar das necessidades de ambos os times, o primeiro tempo seria morno em Stamford Bridge. O Manchester United tinha um pouco mais de posse de bola no início, mas permanecia contido ao seu campo de defesa. O Chelsea tentava forçar o erro e atacar em velocidade. Com esta estratégia, os Blues ameaçaram primeiro. Reece James e Willian providenciaram duas finalizações perigosas nos primeiros dez minutos, sem acertar o alvo de David de Gea. Pouco depois, Frank Lampard seria forçado a realizar sua primeira alteração, após N’Golo Kanté se lesionar sozinho. O francês deu lugar a Mason Mount.

A partir de então, o duelo veria as defesas se darem melhor contra os ataques. O Chelsea tinha mais agilidade pelos lados, mas seus arremates eram travados pela zaga adversária. E a primeira reclamação quanto à arbitragem surgiu aos 22 minutos. Numa disputa na lateral, Harry Maguire caiu e ergueu os pés, acertando as travas da chuteira nos órgãos genitais de Michy Batshuayi. O zagueiro foi imprudente, para dizer o mínimo, mas a arbitragem não deu qualquer cartão e o VAR também não avaliou como agressão passível de expulsão. Se fosse um jogador de reputação mais contestada, talvez a decisão fosse outra.

Batshuayi reapareceu logo depois para desperdiçar a melhor chance do Chelsea, ao receber livre dentro da área, mas mandar ao lado da trave. No fim do primeiro tempo, os Blues ficavam cada vez mais amarrados, enquanto os ataques dos Red Devils também eram esparsos. Ainda assim, o primeiro gol saiu aos 45, num ataque bem encaixado pelos mancunianos. Fred iniciou a jogada pelo lado direito, explorando os espaços. Aaron Wan-Bissaka recebeu mais à frente e entortou Willian na beirada da área, antes de cruzar. Conectou com Anthony Martial, que desviou de cabeça para a lateral das redes. Pouco antes, Andreas Christensen havia recebido atendimento médico por uma pancada no nariz e parecia um tanto quanto fora de sintonia na marcação.

Christensen sequer continuou para o segundo tempo, substituído por Kurt Zouma. E o Chelsea parecia disposto a igualar logo o placar. Os Blues voltaram ao jogo com mais impacto e, primeiro, carimbaram a trave num lance de Mount que acabaria anulado. Já aos dez minutos, mais uma discussão à noite. Após um escanteio cobrado por Willian, Zouma apareceu no meio da área para concluir de primeira e superar De Gea. Todavia, o árbitro de vídeo assinalou uma falta de César Azpilicueta sobre Brandon Williams no primeiro pau. Antes de empurrar o jovem, porém, o espanhol também havia sido deslocado por Fred, mas o VAR não observou a infração do brasileiro e invalidou o tento.

O jogo ficaria mais pegado na sequência. E as bolas paradas seriam determinantes para o Manchester United. Primeiro, Bruno Fernandes quase deixou sua marca aos 19, em cobrança de falta que acertou a trave de Willy Caballero. Dois minutos depois, ao menos, o português ofereceu sua primeira assistência pelo clube. Sua cobrança de escanteio beirou a perfeição e encontrou Harry Maguire, com uma cabeçada firme para ampliar o placar. Em pouquíssimo tempo, o possível empate se transformou em uma vitória mais folgada. A reviravolta deixava o resultado nas mãos dos Red Devils.

Depois disso, a iniciativa ficaria toda com o Chelsea. Em sua última alteração, Lampard chamou Olivier Giroud para o lugar de Batshuayi. Os Blues tinham pressa, mas não a organização necessária para romper a marcação do United. E quando Giroud anotou o seu gol, de novo o VAR interveio. De fato, o francês estava um passo à frente, em impedimento, antes de completar o cruzamento de Reece James. O desespero não contribuía aos londrinos e a equipe só voltaria a criar uma chance concreta de descontar aos 44, em falta de Mount que bateu na trave. No fim, houve tempo para Odion Ighalo estrear e quase fazer o terceiro, parado por Caballero.

O resultado possui um peso grande ao Manchester United. O clube não ganhava em Stamford Bridge pela Premier League desde 2012. Além disso, a última temporada em que os Red Devils haviam vencido os dois confrontos pela liga contra os Blues tinha sido a de 1987/88. O triunfo dá um empurrãozinho a Solskjaer na volta da pausa de inverno, na sétima colocação, com 38 pontos. A classificação à Champions League parece se tornar palpável. Além disso, a atuação vale bastante pela forma como a defesa atuou em altíssimo nível. Eric Baily e Wan-Bissaka fizeram grandes partidas, além do decisivo (pelo bem e pelo mal) Maguire.

Por outro lado, a temporada do Chelsea vem em declínio. O time de bom primeiro turno não se nota mais – atrapalhado pelas lesões, é verdade, mas com extremas dificuldades para construir suas vitórias. Apesar da movimentação ofensiva, a equipe sentiu dificuldades para definir suas jogadas, enquanto a defesa também sofre em demasia. Já são quatro rodadas consecutivas sem vencer. Com 41 pontos, ainda na quarta posição, os Blues alimentam as esperanças de quem desponta logo abaixo. Após 18 rodadas no G-4, a situação privilegiada está em extremo risco. No próximo sábado, acontecerá o embate decisivo contra o Tottenham, em Stamford Bridge.

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